Dia de festa...


Queridos amigos,

acredito que não seja novidade para ninguém que trabalhamos com um pequeno grupo de crianças em nossa evangelização infantil, na cidade de Palmares - PE.

E neste último domingo (26/10) realizamos a festa em comemoração ao dia da criança (tá certo, tá certo, eu sei que está atrasado), e foi ótima. Com direito a bolo, docinho, cachorro quente, sacolinhas, brindes, presentes e muita brincadeira.

Gostaria de aqui agradecer a todos que colaboraram com esta festa de muita alegria para as crianças, como poderão verificar nas fotos abaixo.

Abraços para todos


























































Mensagens em imagens...



"NO mundo existe mais fome de amor e de apreciação do que de pão."
Teresa de Calcutá

A Verdade...


JESUS E SIMÃO

Retirava-se Jesus do lar de Jeroboão, filho de Acaz, em Corazim, para atender a um pedido de socorro em casa próxima, quando quatro velhos publicanos apareceram, de chofre, buscando-lhe o verbo reconfortante.

Haviam recebido as notícias do Evangelho do Reino, tinham fome de esclarecimento e tranquilidade, suplicavam palavras que os auxiliassem na aquisição de paz e esperança.

O Mestre contemplou-lhes a veste distinta e os rostos vincados de funda inquietação, e compadeceu-se.

Instado, porém, por mensageiros que lhe requisitavam a presença, o Excelso Benfeitor chamou Simão Pedro e pediu-lhe, ante os consulentes amigos:

- Pedro, nossos irmãos chegam à procura de renovação e de afeto... Rogo sejas, junto deles, o portador do Bem Eterno!... Ampara-os com a verdade, prossigamos em nossa tarefa de amor...

O apóstolo relanceou o olhar pelos circunstantes e, tão logo se viu a sós com eles, fêz-se arredio e casmurro, esperando-lhes a manifestação.

Foi Eliúde, o joalheiro e mais velho dos quatro, que se ergueu e solicitou com modéstia:

- Discípulo do Senhor, ouvimos a Nova Revelação e temos o espírito repleto de júbilo!... Compreendemos que o Messias Nazareno vem da parte do Todo-Poderoso arrancar-nos da sombra para a luz, da morte para a vida... Que instruções e bênçãos nos dás, oh! dileto companheiro das Boa Novas? Temos sede do reino de Deus que o Mestre anuncia! Aclara-nos a inteligência, guia-nos o coração para os caminhos que devemos trilhar!...

Simão, contudo, de olhar coruscante, qual se fora austero zelador de consciências alheias, brandiu violentamente o punho fechado sobre a mesa, e falou, ríspido:

- Conheço-vos a todos, oh! víboras de Coramim!...

E, apontando o dedo em riste para Eliúde, aquele mesmo que tomara a iniciativa do entendimento, acusou-o, severamente:

- Que pretendes aqui, ladrão das viúvas e dos órfãos? Sei que ajuntaste imensa fortuna à custa de aflições alheias. Tuas pedras, teus colares, teus anéis!... que são eles senão as lágrimas cristalizadas de tuas vítimas? Como consegues pronunciar o nome de Deus?...

Voltando-se para o segundo, na escala das idades, esbraveou:

- Tu, Moabe? A que viestes? Ignoras, porventura, que não te desconheço a miséria moral? Como te encorajaste a vir até aqui, após extorquir os dois irmãos, de quem furtaste os bens deixados por teu pai? Esqueces de que um deles morreu consumido de penúria e de que o outro enloqueceu por tua causa, sem qualquer recurso para a própria manutenção?

Em seguida, dirigiu-se ao terceiro dos circunstantes:

- Que buscas, Zacarias? Não te envergonhas de haver provocado a morte de Zorobatel, o sapateiro, comprando-lhe as dívidas e atormentando-o, através de execráveis cobranças, no só intuito de roubar-lhe a mulher? Já tens o fruto de tua caça. Aniquilaste um homem e tomaste-lhe a viúva... Que mais queres, infeliz?

E, virando-se para o último, gritou:

- Que te posso dizer, Ananias? Há muitos anos, sei que fazes o comércio da fome, exigindo que a hortaliça e o leite subam constantemente de preço, em louvor de tua cupidez... Jamais te incomodaste com as desventuradas crianças de teu bairro, que falacem na indigência, à espera de tua caridade, que nunca apareceu!...

