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O material abaixo nos foi enviado pela amiga e colaboradora Ladjane Cunha, serve como mais um caso de estudo da reencarnação, mostrando que definitivamente a vida não termina quando acaba-se o corpo carnal. Boa leitura

UMA REENCARNAÇÃO

Alguém me deu a idéia de relatar um fato comigo sucedido e, na verdade, interessante para registrar em revistas espíritas como subsídio importante para o estudo das reencarnações.

Aos meus 21 anos, 1898, me casei com uma menina que muito amava. Durante seis meses nosso lar foi tranqüilo. Apesar das atitudes muito estranhas da minha mulher, cujo semblante eu raramente via um sorriso, nunca tive motivos para estar descontente.


Certa vez, instalou-se uma tempestade que muito me amargurou. Não me exaltei, julguei que se tratava de um forte ataque de nervos. No dia seguinte, uma cena terminou com as palavras que se seguem. Elas me aniquilaram. “Chegou a hora de ser franca! Casei-me contigo pela insistência contínua de minha mãe! Nunca te amei e foi contrariada que te recebi por marido”, disse-me minha esposa.

É de calcular a dor que senti! Não proferi uma palavra. Recalquei o profundo desgosto que sofria e voltei ao trabalho exaustivo que desempenhava. Minha mulher encerrou-se num mutismo absoluto e somente trocávamos palavras durante as recepções de visitas ou de pessoas da família. E assim íamos vivendo.

Eu estava no escritório despachando com o guarda-livros, quando recebi, por telefone, a seguinte notícia: minha mulher foi vítima de um terrível desastre e está sendo operada.

Durante dois meses, minha esposa esteve entre a vida e a morte. Visitava-a duas vezes por semana no seu quarto particular e telefonava diariamente para saber de seu estado. Confesso que perdera toda a afeição por ela.

Certo dia, ao mesmo tempo em que as lágrimas lhe corriam pelo rosto amargurado de dor, agarrou-me o braço e disse:“Perdão! No meu espírito se fez uma luz de razão. Reconheço que tenho sido injusta e cruel. Tens sido para mim dedicado e carinhoso desde que regressei ao nosso lar. Perdoa-me! Confesso que chegou o momento te dizer com lealdade: amo-te! Tens sido um marido que eu não merecia! Não quero morrer, nem te perder. Estou muito arrependida. Permita que eu com humildade, beije-te os lábios, de onde nunca saiu uma palavra pra me castigar!” Evidentemente, não recusei o perdão que me era solicitado. A abracei e a perdoei com todo o coração.

Durante o mês que lhe restou de vida, ela teve a mais terna dedicação. E nas últimas disposições, expôs quanto tinha sido radical a revolução de seu espírito. Morreu serenamente dizendo: “Morro quando ia amar-te com toda a devoção de minha alma! Adeus!”

Passado algum tempo, estava em meu leito, quando ouvi: “Vai hoje visitar o jazigo!”. Olhei ao redor. Não vi pessoa alguma no meu quarto e por mais duas vezes escutei a mesma frase. Almocei, peguei a chave do jazigo e fui ao cemitério. Entrei. Vi o caixão onde jazia o cadáver daquela que fora tudo na minha vida. Senti uma sonolência incrível. Instantes depois, começou a surgir a forma vaporosa de uma figura que pouco-a-pouco ia se condensando, até que ficou perfeitamente nítida. Era a minha falecida esposa. No seu porte gentil e elegante, curvou-se sobre mim. Senti o mesmo carinho que ela me fizera, momentos antes de morrer. “Perdoa-me! Breve voltarei para junto de ti!” Por três vezes esta frase foi dita e fiquei muito comovido. Como eu era espírita não estranhei o acontecido.

Uma noite, a vi no meu quarto. Estava sorridente e repetia: “Breve voltarei para ficar a teu lado! Adeus! Não! Não! Até a vista! “Nunca mais voltou. Passaram-se dez anos. Minha mãe insistia para me casar e eu resistia. Numa outra ocasião, eu estava no Jardim da Estrela, em Lisboa, contemplando um grupo de crianças que brincavam a pouca distância. Uma linda garotinha, que há três domingos me sorria, caiu desastradamente. Corri para levantá-la e ficamos grandes amigos. Naquela noite, uma reunião espírita familiar, recebi a seguinte comunicação: “Alegra-te! Aquela que foi tua mulher já está reencarnada. Espera mais sete anos e se casarás com ela”.


Contei o caso à minha mãe, que se limitou a dizer: “Seria mais prudente não acreditares nessas coisas! Aconselho-te a mudares de Estado”.

Passaram-se sete ou oito anos. Estando em Beja, Portugal, tratando de assuntos da minha casa, me recolhi ao hotel e me deitei tranqüilamente o que. O que sonhei eu? Uma entrevista com a linda garotinha, que me dizia: “Adeus, amiguinho! (Adeus? Grifo meu) Há anos que eu não te vejo! Espero-te no jardim onde me conheceste. Tenho muito o que falar com você”.

Intrigado, fui ao local indicado. E confesso, sem esperança de ver a menina. Qual não foi o meu espanto quando, junto ao portão defrontei-me com uma bela jovem. Tinha por volta de 18 anos. Ela largou o braço da senhora em que se apoiava e correu direto pra mim, exclamando: “Mamãe, Mamãe. Olhe ele aqui!”.

Era a mesma garotinha de outrora. Com grande surpresa da minha parte, ela me abraçou e disse: “Há quanto tempo não nos vemos! Que imenso prazer! Como estou alegre em vê-lo!”

A mãe estava inquieta e disse-me com um sorriso: “Há oito anos a minha filha só fala no senhor!”, e suspirou. A menina riu e disse, com ingenuidade: “É verdade! Sonho muitas vezes com o senhor! Parece que já o conheço há muito tempo! Desde meus 15 anos, só penso em casar contigo!”e assim foi.

Quando fui me reunir com ela no aposento nupcial, a encontrei falando em sonho: “Finalmente meu desejo se realizou! Verás como irei te amar! Lembras do nosso encontro no cemitério? Ah! Como eu sofri quando fui vítima daquele terrível acidente! Sei que padeceu muito por minha causa, querido! Disse que voltava para junto de ti e voltei!

A acordei com muito cuidado e ela disse: Onde já te vi antes de nos encontrarmos no jardim?”


No dia seguinte lhe contei tudo. Não se mostrou admirada e começou a contar fatos de sua vida anterior. Principalmente, sobre sua estadia no hospital. Tudo com detalhes nítidos e absolutamente exatos.

A levei para ver o jazigo da família. E entre os 5 caixões que lá estavam, apontou qual era o que continha os restos da que fora animada pelo seu espírito no passado. Assim se fez a identificação sem eu ter lhe dado a menor pista. Para comprovar ainda mais, ela dita frases que me garantem ser a sua reencarnação anterior, a da minha falecida esposa. “Quando morri da última vez, pedi perdão do muito que te fiz sofrer!”. “Agonizei numa cama muito larga. Pedi para me colocarem o vestido de casamento e deixarem no dedo a aliança”.

Também era verdade.

Para ler mais:
Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo 4.
Matéria extraída da Revista Universo Espírita

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