Viajando no túnel do tempo...



Se viajássemos no túnel do tempo e estivéssemos presentes no julgamento do
Mestre da Vida, provavelmente pertenceríamos a um dos oitos grupos:

1 – Grupo dos fariseus e dos demais homens do sinédrio que condenaram
Jesus, que não tinham coragem para questionar suas próprias verdades e
avaliar se o filho de Deus poderia estar travestido na pele de um
carpinteiro;

2 – Grupo dos fariseus que amavam Jesus, representados por Nicodemos, mas
que não tiveram ousadia para defende-lo pelo medo de também serem punidos;

3 – Grupo dos discípulos que o abandonaram, o deixaram a sós, que fugiram
desesperadamente quando ele se recusou a fazer qualquer milagre para se
safar do seu julgamento;

4 – Grupo dos que o negaram, representado por Pedro, que embora o amasse
intensamente e tivesse mais coragem que os demais discípulos, ainda era
frágil e inseguro, por isso negou toda a história que com ele viveu quando
o viu sendo torturado e espsncado;

5 – Grupo da população que não tinha opinião e nem convicções próprias e
por isso facilmente manipulada pelos que estavam no poder, os fariseus;

6 – Grupo dos políticos, representado por Pilatos, que o considerava
inocente, mas permitiu a sua tortura e mandou afligi-lo com açoites e, por
fim, para agradar uma minoria de líderes, lavou suas mãos para aliviar a
infidelidade à sua consciência e mandou crucifica-lo;

7 – Grupo de soldados manipulados pelo sistema religioso e político e que
foram agentes da sua tortura e crucificação, achando que prestavam serviços
aos seus líderes;

8 – Grupo das pessoas que encontraram um novo sentido de vida através de
suas palavras e que o amavam apaixonadamente, mas que estavam do lado de
fora da casa onde ele estava sendo julgado e esperavam ansiosamente o
desfecho final deste julgamento.


Reitero, a qual desses oito grupos pertenceríamos? Não havia ninguém ao
lado de Jesus. Todos os seus amigos o abandonaram. Se estivéssemos lá, será
que não o negaríamos como Pedro? Será que muitos de nós hoje que dizemos
amar profundamente Jesus e que estivéssemos na casa de Caifás não teríamos
nos silenciado ante aquele clima de terror que pairava sobre o Mestre da
Vida? Será que quando ele fazia seus milagres e inteligentes discursos não
estaríamos ao seu lado e depois quando preso não seríamos controlados pelo
medo?

Se viajássemos no túnel do tempo e estivéssemos presentes no julgamento de
Cristo, provavelmente nenhum de nós o defenderia. Poderíamos admira-lo, mas
os calaríamos, como Nicodemos. Nossa inteligência e capacidade de decisão
estariam travadas pelo medo. Hoje Jesus é famosíssimo e universalmente
amado ou, no mínimo, admirado. Naquela época, embora ele deixasse perplexos
todos os que o ouviam, estava escondido em um simples ser humano.

Hoje é fácil defendê-lo. Naquela época, quando ele resolveu não fazer
qualquer milagre de deixar de lado seus intrigantes discursos, era difícil
apóia-lo e dizer: “Estou aqui, ainda que todos te abandonem, não te
deixarei”. Na realidade, Pedro disse mais do que isso, mas falhou. O mais
forte dos discípulos, apesar de amá-lo intensamente, negou-o. Talvez
fizéssemos o mesmo. Era mais fácil abandona-lo, mas Ele nos compreenderia.

Os discípulos estavam chorando na noite do seu julgamento. Tiveram uma
longa noite de insônia. Estavam envergonhados e com sentimento de culpa de
ter deixado o seu amado Mestre no momento em mais precisava deles.
Entretanto, Jesus não cobrou nada deles. Ele os amou incondicionalmente.
Nós fazemos exgências altas para perdoar as pessoas, ele perdoou e amou sem
nenhuma exigência.


Autor: Augusto Cury
Trecho retirado do Capítulo X do livro
Análise da Inteligência de Cristo – O Mestre da Vida

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