Simão alçou os braços para o teto, como quem se propunha irradiar a própria indignação, e rugiu:

- Súcia de ladrões, bando de malfeitores!... O Reino de Deus não é para vós!...

Nesse justo momento, Jesus reentrou na sala, acompanhado de alguns amigos, e, entendendo o que se passava, contemplou, enternecidamente, os quatro publicanos arrasados de lágrimas, ao mesmo tempo que se abeirou do pescador amigo, indagando:

- Pedro, que fizeste?

Simão, desapontado à frente daqueles olhos cuja linguagem muda tão bem conhecia, tentou justificar-se:

- Senhor, tu disseste que eu deveria amparar estes homens com a verdade...

- Sim, eu falei “amparar”, nunca te recomendaria aniquilar alguém com ela...

Assim dizendo, Jesus aceitou o convite que Jeroboão lhe fazia para sentar-se à mesa e, sorrindo, isistiu com Eliúde, Moabe, Zacarias e Ananias para que lhe partilhassem a ceia.

Organizou-se, para logo, bela reunião, na qual o verbo se mostrou reconfortante e enobrecido.

Conversando, o Mestre exaltou a Divina Providência de tal modo e se referiu ao Reino de Deus com tanta beleza, que todos os comensais guardavam a impressão de viver no futuro, em prodígiosa comunhão de interesse e ideais.

Quando os quatro publicanos se despediram, sentiam-se diferentes, transformados, felizes...

Jesus e Simão retiraram-se igualmente e, quando se acharam sozinhos, passo a passo, ante as estrelas da noite calma, o rude pescador exprobrou o comportamento do Divino Amigo, formulando perguntas, através de longos arrazoados.

Se era necessário demonstrar tanto carinho para com os maus, como estender auxílio aos bons? Se os homens errados mereciam tanto amor, que lhes competia fazer, a benefício dos homens retos?

O Cristo escutou as objurgações em silêncio e, quando o aprendiz calou as derradeiras reclamações, respondeu numa frase breve:

- Pedro, eu não vim à Terra para curar os sãos.


do Livro: Estante da Vida – Pelo Espírito “Irmão X”
Psicografia Francisco C. Xavier.

Mensagens em imagens...


Recebí por email e achei super legal!

Compartilho com vocês.

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Mensagens em imagens...



Nossa vida

Sabedoria em gotas...


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A sua verdade pode ferir.

Existe a sua verdade e a do outro. Podem ser diferentes. Mas são "verdades" para cada um. Tenha cuidado ao dizer a sua. Procure compreender, sem impor.

Diga a verdade que contraria, sem ofender, para não perder a razão. Não cause aborrecimentos. Nem estabeleça o clima de guerra. Esconda a verdade que destrói.

Uma verdade, dita com amor, esclarece e acalma.

Saiba falar. Use de moderação. O outro tem também a sua razão.

O amor que você transparecer no rosto convence mais do que a verdade que disser.

LOPES, Lourival. Gotas de Esperança. 17. ed. Brasília: Otimismo. 2005.

Em seu benefício...



Não se agaste com o ignorante;
certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram se caminho.

Evite aborrecimento com as pessoas fanatizadas;
permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro.

Não se perturbe com o malcriado;
o irmão intratável tem, na maioria das vezes, o fígado estragado e os nervos doentes.

Ampare o companheiro inseguro;
talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.

Não se zangue com o ingrato;
provavelmente é desorientado ou inexperiente.

Ajude ao que erra;

seus pés pisam o mesmo chão, e, se você tem possibilidade de corrigir, não tem o direito de censurar.

Desculpe o desertor;
ele é fraco e mais tarde voltará a lição.

Auxilie o doente;
agradeça ao divino poder o equilíbrio que você está conservando.

Esqueça o acusador;
ele não conhece o seu caso desde o princípio.

Perdoe o mau;
a vida se encarregará dele.



pelo Espírito André Luiz
Do Livro: Agenda Cristã, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Viver o presente...


Quer aprender a viver no presente? Então tenha filhos.

Observar um bebê e a sua relação com o tempo é simplesmente divino, afirma a escritora e professora de yoga, Isabela Fortes.

Nessa observação da vida infantil, através da lupa da sensibilidade, ela afirma que, para o bebê, o passado e o futuro não existem, apenas o agora.


