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Seguem abaixo algumas perguntas enviadas pela amiga e colaboradora LADJANE CUNHA, que foram retiradas da Revista Universo Espírita nº 36 - Ano 3 - 2006.

Estas perguntas fazem referencia a algumas comparações e esclarecimentos entre os conhecimentos Cristãos passados de geração em geração, e com vistas ao Espiritismo, explicando também um pouco sobre o segmento Gnóstico do Cristianismo, que não é Espiritismo, mas nem por isso deixa de merecer todo nosso respeito.

1- Jesus é Deus?


Não, esclarece o Epiritismo. No Universo há somente um Deus, eterno, infinito, criador da matéria e do espírito. Jesus por sua vez, é um espírito criador e imortal que vivenciou sua evolução reencarnando como todos os outros, até assumir a direção espiritual da Terra.Todos os espíritos percorrerão uma trajetória evolutiva parecida. "Considerando a infinidade de mundos habitados, é possivel concluir pela existência de um número equivalentes de Cristos, levando a Boa Nova por todo o Universo", concluiu o frade Giordano Bruno (1548-1600) no seu livro De l'infinito universo e mondi de 1584! Esse filósofo italiano enfrentou abertamente os dogmas da igreja católica e acabou morto na fogueira da inquisição.

2- Jesus foi marido de Maria Madalena? Ele teve filhos?

Não se sabe, e essa é uma polêmica desnecessária e sem frutos. Tudo gira em torno da seguinte frase do Evangelho gnóstico de Felipe: " E a companheira do Salvador é Maria Madalena". A palavra para companheira no original grego é koinonos, que pode ser traduzida como companheira, parceira ou até irmã espiritual. Não existem outras referências que pudessem esclarecer o assunto. Jesus poderia, ou não ser casado e isso não mudaria em nada sua doutrina. A mais importante informação sobre Madalena é a posição de destaque das mulheres no Cristianismo. Quando Jesus atestou sua sobrevivência após a morte, escolheu Madalena como testemunha junto aos apóstolos. Na época ,uma mulher não podia testemunhar na justiça, havia uma discriminação que ainda hoje tem sua força. O Cristianismo assim como o Espiritismo, vem demonstrar a igualdade absoluta entre os homens e mulheres, afinal todos são espíritos imortais podendo reencarnar em qualquer um dos sexos. Essa igualdade será uma das marcas da regeneração da humanidade.

3- O Espiritismo é Cristão?

Sim, por que restaura o verdadeiro Cristianismo e sua moral universal, como Jesus os ensinou. Um espírito disse a Kardec em 1863: "Aproxima-se a hora em que será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo", conforme publicado em Obras Póstumas. O Espiritismo explica e completa as idéias de Jesus com as luzes da ciência moderna, restaurando o seu verdadeiro sentido, livre de todo dogma e misticismo, por isso se diz que ele é a terceira revelação das leis divinas, depois de Moisés e Jesus. No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo Kardec esclareceu: "O Espiritismo é, pois obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra".

Vale lembrar que Gandhi (1869-1948) comparava a Verdade com o tronco de uma sólida árvore. Seus galhos representam as religiões e as tradições filosóficas. Aquele pois que, que chega ao âmago de sua religião chega também à de todas as outras, pois elas emanam de uma só fonte, que é a Verdade. A moralidade espírita atende a todas as religiões e filosofias: cristãs, hinduistas, muculmanas, etc. Como as raízes do Espiritismo estão presentes em todas as crenças, ele unirá a humanidade numa só compreensão. respeitando a diversidade.

4- A Cruz é o Símbolo de Jesus?


Pode ser surpreendente, mas não. Os primeiros cristão identificavam Jesus e sua doutrina por um peixe estilizado. Criou-se até mesmo um acrônimo para ichthys, peixe em grego: Jesus Christus Theou Yicus Soter, “Jesus Cristo filho de Deus Salvador”. O bom pastor também representava Jesus nos primeiros séculos.

