Julgamentos...


Não presumas do dia de amanhã, por que não sabes o que produzirá o dia.
(Provérbio 27- v.1)


JULGAMENTOS

Havia numa aldeia, um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco... Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia: "Este cavalo não é apenas um animal para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?". O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.


Numa manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu e todos disseram: "Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!"

O velho disse serenamente: "Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma bênção, não sei, porque este é apenas um julgamento. Quem pode saber o que vai se seguir?"

As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco louco. Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.

Novamente, as pessoas se reuniram e disseram: "Velho, você estava certo! Não se trata de uma desgraça, na verdade, provou ser uma bênção". O velho disse: "Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta... quem sabe se é uma bênção ou não? Este fato é apenas um fragmento. Você lê apenas uma única palavra de uma sentença, como pode julgar todo o livro?!"

Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas, interiormente, sabiam que ele estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo...

O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma única semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as duas pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez, julgaram. Elas disseram: "Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e, na sua velhice, ele era o seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca".

O velho disse impassível: "Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado, pois é dela a incerteza que nos protege do passado conhecido e nos abre o desconhecido sempre fértil para novas e mais elevadas manifestações!".

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois recuperava-se das fraturas. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas, então, foram até o velho e disseram-lhe: "Você tinha razão, velho. Aquilo se revelou uma bênção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se para sempre".


O velho disse, impassível: "Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas somente Deus sabe se isso é uma bênção ou uma desgraça". E é nesta confiança em Deus que todos os eventos se transformam em bênçãos... Parem então de julgar e comecem a confiar!


desconheço autoria

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