Em variações de pequenos segundos, ele tenta nos comunicar o que precisa, no momento em que precisa: fome, sono, dor, fraldas – tudo só existe no agora.

Também as crianças maiores, na primeira infância, levam algum tempo para conseguir entender o tal do tempo.

Ontem, amanhã, daqui a dois dias ou dois anos, para elas é tudo igual e incompreensível.

Essa questão nos leva a experiências curiosas, como por exemplo, a do casal que adotou uma forma peculiar de conseguir explicar o tempo para sua filha de 5 anos.

Quando queriam dizer que faltavam 2 dias para ela viajar, ou para começar as aulas, afirmavam: Você terá que dormir e acordar, e depois dormir e acordar novamente, aí chega o dia.

* * *

Dessa característica especial dos pequenos, podemos aprender que o foco, no tempo presente, é fundamental para ter uma vida equilibrada.

Gastamos energias em demasia quando presos excessivamente ao passado, às lembranças.

Da mesma forma que nos desgastamos muito com a tal da preocupação, isto é, uma ocupação prévia com algo que ainda não aconteceu, e pode nem vir a acontecer.

Foi assim que conhecemos a temida e tão analisada ansiedade que, nos dias de hoje, nos traz problemas e mais problemas existenciais.

Quando nos focamos no presente, vivendo um dia de cada vez, como se diz popularmente, aproveitamos o tempo com muito mais eficiência e menos desgaste.

Fazemos cada tarefa pensando nesta tarefa, e não naquilo que deixamos de fazer ou naquilo que faremos amanhã ou depois.

Quando estamos com alguém que amamos, com a família, por exemplo, estejamos lá por inteiro, e não metade ali, aproveitando, e outra metade voando com o pensamento para longe.

Alguns de nós chegamos a fazer uma espécie de autoterrorismo, cultivando pensamentos como: Pena que esses momentos não duram! Como viverei quando tudo isso acabar?

São sofrimentos voluntários, desnecessários, que impomos aos nossos dias, por não nos darmos chance de viver o presente, e dele extrair tudo de bom que está nos ofertando.

Viver o presente não significa, porém, viver sem planos, sem objetivos. Nem desconsiderar o passado, sem tê-lo como referencial importante - de forma alguma!

Viver o presente é dar o devido peso a cada um desses tempos, aprendendo com o passado, vislumbrando o futuro, mas trabalhando no presente, e apenas no presente.

É fundamental lembrar do ensino do Cristo, quando, ao perceber as inquietações de nossa alma, quanto aos dias vindouros, afirmou:

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, pois o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.


Redação do Momento Espírita com base em trecho do artigo
Filhos, o melhor é tê-los, de Isabela Fortes, para a Revista Prana
Yoga Jornal, junho 2008 e no cap. 6, versículo 34
do Evangelho de Mateus.
Em 20.10.2008.


O Supérfluo e o Necessário...



Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.

Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição

Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.

Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.

Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.

Uns queriam silêncio; outros, ouvir.

Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.

Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.

(Chico Xavier)


Comentários Pessoais...


Queridos amigos,

Ontem ao chegar em casa minha esposa me contou sobre uma entrevista realizada, em um programa televisivo, com uma médium que se colocava como Espírita. As informações que ela me passou, mostraram claramente, que a médium pouco entendia de Espiritismo, pra não dizer quase nada.

Não sei porque razão mas fiquei muito chateado com esta situação, e com a desinformação e conceitos errados que são passados pela sociedade e a mídia sobre o Espiritismo (embora tenha também muita coisa boa e séria). Por isso, tomei a liberdade de escrever para o programa e colocar a minha posição sobre o assunto.

Acho que todos nós deveríamos fazer o mesmo, não apenas neste caso específico, mas sempre que percebermos algo denegrindo a imagem do Espiritismo, ou confundindo as pessoas. Já existe muita ignorância (ignorar = desconhecer) sobre este assunto, acho que é hora de tentarmos mudar isso.

Transcrevo abaixo o texto que enviei para a rede de televisão.

Muita Paz.

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Prezada sra Bongiovani e/ou produção do programa Bom Dia Mulher

Bom dia!

Escrevo-lhe, hoje, não na qualidade de telespectador assíduo, muito embora reconheça desde há muito tempo o profissionalismo e carinho com que são realizados seus programas.

