Comentários Pessoais...


Recentemente estava dando uma palestra e convidei os assistentes a uma reflexão: o quanto que temos por agradecer a Deus e nem percebemos... Exemplifiquei contando um fato que ocorreu quando vinhamos minha esposa, eu e meu filho, João Victor de 7 anos, que é muito comunicativo (fala pelos cotovelos), um dia caminhando e ele não parava de se comunicar (tagarelar mesmo!) e eu disse "menino, para um pouco!"

Na mesma hora veio na minha cabeça o seguinte pensamento "ele podia não falar..." e eu percebí o quanto que tinha que agradecer a Deus por ele haver dado a mim e a minha esposa uma tarefa tão fácil: Cuidar de um filho perfeito.

Ele pode falar, andar, sorrir, abraçar e tantas coisas que outras crianças não podem nesta encarnação... Ele entende e se comunica, ele respira perfeitamente, ele não tem problema no coração (que por sinal é do tamanho do mundo), e ele nos foi dado de presente para o ampararmos nestes anos de aprendizado na escola humana.

Hoje, agradeço a Deus todos os dias e noites por tantas coisas que nos dá e passam desapercebidas.

Mas mesmo para as pessoas que recebem a grande responsabilidade de acompanhar crianças especiais, que tem suas limitações (e quem não tem?), coloco abaixo uma mensagem especial, cheia de exemplos de amor e fé.


Filho-problema

Um dia desses conversava com os pais de um jovem portador de uma enfermidade
que o encarcerou numa cadeira de rodas, tornando-o dependente dos cuidados
dos familiares.
Quando tivemos o primeiro contato com a família, o garoto ainda era senhor
dos próprios passos, corria, jogava, brincava como qualquer criança.
Um dia surgiram alguns sintomas e os especialistas deram a triste notícia
aos pais: o agravamento era inevitável.
Mas o que impressiona naquela família, é a forma com que enfrenta a
situação.
O irmão mais novo é todo atenção e carinho. A irmã mais velha é a presença
constante do afeto.
A mãe é o eixo central que dá o tom do equilíbrio e instaura a disciplina. É
como uma flor a espalhar o perfume da ternura em notas de afago e firmeza.
O pai é a segurança, o grande amigão, o companheiro que assiste o futebol e
torce junto, embora para times diferentes.
O jovem tem dificuldades para pronunciar as palavras, mas tem um notável
senso de humor.
Não deixa passar as oportunidades de comentar, de forma jocosa, as pequenas
falhas do pai.
Quando o pai o esquece no banheiro, por longo tempo, ele diz que já está
acostumado, por isso tem sempre ao lado do vaso uma revista ou um livro de
sua preferência.
"Você não é o pai que eu desejo, mas é o pai que eu preciso", comenta de vez
em quando, com um sorriso maroto.
Um dia, uma vizinha perguntou à sua mãe: "É você que tem um filho-problema?"
E a mãe respondeu, sem hesitar: "Não, eu não tenho nenhum filho-problema."
Um dia, comentando esse episódio, essa mãe-ternura dizia:
"Não vejo em meu garoto um filho-problema. Ele é parte importante para a
alegria do nosso lar. Ensina-nos tantas coisas. É valioso tesouro que o
Criador nos emprestou.
Creio que filho-problema é aquele que provoca pranto e infelicita os pais...
É o filho criminoso, violento, que crava no coração dos pais o punhal do
desgosto, da ingratidão.
Filho-problema é o filho esbanjador, explorador de seus pais, corrupto e
corruptor, insensível, irresponsável.
Portanto, meu garoto não é um filho-problema, embora tenha sérias limitações
físicas."
* * *
Sem dúvida aquela mãe tem razão.
Existem pais e mães que carregam a pesada cruz construída por
filhos-problema.
Enquanto cuida, com desvelo e carinho, do seu tesouro imobilizado numa
cadeira de rodas, aquela mãe pensa nas outras mães que morrem aos poucos nas
madrugadas à espera de filhos indiferentes.
Propiciar bem-estar ao seu jovem-rapaz, fazer-lhe a higiene, alimentá-lo,
renunciar à profissão para se dedicar ao seu tesouro, não é problema nem
sofrimento para aquela amorável mãe.
No entanto, há outras mães que amargam seus filhos-problema, que não têm
nenhuma limitação física, mas cujos corações são de pedra.
Por tudo isso, é importante pensar a respeito do que seja realmente um
filho-problema.
E estejamos seguros de que as limitações físicas de um filho não são,
necessariamente, fonte de dificuldade para os pais, assim como a saúde
física não é garantia de felicidade.

Todo filho é empréstimo sagrado que o Criador concede aos pais para que seja
burilado com o cinzel do amor.
Quase sempre o filho rebelde é alguém que necessita de carinho e firmeza
para que possa reencontrar o caminho para Deus.
Assim sendo, não importa o quanto custe de sacrifício e esforço, o melhor
investimento que os pais podem fazer é devolver ao Genitor Celeste essas
jóias com mais brilho na alma.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita

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