A História de Marcos...


Capítulo 2

Um novo dia.


O dia amanhece e Marcos desperta bem mais calmo e tranqüilo. Sentindo-se bem se espreguiça longamente com um sorriso no rosto e deixa sair uma expressão:
- Eita sono bom, cara! Devia ser assim todo dia.

Animado se levanta e cantarola enquanto troca de roupas, coloca uma calça e camisa depois arruma suas coisas para ir à escola. Lembra que mais tarde irá para uma rave e então decide colocar uma roupa mais legal – Cadê aquela camisa nova? – pensa ele enquanto procura embaixo da cama, sobre as prateleiras e em outros locais pouco prováveis. Finalmente a encontra embaixo de seu travesseiro, bem amassada, e a coloca assim mesmo.

Sai do quarto apressado e desce as escadas alegre gritando:
- Mãe? To morrendo de fome, o que é que tem para comer? – recebe apenas o silêncio de resposta – Mãããeee? Cadê você???? Desencarnou foi??? – brinca o garoto.

De repente percebe um papel em cima da mesa, é um bilhete de sua mãe. Nele está escrito:
- Querido, precisei sair mais cedo e vou direto trabalhar. Tem comida para você na geladeira, não esqueça de esquentar. – Marcos pensou: como é que ela sabe que eu como sem esquentar? Poxa, ela sabe tudo cara! – Quando sair do trabalho vou direto para o centro, e aí vamos comigo? Se você for me liga que eu te pego na escola. Se cuida e vê se toma juízo. Amo você. Mamãe.

Marcos pensou em voz alta – Ah, eu vou muito! Quem mais vai sou eu Dona Maria. É ruim heim? Eu vou é curtir na rave, beber, dançar e me divertir. É isso que eu vou fazer.

Após comer rapidamente o sanduíche e tomar o suco Marcos apanha sua bolsa e sai de casa em direção à escola.

-

Sua escola ficava em um local próximo de sua casa e ele podia ir andando até lá. Era uma escola antiga, tradicional e bem conceituada. Embora fosse um pouco cara de se pagar a sua mãe não fazia questão; - é o melhor que eu posso fazer por você, Marcos – Dizia ela – é te dar uma boa educação para você crescer e ter boas oportunidades.

Consciente da situação de sua mãe, que trabalhava bastante e se esforçava para dar a ele uma vida digna, Marcos sempre fez por onde ser um dos melhores de sua turma: boas notas, bom comportamento, bons amigos, cursos extra-curriculares e muito estudo. Recentemente, porém, sua disposição para o estudo havia diminuído bastante, o que afetou diretamente o seu rendimento e seus professores estavam começando a cobrar dele.

Não precisavam perguntar nada, a causa estava explicita e transparente para quem quisesse ver, até Marcos já sabia o que era: seus novos amigos Antônio e Bodão.

Antônio era do tipo filho de pai rico que não quer estudar porque o pai tem de tudo e não precisa se preocupar em trabalhar; repetente já há vários anos na mesma série, era sempre o primeiro a bagunçar e o último a ajudar. Se sentia o líder da turma, mais pela imposição de seu tamanho e idade do que por real capacidade, mas, afinal, qual dos alunos iria querer discutir com ele e terminar espancado?

Bodão era amigo de Antônio há muitos anos. E, mesmo em uma sala mais adiantada, não deixava a companhia do amigo nos intervalos e nas aulas que matavam para se divertir. Mesmo agitando muito na escola ele não deixava de estudar um pouco para passar na recuperação do final do ano. No início da amizade ele via Antônio como seu protetor e, depois, acabou se acostumando a idéia de seguir pela cabeça do outro, sem ter que se preocupar com as responsabilidades, sempre foi mais fácil dizer “mas Antônio mandou...”.