Coloco-me, hoje, como colaborador, mesmo que um colaborador crítico. Porque a critica, construtiva e bem aplicada, nos auxilia na escalada rumo a perfeição, não é mesmo?

Em seu programa de terça feira passada, dia 14/10/08, foi apresentada uma Sra que se colocou como médium espírita. Ocorre que, durante o decorrer de seu programa, a referida sra apresentou claras evidencias de desconhecimento dos princípios básicos do espiritismo. Evidenciando, assim, sua posição não de espírita, mas de espiritualista.

Esclareço, em tempo, que espiritismo, espiritista ou espírita foram neologismos criados por Allan Kardec para expressar os adeptos da referida doutrina, como pode ser evidenciado na introdução do livro dos espíritos(LE) cap 1; e que por sua vez aceitam os princípios espíritas, à luz dos ensinos de kardec, os quais são: a crença em deus, a imortalidade da alma, a reencarnação, a comunicabilidade dos espíritos e a multiplicidade dos mundos habitados.

Desta forma, as pessoas que acreditam na imortalidade da alma, reencarnação, comunicabilidade e outros princípios espíritas, mas que não seguem nos termos da doutrina proposta por kardec, são espiritualistas ou esotéricos, ou umbandistas, ou de acordo com a religião que sigam, mas não são espíritas.

Infelizmente este erro acontece com muita freqüência no Brasil, o que levou até ao aparecimento de outro neologismo: espírita kardecista, o que é redundância porque só é espírita quem segue kardec.

Feitos os esclarecimentos necessários voltemos ao propósito real desta comunicação: solicitar que, ao serem apresentados os entrevistados, seja realizada uma verificação seria e profunda a respeito de suas qualidades e predicados, evitando assim exibir, em rede nacional, erros como os divulgados pela determinada sra.

Como exposto acima, varias de suas colocações estão em desacordo com as orientações da espiritualidade superior, codificadas por kardec. Entre elas podemos citar:

1- a referência a espíritos desencarnados como "alma", quando na pergunta n.134 do LE temos explicitado claramente que "alma" é a designação que se utiliza para referenciar o espírito encarnado, diferenciando-se assim do espírito desencarnado.

2- a referência à faculdade de escutar o que os espíritos dizem como sendo "psicofonia", quando está explicitado no livro dos médiuns(LM), segunda parte, cap 14, ponto 3, que a este tipo de faculdade dá-se o nome de "audiência", sendo psicofonia a qualidade que o médium tem de fornecer suas cordas vocais para que o espírito se expresse através da palavra vocalizada, ou seja, falando através do médium (LM, segunda parte, cap 14, ponto 4). Esta faculdade declarada pela médium, embora se utilize dela para escrever, é claramente audiência, da qual se utilizou também por varias vezes o saudoso Chico Xavier, mas nunca poderá ser classificada como "psicofonia".

3 - a referência sobre um desencarnado que supostamente está na cidade espiritual de nosso lar ficar na sua casa, convivendo com seus familiares, evidencia, no mínimo, uma leitura superficial da obra de André Luiz. No referido livro, quem leu deve se lembrar, o próprio André Luiz desejava ansiosamente retornar ao lar para rever a família, no que era orientado, pelo seu guia na cidade, a não ir. Passaram-se anos até que a espiritualidade superior achasse que ele tinha a mínima condição de realizar a visita e, quando ele finalmente recebeu a permissão, a experiência foi por demais perturbadora. A nova realidade de sua família, as vibrações divergentes entre os planos, e outras situações mais, fazem que seja pouco indicado aos espíritos desencarnados irem viver com suas famílias, sem a devida permissão e preparo para que suas energias não prejudiquem os encarnados. Em casos como este é muito mais provável que o espírito ainda não esteja evangelizado nem ligado a colônia nenhuma, e que não tenha deixado a casa desde seu desencarne.

Quero deixar claro que estas colocações não tem o objetivo de colocar em duvida as capacidades mediúnicas ou o conhecimento desta sra; apenas alertar este respeitável programa que tenha um maior cuidado e aprofundamento ao preparar uma matéria sobre espiritismo, até porque já existe muita divergência e confusão advindas de informações e conceitos errôneos, repassados por pessoas irresponsáveis e tendenciosas ao sensacionalismo.