A cruz não foi uma boa escolha para representar o Cristianismo , afinal representa o instrumento romano utilizado para torturar e matar Jesus. Os romanos continuavam a crucificar os soldados nos primeiros séculos, e os cristãos tinham horror a esse símbolo sangrento.

Constantino I (272-337) foi o imperador romano que determinou o Cristianismo como religião oficial do Império. Deu poder à hierarquia da Igreja, estabeleceu o credo cristão e acrescentou muitos dogmas à teologia cristã. O imperador, e grande parte dos soldados romanos, cultuavam o deus Sol, cujo símbolo era... uma cruz! Constantino disse ter sonhado com esse símbolo com a inscrição In hoc signo vinces,"sob este símbolo vencerás”. Mandou pinta-la nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora. Depois desse dia a cruz tornou-se símbolo cristão e o mundo viu muitas equivocadas guerras, em nome da religião, com soldados empunhando cruzes abençoadas pelo clero. A veneração do crucifixo simboliza o sacrifício de Jesus como sendo a salvação dos cristãos, um dos dogmas da igreja católica.

No Evangelho de João, a doutrina de Jesus representa uma parreira, e Deus o agricultor. Os cristãos seriam os ramos que dão bons frutos (15:1-3). É significativo, portanto, os Espíritos terem sugerido o ramo de parreira como figura do trabalho de Deus junto aos homens, completando a idéia de Jesus “Porás no cabeçalho do livro o ramo de parreira que te desenhamos, porque ele é o emblema do trabalho do Criador.

Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nele se encontram reunidos: o corpo é o ramo; o espírito é a seiva; a alma ou o espírito ligado à matéria é o bago. O homem purifica o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos”. Ou seja, a salvação se dá pelo esforço do individuo superar-se. O ramo de parreira é o símbolo que marca, na primeira página da primeira obra da Codificação (O Livro dos Espíritos, 1857), um anúncio da relação íntima entre Cristianismo e Espiritismo.

5- Existe diferença entre os ensinos de Jesus no Novo Testamento e os de Jesus nos Evangelhos Gnóstico?

Existe uma grande diferença. A gnose(conhecimento, em grego) representa um Cristianismo muito diferente daquele que vemos hoje com os católicos,protestantes, e ortodoxos. A configuração atual teve início no 2ºséculo com as disputas de poder ocorridas com a ascensão de um grupo determinado a criar uma hierarquia instituída, a abandonar dezenas de evangelhos, considerando-os apócrifos, e a rejeitar pontos de vista e grupos diversos como heréticos. Quando o imperador Constantino tornou o Cristianismo a religião oficial de Roma o clero ganhou suporte militar e os considerados heréticos passaram a receber a pena de morte. Os gnósticos que conservavam os ensinamentos originais de Jesus, considerados heréticos foram perseguidos e eliminados por completo.

Desde 1945, com a descoberta de 52 Evangelhos que estavam escondidos desde o 3ºséculo na cidade egípcia de Nag Hammadi, a doutrina dos gnósticos pôde ser novamente revelando uma incível proximidade com a visão espírita do Cristianismo. Segundo eles, o cristão se faz pelo auto-aperfeiçoamento no decorrer das reencarnações, adquirindo uma fé raciocinada. Por outro lado, os gnósticos negavam o resgate dos cristãos pelo sacrifício do Cristo, pelo batismo, culto e obediência ao clero. Pregavam sim, a liberdade, igualdade e fraternidade- um Cristianismo equivalente à Doutrina Espírita.

Antes dessa descoberta, porém, muitos sábios perceberam a deturpação do Cristianismo, como o grande escritor russo Tolstoi, que afirmou:”Por mais que nos possa parecer estranho, a nós que fomos educados na doutrina errônea da Igreja como instituição cristã e no desprezo pela heresia, exatamente o que foi chamado de heresia constituía-se o percorrer pelo caminho certo, isto é, no verdadeiro Cristianismo!”, conforme afirmou no seu livro O reino de Deus Está em Vós.

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