O Caso Isabela...


Queridos amigos, bom Dia!

A despeito de tantas coisas que estão rondando a possível resolução deste caso da garota Isabela que no último dia 29 de março foi jogada da janela de seu prédio, me sentí no dever de realizar algumas colocações aqui, no nosso espaço, de forma a esclarecer, dentro de meu ponto de vista, alguns fatos.

Ressalto, antes de tudo, que esta é a MINHA opinição PESSOAL, e não da Doutrina Espírita, pela qual não posso responder e nem tenho autoridade para tanto.

1) O fato da garota haver sido tratada de forma tão brutal e jogada pela janela são, indiscutivelmente, fatos criminosos que não deveriam ter lugar em uma sociedade dita Civilizada. Porém, o fato dos indícios apontarem para o pai da mesma, não quer dizer que ele EFETIVAMENTE seja o culpado, pois até a lei dos homens diz que "todos são inocentes até que se prove o contrário".

2) Não, eu não estou defendendo o pai da garota. Apenas não estou utilizando um conceito pré-concebido e JULGANDO o cidadão. Até porque o Mestre de Nazaré nos ensinou que com a mesma medida que julgarmos seremos julgados. Desta forma, sou contra a posição de algumas pessoas que desejam realizar "justiça" linchando, matando ou fazendo com ele a mesma coisa que a garota sofreu. Isso não é justiça, isso é vingança.

3) Este desejo de vingança e esta imaturidade em fazer julgamentos infelizmente ainda são naturais em nosso atual estágio de desenvolvimento, porém devemos lutar contra estas inclinações e utilizar a razão para gerir nossos atos e decisões. Assim perceberíamos que melhor que matar o culpado será encarcerá-lo em um local onde possa passar vários anos pensando e acompanhado por pessoas que buscarão corrigí-lo, e não supliciá-lo. Infelizmente, o nosso tipo de sistema penal ainda é Punitivo e não Corretivo, o que normalmente faz com que as pessoas saiam dele piores do que entraram, mas esta é outra discussão.

4) O fato de um culpado ter um acompanhamento, seja ele psicológico ou religioso, dá a ele muito mais chances de fazer brotar uma consciência, por mínima que seja, e este lampejo de sanidade pode ser a alavanca que iniciará o processo de reestruturação de um delinquente. Não é isso que todos desejamos: A reforma íntima? Então devemos dar aos criminosos também este direito. Ao final de tudo, se tivermos dúvidas, perguntemos a Jesus o que ele faria em uma situação dessas.

5) Independente de toda a parafernália jornalística e social que se tem sobre este caso não devemos esquecer que, à Luz da Doutrina Espírita, temos aí mais um caso de causa e efeito; ou de carma, como preferem alguns. Com certeza a família que hoje sofre esta tragédia num passado recente ou remoto já passou por algo parecido. Provavelmente um dos envolvidos já havia, em outra existência, prejudicado o outro de alguma forma também violenta e brutal; e nos esclarece a espiritualidade que receberam a Dádiva de uma segunda (ou terceira ou quarta) chance para quebrar o círculo de ódio e vingança que provavelmente os vem marcando há algum tempo. Infelizmente, mais uma vez os sentimentos inferiores venceram a batalha, mas não a guerra. Num futuro próximo estarão os atores de volta ao palco para mais uma oportunidade. Esta é a nossa determinação: buscarmos a perfeição.

6) Lembro ainda que uma vez que acreditemos em Deus e em seu supremo amor, sabedoria e, principalmente, justiça, não devemos crer que este caso seja um erro da vida ou uma injustiça. Todos nós temos um pretérito de violência e brutalidade do qual não nos lembramos e ao qual prestamos contas hoje e, quem sabe, ainda depois. Assim, as crianças que vemos hoje como símbolos de inocência e pureza, também são espíritos milenares que trazem em sí as marcas do passado que precisam ser expurgadas através da colheita de dor e sofrimento, uma vez que semeamos ódio e violência.

7) Para finalizar, gostaria de lembrar como já fiz outra vez, que este se apresenta apenas como mais um caso trágico dos tantos que acontecem todos os dias em São Paulo, ou no Brasil, ou no Mundo. Apenas a cobertura da mídia faz com que tenhamos tão grande repugnancia pelo fato, hoje conhecido internacionalmente. Mas, nos agrestes e sertões desconhecidos crianças são mortas ou maltratadas diariamente e não fazemos nada a respeito. Não sabemos e nem procuramos saber. Utilizemos este caso como um exemplo que deve ser evitado e procuremos fazer algo no bem ainda hoje. o mínimo que fizermos já será de grande valia para alguém.

Deixo abaixo a transcrição da mensagem do capítulo 11 ponto 14 de "O Evangelho segundo o Espiritismo":

Caridade para com os criminosos
14. A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua doutrina. Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.

Não julgueis, oh! não julgueis absolutamente, meus caros amigos, porquanto o juízo
que proferirdes ainda mais severamente vos será aplicado e precisais de indulgência para os pecados em que sem cessar incorreis. Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deusde pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?

A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas
palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo.

Estão próximos os tempos, repito-o, em que nesse planeta reinará a grande fraternidade, em que os homens obedecerão à lei do Cristo, lei que será freio e esperança e conduzirá as almas às moradas ditosas. Amai-vos, pois, como filhos do mesmo Pai; não estabeleçais diferenças entre os outros infelizes, porquanto quer Deus que todos sejam iguais; a ninguém desprezeis. Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.

Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade.
Não vos cabe dizer de um criminoso: é um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte que lhe infligem." Não, não é assim que vos compete falar. Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra. Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé. É tanto vosso próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e orai por ele.

Elisabeth de França. (Havre, 1862)


Muita Paz

Um comentário:

Dante disse...

Olá!
Muito interessante o texto e toda sua colocação. O trecho do livro retrata realmente como o Sr Jesus comportar-se-ia em tal questão.
É interessante como muitas vezes pensamos seguir tal doutrina ou filosofia, mas na hora do acontecimento, "perdemos as chances de evoluir e aprender com o acontecido".
Entendo, ou ao menos tento, a visão do espiritismo em relação aos criminosos, mas penso muito como isso é ou pode ser uma "bola-de-neve", encarnações e mais reencarnações de um ser purgando outro ser, ou ocasições e acontecimentos purgando um ser, que por sua vez também poderá revoltar-se.
Meu desejo é que nesta vida nós seres nos entendessemos, nao necessitando tais acontecimentos purgantes.
Gentileza gera gentileza. Quão bom será quando mais e mais pessoas entenderem isto.

Muita paz para todos nós e foi um prazer conhecer o vosso blog.

Do amigo; Dante

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