Acredito que o jornalismo sério e com informações corretas e concretas, como o que tem sido apresentado por este programa, deve surgir para informar e direcionar a população ao esclarecimento sobre todas as áreas.

Sugiro que, em próxima oportunidade, possam ser chamados para entrevista sobre espiritismo pessoas com conhecimento de causa, tais como: Divaldo Franco, Raul Teixeira, Nestor Mazzotti, Carlos Baccelli etc.

Caso ainda reste alguma colocação estamos à disposição para contatos e aproveito para indicar um pequeno espaço virtual onde buscamos orientar e esclarecer sobre a doutrina espírita - http://bomespirito.blogspot.com

Abraços fraternos e muita paz.

Resgates e Reencarnação...


GRANDE CABEÇA


O Dr. Abelardo Tourinho era, indiscutivelmente, verdadeira águia de inteligência.

Advogado de renome, não conhecia derrotas. Sua palavra sugestiva, nos grandes processos, tocava-se de maravilhosa expressão de magnetismo pessoal. Seus pareceres denunciavam apurada cultura.


Qual cientista isolado no laboratório para descobrir uma combinação química, Abelardo se mantinha, horas e horas, no gabinete particular, surpreendendo as colisões das leis humanas entre si.

Não obstante o talento privilegiado, caracterizava-se, contudo, por traço lamentável. Não vacilava na defesa do mal, diante do dinheiro. Se o cliente prometia pagamento farto, o causídico torturava decretos, ladeava artigos, forçava interpretações e acabava em triunfo espetacular.

Chamavam-lhe “grande cabeça” nos círculos de convivência comum.

Temiam-no os colegas de carreira, que lhe não regateavam respeito e consideração.

Penetrando o “fórum”, provocava movimentos de singular interesse. Retraiam-se os companheiros, enquanto os serventuários se atropelavam a fim de atendê-lo no que desejasse.

O Doutor Abelardo era sempre requisitado a serviços inadiáveis, em razão da nomeada fulgurante. Devia ser ouvido antes dos outros.

Muita vez, foi convidado a atuar, em posição destacada, nas esferas político-administrativas; entretanto, esquivava-se, maneiroso. Que representavam as singelas gratificações dum deputado, em confronto com os honorários que lhe cabiam? Verdadeiras bagatelas. Seus clientes escorcháveis eram sempre numerosos. Sua banca era freqüentada por avarentos transformados em sanguessugas do povo, por negociantes inescrupulosos ou por criminosos da vida econômica, detentores de importante ficha bancaria.

Abelardo nunca foi visto lutando em causa humilde, defendendo os fracos contra os poderosos, amparando infortunados contra os favorecidos da sorte.

Afirmavam não se interessar em questões pequenas.

- Grande cabeça! – asseveravam todos os conhecidos, sem restrições.

Alguém havia, porem, que acompanhava o grande interprete da lei, sem elogios precipitados.

Era sua mãe, nobre velhinha cristã, que o alertava, de quando em quando, com sinceridade e amor.


- Abelardo, meu filho – costumava dizer-lhe, prudentemente -, não te descuides na missão do Direito. Não admitas que a idéia de ganho te avassale as cogitações. Creio que a tarefa da justiça terrestre é muito delicada, alem de profundamente complexa. Ser advogado, quanto ser juiz é difícil ministério da consciência. Por vezes, observo-te as inquietações na defesa dos cliente ricos e guardo apreensões justas. Não te impressiones pelo dinheiro, meu filho! Repara, sobretudo, o dever cristão e o bem a praticar. Sinto falta dos humildes, em derredor de teu nome. Ouço os aplausos de teus colegas e conheço a estima que desfrutas, no seio das classes abastadas, mas ainda não vi, em teu circulo, os amigos apagados de que Jesus se cercava sempre. Nunca pensaste, Abelardo, que o Mestre Divino foi advogado da mulher infeliz e que, na própria cruz, foi ardoroso defensor dum ladrão arrependido? Creio que o teu apostolado é também santo...

O eminente homem da legalidade meneava a cabeça, em sinal de desacordo, e respondia:

- Mãezinha, os tempos são outros. Devo preservar as conquistas efetuadas. Não posso, por isso, satisfazer-lhe as sugestões. Compreende a senhora que o advogado de renome necessita cliente à altura. Alias, não desprezo os mais fracos. Tenho meu gabinete vasto, onde dou serviço a companheiros iniciantes, junto aos quais os mesmos favorecidos do campo social encontram os recursos que reclamam...

