O Sorriso de Marcela...


Marcela, a bebê anencéfala que, segundo a medicina tradicional, deveria estar morta há muito tempo, completa hoje um ano, dois meses e vinte e cinco dias de VIDA. Para a felicidade de sua mãe e família, que a definem como sendo "uma benção de Deus.

Leiam abaixo algumas reportagens sobre a pequena lutadora, símbolo de vida e de determinação, mas principalmente, da bondade divina que a todos nós ilumina com novas e eternas chances de aprendizado.


A menina Marcela, anencéfala de Patrocínio Paulista, nascida a 20/11/2006 desafia aqueles que afirmam que uma criança com anencefalia não sobrevive mais que alguns minutos ou horas.

Marcela, ao contrário do que afirma a repórter da revista Veja, reage ao toque da mãe. Com sua mãozinha, ela agarra os dedos de sua mãe. Ela se assusta com o som de alguma coisa que cai, reage à luz dos refletores trazidos pelos fotógrafos, grita de dor quando sente cólica, fica triste, faz beicinho, chora. Quando não gosta de um alimento, ela cospe, não engole. Reconhece a voz da mãe. “Quando sou eu que falo com ela, ela fica quietinha”. Diz Dona Cacilda sua mãe.

Com cerca de 12 quilos e 62 centímetros, Marcela, é uma menina gordinha. Alimenta-se não só de leite NAN 2 , mas também das papinhas que a mãe prepara. Por exemplo: arroz, feijão e carne batidos no liquidificador.

A mãe se surpreende com ela a cada minuto que passa. “Ela está aprendendo até a conversar comigo. Ela fala ‘é...’, ‘mã...’.

Mas a reação mais impressionante de Marcela é o sorriso.

Ela não apenas ri muito, mas chega a dar gargalhadas quando a mãe lhe faz cócegas. O riso – privilégio da espécie humana – não está ausente em Marcela, que é humana como qualquer um de nós.

Pode um anencéfalo ter consciência? Devido a um fenômeno chamado neuroplasticidade, os neurônios são capazes de assumir funções de células vizinhas que foram lesadas. No anencéfalo, o córtex cerebral está ausente, mas está presente o tronco cerebral e o cerebelo. Referindo-se ao anencéfalo, assim se pronuncia o Comitê Nacional para a Bioética do governo italiano: ... a neuroplasticidade do tronco poderia ser suficiente para garantir ao anencéfalo, pelo menos, nas formas menos graves, uma certa primitiva possibilidade de consciência”. E prossegue com esta importante conclusão:

“Deveria, portanto, ser rejeitado o argumento de que o anencéfalo, enquanto privado dos hemisférios cerebrais, não está em condições, por definição, de ter consciência e provar sofrimentos”. Em 08 de setembro de 2004, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou uma Resolução que permitia arrancar os órgãos de recém-nascidos anencéfalos para fins de transplante mesmo antes de eles estarem mortos, ou seja, com o tronco cerebral ainda funcionando! (grifo nosso)”.

Essa resolução confirmou o Parecer n. 24, de 9 de maio de 2003, do conselheiro Marco Antonio Becker, que trazia a seguinte recomendação: “uma vez autorizado formalmente pelos pais, o médico poderá proceder ao transplante de órgãos do anencéfalo após a sua expulsão ou retirada do útero materno, dada a incompatibilidade vital que o ente apresenta, por não possuir a parte nobre e vital do cérebro, tratando-se de processo irreversível, mesmo que o tronco cerebral esteja temporariamente funcionante (grifo nosso)”.

Essa MONSTRUOSIDADE foi revogada pela Portaria n. 487, de 2 de março de 2007, do Ministro da Saúde José Agenor Álvares da Silva. Segundo essa portaria, “a retirada de órgãos e/ou tecidos de neonato anencéfalo para fins de transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de parada cardíaca irreversível” (art. 1°). Ou seja, será necessário que o coração pare definitivamente de bater, para só depois iniciar a remoção de órgãos. Essa portaria, graças a Deus, reconhece o “status” de ente humano vivo do bebê anencéfalo. Fica assim mais difícil para os Ministros do Supremo Tribunal Federal acatar o pedido da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 (ADPF 54), de liberar o aborto de anencéfalos. Mais difícil ainda enquanto a menina Marcela estiver viva e dando gargalhadas...

“EU ME SINTO PRIVILEGIADA POR DEUS TER-ME ESCOLHIDO PARA CUIDAR DE UM ANJINHO COMO MARCELA”

Deus nos manda seus recados por vias que fogem ao entendimento humano.

CAMINHOS - O desafio de Marcela
Orlando Mello

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Perto de completar um ano, na próxima terça, Marcela de Jesus Galante Ferreira é um bebê gordinho que ouve, sorri, reage à luz, senta-se normalmente, emite sons --"gú", "dá", "mã"-- e tenta ficar em pé. Mas a menina está longe de ser um bebê normal.

A pediatra Márcia Beani, que a acompanha desde o nascimento, afirma que a menina é anencéfala devido à ausência total de cérebro, que foi confirmada por exame de ressonância magnética feito na última terça-feira. Especialistas em neurologia, no entanto, questionam o diagnóstico de anencefalia devido às atividades do bebê, embora não tenham examinado a criança. Por outro lado, grupos religiosos usam o caso de Marcela como símbolo anti-aborto, já que a Justiça permite a prática quando é diagnosticada a anencefalia.

Normalmente, bebês nesse estado morrem poucas horas após nascer. A lavradora Cacilda Galante Ferreira sabia disso, mas manteve a gravidez.

Segundo a pediatra, a ressonância magnética mostrou que Marcela tem todo o conduto auditivo formado e perfeito.

Apesar de toda a polêmica envolvendo o bebê, a pediatra reafirma que o caso de Marcela é comprovadamente uma anencefalia. "Marcela é anencéfala. O diagnóstico nunca mudou", ressalta.

Acima do peso

A evolução de Marcela surpreende médicos e a família. No início, a bebê teve três resfriados, convulsão e febre e chegou a receber uma transfusão para combater a anemia. Hoje, está "gorda": pesa em torno de 12 kg, acima do esperado para um bebê de sua idade.

"Olha só as dobrinhas do braço, ó o meu barrigão", brinca Cacilda, com a filha sentada na cama. A todo momento a menina se mexe e ergue o corpo para ficar em pé.

Por causa do sobrepeso, a médica diminuiu a quantidade de leite e papinha de legumes batida, introduzidos por uma sonda. Mas parte da papinha é dada na colher. Desde que teve alta do hospital, em abril, a família tenta fazer com que Marcela leve uma vida normal. Hoje, depende cada vez menos do capacete de oxigênio: fica até 12 horas fora do aparelho.

JULIANA COISSI
da Folha Ribeirão, em Patrocínio Paulista

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