Ao entrar na Escola Marcos vai se aproximando da sala quando recebe um leve tapa nas costas e escuta:
- E aí Marquito? Beleza? Como é, ta dentro ou fora do rolo de hoje a tarde? – Era Antônio acompanhado de Bodão.
- To dentro cara. To dentro. Mas já pedi pra não me chamar de “Marquito”. Eu não Gosto. – respondeu com veemência.
- Porque mermão? Que tem de mais nisso? É só um apelido carinhoso, bicho. – argumentou Bodão com ironia
- Eu já falei cara: Era assim que meu avô me chamava e eu não quero ninguém mais me chamando assim, falou? Se não tiver legal arranjem outro para ficar com vocês que eu to fora! – Respondeu irritado
- Olhaí Bodão... Senti firmeza no cara. – falou Antônio – fica frio cara, a gente não fala mais não. Você é nosso mano, mermão. Você agora é só Marco, então, porque esse negócio de Marcos é muito complicado
- É isso aí – concordou Bodão – Olha Marco qual a aula que tu tem hoje bicho? Que tal a gente ir dar umas bandas fora daqui?
- Cara, hoje eu não posso mesmo. – Respondeu Marcos – porque fui mal na prova de matemática e hoje tenho que assistir aula de verdade pra ver se recupero. Não quero deixar minha mãe mais chateada.
- Ih, Bodão, o cara é o filhinho da mamãe, ta vendo? – disse Antônio ironizando enquanto se afastava puxando Bodão pela camisa – Ta Legal Marco, mas não esquece da festa mais tarde, ok?
- Certo, certo, depois do almoço a gente se manda – concordou o garoto enquanto ia entrando apressado na sala de aula.

A sala de Marcos era formada por jovens de sua faixa etária, garotos e garotas, que esbanjavam alegria e jovialidade. Correndo os olhos rapidamente pela sala Marcos avistou Bianca, uma jovem com quem ele vinha crescendo desde os tempos de criança, sempre participando da mesma sala, freqüentando os mesmos grupos e desta convivência sadia surgiu uma amizade profunda e sincera, que, com a chegada da adolescência, veio se transformando em algo maior.

Sem que ambos percebessem eles passaram a ficar mais tempo juntos e a dividir as experiências da passagem da infância à juventude. Conversavam muito e discutiam todos os assuntos com muita franqueza e clareza de pensamentos, pois apesar da pouca idade tinham internamente um senso intelectual muito apurado.

Marcos a viu de longe, acenou para ela e disfarçadamente se afastou e foi sentar do outro lado da sala. Havia algum tempo que ele estava evitando se encontrar com Bianca. Desde que encontrou seus novos amigos sentia, de alguma forma, que deveria se afastar dela; talvez sem perceber estivesse tentando defendê-la das diversas implicações que seu novo comportamento poderia trazer ou talvez estivesse apenas querendo se afastar de tudo que o lembrasse a felicidade ao lado do avô, quem sabe? O que realmente corroia o coração de Marcos era que mesmo afastando-se de Bianca ele não deixava de sentir um profundo carinho pela Jovem; e que desejava muito estar novamente com ela e conversar como antigamente, sem se preocupar com o tempo.

Aproximando-se de Marcos um jovem o tira rapidamente de suas divagações com um cumprimento amistoso:

- E aí Marcos? Quanto tempo a gente não se fala. Como está você? – Era Mateus.
- Estou bem Mateus, tudo certo. – Respondeu Marcos tentando encerrar a conversa. Sabia que Mateus iria tentar conversar muito com ele sobre sua situação. Ele era Espírita também e freqüentava o mesmo centro que Marcos e sua família; Participava junto com Marcos do Grupo da Juventude Espírita e, com certeza, vinha perguntar porque Marcos não estava mais indo para o centro.
- Cadê você Marcos? O pessoal da Juventude está com muita saudade.
- É, cara, sabe como é, tenho andado meio sem tempo; depois do lance com meu avô... tive que resolver umas coisas... ajeitar uns negócios lá em casa... – respondeu hesitante.
- Eu entendo, Marcos. Eu entendo. – Disse Mateus – Foi assim comigo também quando perdi meu irmão lembra?
- Não, cara. Com você foi diferente. Você me disse que viu seu irmão várias vezes e que ele falou com você e tal... eu nem isso posso dizer. Do meu avô nada. Cadê esse Centro Espírita que não me ajudou?
- Calma Marcos, você sabe que não é por aí. Eu vi o meu irmão sim, mas é porque eu sou médium e você sabe disso; mesmo assim não vejo quando eu quero não. Ele me aparece quando é necessário e permitido pela Espiritualidade superior. E só me aparece no Centro, que é o local certo para isso, Marcos.
- Eu sei - Argumentou Marcos
- Mediunidade é coisa séria, Marcos, e não é do jeito que a gente quer não. Os médiuns somente podem ser instrumentos dos espíritos que queiram dar comunicação. Não acontece quando nós queremos. Infelizmente tem pessoas que servem de instrumento mediúnico para determinados espíritos que somente desejam brincar ou prejudicar os outros; mas acho que você se lembra ainda que Kardec classifica mediunidade como uma faculdade que deve ser exercida da maneira mais correta e coerente com os ensinamentos de Jesus.
- É, Mateus, eu lembro sim. – disse Marcos pensativo.
- Outra coisa: A ajuda do centro não é dar mensagem ou comunicação quando a gente quer não. É nos conscientizar e preparar para enfrentar a separação dos entes queridos; é nos mostrar o que existe do outro lado e que a vida continua depois da morte do corpo físico.
- É cara, eu sei. Eu sei. É que tenho andado muito perdido ultimamente.
- É exatamente por isso que eu vim falar com você, Marcos. Eu percebi o quando você se afastou de mim, da Bianca, e de todos que se preocupam com você. Você agora só anda com aqueles caras, mas você deve tomar cuidado, Marcos, com o que essas amizades estão trazendo para você.
- Ih, meu, até parece minha mãe falando...
- Não, Marcos, Não sou sua mãe... mas sou seu amigo! E por isso mesmo me importo com você, cara. – Respondeu Mateus com firmeza – E estou vendo que você vai se dar mal se continuar neste caminho. Será que depois de tanto tempo estudando o Espiritismo você não percebe isso?
- Ah, Mateus, não começa você também não, cara. Já basta a encheção de saco lá em casa.
- Não Marcos, não basta. E em nome de nossa amizade eu vou tentar fazer o que puder para você melhorar, está ouvindo?

Antes que Marcos pudesse responder o professor entrou na sala e todos tomaram os seus lugares sem terminarem a conversa; porém Mateus se mostrou irredutível em face à questão de tentar dissuadir Marcos de sua mudança de rumo; Marcos por sua vez percebeu que o amigo não iria “largar do seu pé” enquanto não falasse tudo o que desejava. Apesar de toda a agitação anterior, a aula correu tranqüilamente e ao final da manhã, mesmo antes de terminar o horário, Antônio e Bodão apareceram na porta da sala, já chamando Marcos para poderem ir à rave.

Marcos estava se arrumando para partir quando Mateus se aproxima dele e pergunta:
- Já vai sair com seus amigos de novo, Marcos?
- Vou Mateus, vou... – disse tentando se livrar do amigo – vamos para uma rave – disse Marcos na esperança que Mateus largasse de seu pé o mais rápido possível
- Rave? É aquela festa que vai acontecer hoje à tarde? Aquela que dizem que vai começar de meio-dia e terminar de meia-noite? – Perguntou Mateus preocupado – Você não pode ir Marcos. Isto é perigoso.
- Pronto! – disse Marcos – Agora você quer mandar em mim.
- Deixa de pensar que todo mundo quer mandar em você Marcos.Só porque você tem problemas não quer dizer que você é o centro do mundo. Cada um de nós tem uma responsabilidade única e quando nos esquecemos dela começamos a tomar atitudes erradas, inconseqüentes até. Eu sou seu amigo, cara, e como seu amigo não posso deixar você se prejudicar cada vez mais. Eu vou com você pra essa festa.
- Como é que é? Você ta doido! Os caras não vão deixar não. Nada disso.
- E desde quando você só faz o que “os caras” mandam? E outra coisa: como vocês vão para essa festa?
- De ônibus, claro!
- Melhor ainda, eu estou de carro. Eu levo vocês e fico com vocês lá até seis da noite, porque depois tenho reunião no centro. E aí vocês voltam comigo também. E aí? Aceita? – Marcos ficou tentado com a idéia de ir de carro, seria uma oportunidade de economizar algum dinheiro e de impressionar o pessoal que estivesse na rave.
- Vou falar com os caras e ver o que eles dizem, ok? Me espera aqui. – E se dirige para a porta, onde estão Antônio e Bodão. – e aí caras, tudo certo?
- Beleza Marco – responde Antônio – Vamo nessa?
- Cara, é o seguinte: o Mateus disse que quer ir com a gente.
- Comequié? – Espantou-se Bodão?
- O que é que aquele babaca ta querendo Marco? – Interrogou Antônio – Aquele cara nunca gostou da gente e eu nunca fui com a cara dele...
- Calma cara! – Disse Marcos – O cara tá de carro e chamou a gente pra ir com ele. Imagina a cara da turma na rave quando vir a gente chegando de carro? E o carro do Mateus é fera.
- De carro? - Disse Antônio já com muito interesse – E eu achei que o babaca só andasse de bicicleta. Vou lá falar com ele. – E se dirigiu para perto de Mateus.
- Diz aê gente boa! – Disse Antônio colocando o braço sobre o ombro de Mateus – To sabendo que tu quer levar a gente pra festa, e tamos nessa, bicho.
- É levo sim, agora já vou avisando que se quiserem voltar comigo eu saio de lá as seis horas. Quem não quiser voltar fica para vir de ônibus ou a pé.
- Fica frio, bicho. A gente voltamo com você sim. É, sempre achei você um cara legal, mermão. – Disse com um sorriso irônico nos lábios, enquanto todos se dirigiam para a saída da escola.

-

Quente! Era assim que estava aquela tarde. E isso não parecia incomodar em nada os jovens que se encontravam na rave para onde Marcos e os seus amigos foram.

Para quem nunca havia visto a festa parecia um pandemônio de algumas centenas de pessoas alucinadas pulando, gritando, bebendo e fumando sem ordem ou organização. Para os que se aproximavam da enorme tenda armada em um terreno baldio, longe do centro da cidade e das áreas residências, cercada por alambrados de madeira e arame, era comum sentir a vibração do som pulsando no chão, objetos e em seus próprios corpos, como se fosse uma incitação à dança e a agitação.

No centro da tenda podia ser visto um palco onde se encontravam mesas de som, computadores e vários outros aparelhos utilizados para controlar, produzir e gerenciar desde as luzes, que piscavam freneticamente, às músicas que eram ouvidas pelos jovens; As cinco caixas de som, espalhadas em circulo pelas laterais da grande tenda eram imensas, unidas em conjuntos do tamanho de um carro, e faziam um barulho ensurdecedor para quem se aproximasse delas, o que não perturbava em nenhum momento àqueles jovens que ali se encontravam, e inclusive iam cada vez mais para perto do som, como que querendo sentir suas vibrações.

No ar o odor de suor se misturava ao da bebida e ao do fumo criando um ambiente incômodo para os que não estavam acostumados a este tipo de recinto, Marcos, porém, parecia estar bem ambientado e logo chegando ao local foi falando com alguns dos participantes, batendo e apertando mãos, juntamente com os dois amigos Antônio e Bodão.

Mateus, que não tinha o hábito de freqüentar aquelas festas, achava tudo muito estranho e diferente, sentindo-se realmente incomodado com o barulho, os odores, etc. Aproximou-se de Marcos e falou:
- Marcos, veja lá se não faz nenhuma bobagem, ok?
- Hein? – disse Marcos – Fala mais alto, cara, eu não estou ouvindo!
- Vê se não bebe muito. – gritou Mateus – Cuidado para não exagerar.
- Ah, tá. Tá. Pode ficar tranqüilo. – Disse o garoto e saiu pulando e se jogando com os outros amigos para o meio da “galera”, como eles mesmos chamavam.

Durante algumas horas Mateus permaneceu observando a todos ali e mais atentamente a Marcos, que parecia fascinado com aquele mundo. Percebeu que os amigos Antônio e Bodão exerciam sobre ele uma influência muito grande.

Após algum tempo os dois se afastaram um pouco de Marcos e isso deu a Mateus a oportunidade de ir mais para próximo ao amigo. Porém, mesmo com a presença de Mateus ao seu lado, durante todo o tempo que estiveram na festa, ao final Marcos estava bastante embriagado.

- Vamos Marcos, já está na hora de irmos embora. – Disse Mateus puxando o amigo pelo braço.
- Experaí, cara. – Disse Marcos com um sotaque arrastado pelo efeito da bebida – Vamo xamá Antonho i Bodão que eles vão com a genti. Ei!!! – gritou alertando os outros dois – Vem, tá na hora! – E ambos atenderam ao chamado cambaleando e se apoiando um no outro.

Mateus não pôde deixar de pensar que, o que quer que aqueles dois tivessem tomado, não era somente bebida, pois eles pareciam como que aéreos, alheios a tudo à sua volta.

Entraram no carro e os dois amigos de Marcos, no banco de trás, logo caíram em um sono pesado, o que para Mateus pareceu menos mal. Apenas Marcos, sentado no banco da frente com Mateus, ainda estava acordado e bastante conversador.

Mateus pensou em aproveitar o caminho de volta à cidade para tentar extrair de Marcos o que estava realmente acontecendo e, quem sabe, mesmo sob o efeito do álcool ele pudesse colocar um pouco de juízo na cabeça de Marcos.

- E aí Marcos, onde vamos deixar os seus amigos – Perguntou Mateus,
- A xente leva elex para casa do Antonho, que é perto da Excola, xerto?
- Ok, então. Vamos levá-los para lá e depois você vai para sua casa, não é?
- Ixo, Ixo, eu tô um bagaxo. Vou pra casa durmi, que amanhã tem maix.
- É, pelo visto você aproveitou bem a festa?
- Max claro que xim. Dancei, pulei, farrei...
- Bebeu! – Interrompeu Mateus.
- Bebi Xim, iaê? Qual o ploblema? – respondeu irritado.
- Comigo nenhum. Agora, mais tarde, talvez você venha a perceber o problema, só espero que não vá ser tarde demais, não é?
- Num vem me enxer com exe papinho expírita não! Eu já não güento maix ixo. – retrucou Marcos com ênfase, sentindo dentro dele despertar de repente uma imensa vontade de retornar para a festa. – E qué sabê maix? Vô voltá pra fexta. Pára o carro!
- Não Marcos, que idéia maluca. A gente vai levar os meninos pra casa do Antônio e depois você vai pra casa, lembra? – Argumentou Mateus percebendo que havia alguma coisa errada com Marcos. – Fica calmo que a gente vai pra casa agora, não é?
- Que pra casa que nada, a gente vai é pra fexta! – Disse Marcos e imediatamente puxou o volante das mãos de Mateus que, surpreendido pela rapidez do acontecimento, não teve reação.

A atitude irrefletida de Marcos fez com que o carro perdesse a direção e rodasse para o lado esquerdo, chocando-se contra o meio fio de capotando algumas vezes pela rua até parar em um canto no meio da estrada, todo quebrado e amassado e com três dos quatro jovens dentro.

Na estrada escura e deserta, ainda longe da cidade e também longe do movimento da festa, era possível perceber no asfalto, do lado de fora do veículo, um corpo jogado no solo inerte em meio a uma poça de sangue , sem reação, sem respiração, era Mateus.

Dentro do veículo, na parte traseira, mais duas formas caídas, misturadas com os vidros e metal retorcido, jazem inertes apresentando fraturas e escoriações no tórax e principalmente na cabeça; Bodão apresentava convulsões, seu corpo tremia e se retorcia em espasmos arritmados; Antônio, porém, não apresentava qualquer reação, seu tórax estático mostrava que não havia mais atividade cardíaca ou pulmonar.

Marcos encontrava-se espremido entre o banco que estava sentado e o teto do carro, que agora tocava o chão. De olhos entreabertos e sentindo uma dor lacinante a cada respiração forçada, ele ainda teve tempo de olhar ao redor e verificar o que havia acontecido, com uma consciência que não sabia se onde viera. Sentia muito frio e não conseguia mover os braços, os olhos tinham dificuldade de se manter abertos. Sentia-se muito cansado, já não agüentava mais lutar pra manter-se desperto, Seu peito doia muito, já não conseguia respirar com facilidade, fechou os olhos e deixou a escuridão chegar.

(continua na próxima semana)

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