- Oh! Meu filho – retrucava a senhora Tourinho, afetuosa -, estimaria tanto ver-te a sementeira evangélica!...

O advogado interceptava-lhe as observações, sentenciando:

- A senhora, porém, necessita compreender que não sou ministro religioso. Não devo ligar-me a preceituação estranha ao Direito. E é tão escasso o tempo para a leitura e analise dos códigos que me não sobra ensejo para estudos do Evangelho. Ao demais – e fazia um gesto irônico -, que seria de meus filhos e de mim mesmo se apenas me rodeasse de pobretões? Seria o fim da carreira e a bancarrota geral.

A genitora discutia, amorosa, fazendo-lhe sentir a beleza dos ensinamentos cristãos, mas Abelardo, que se habituara aos conceitos elogiosos de toda gente, não ser curvava às advertências maternas, conservando mordaz sorriso ao canto da boca.

Se ele fosse amigo sincero dos afortunados da vida, personificando um conselheiro caridoso, nenhum delito lhe assinalaria a atitude individual; no entanto, o causídico famoso abeirava-se dos abastados, explorando-lhes as paixões e agravando-lhes o desequilíbrio facial, anestesiando a consciência de qualquer modo. Iludira-se com a opinião publica que o considerava “grande cabeça” e colocou todas as possibilidades de sua vigorosa inteligência a serviço das aquisições menos dignas.

A experiência terrestre, contudo, foi passando, devagar, como quem não sentia pressa em revelar a eternidade da vida infinita.

A Senhora Tourinho regressou à espiritualidade, muito antes do filho, persistindo, entretanto, na mesma dedicação, inspirando-o e ajudando-o, através do pensamento.

Abelardo, todavia, jamais cedeu. Sentia-se a suprema cabeça em seu circulo, com a ultima palavra nos assuntos legais.

E foi assim que a morte o recolheu, envolvido em extensa rede de compromissos.

Muito tarde, compreendeu o antigo lidador do Direito as tortuosidades perigosas que traçara para si mesmo.

Muito sofreu e chorou nos caminhos novos.

Não conseguia levantar-se, achava-se caído, na expressão literal.

Crescera-lhe a cabeça enormemente, subtraindo-lhe a posição de equilíbrio normal. Colara-se à terra, entontecido e freqüentemente atormentado pela vitimas ignorante e sofredoras.

A devotada mãezinha visitava-o, variadas vezes, administrando os socorros ao seu alcance.

Os anos, no entanto, deslizavam rápidos, sem que a Senhora Tourinho lograsse resultados animadores.

Prosseguia o penitente, na mesma situação de imobilidade, deformação e sofrimento.

Reparando, certa feita, a ineficácia de seus carinhos, trouxe um elevado orientador de almas à paisagem escura.

Pretendia um parecer, a fim de reformar diretrizes de ação.

O prestimoso amigo examinou o paciente, registrou-lhe as pesadas vibrações mentais, pensou, pensou e dirigiu-se à abnegada mãe, compadecido:

- Minha irmã, o nosso amigo padece de inchação da inteligência pelos crimes cometidos com as armas intelectuais. Seus órgãos da idéia foram atacados pela hipertrofia de amor-próprio. Ao que vejo, a única medida capaz de lhe apressar a cura é a hidrocefalia no corpo terrestre.

A nobre genitora chorou amargurada, mas não havia remédio senão conformar-se.


E, daí a algum tempo, pela inesgotável bondade do Cristo, Abelardo Tourinho podia ser identificado por amigos espirituais numa desventurada criança do mundo, colada a triste carrinho de rodas, apresentando um crânio terrivelmente disforme, para curar os desvarios da “grande cabeça”.



do Livro: Pontos e Contos - Psicografia Francisco Cândido Xavier - Pelo espírito Irmão X.

Se não houver amanhã...



Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer, hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma:

E se não houver amanhã?

Então, hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, de correr, de abraçar.

Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta...


Hoje eu vou observar seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.

Porque, se não houver amanhã... eu quero ter gravada em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias...

Hoje eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você essa magia que traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração.

Hoje eu vou me sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... e sem pressa.

Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário.

Sabe, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa... O hoje é presente.

Assim, se não houver amanhã, eu quero descobrir hoje qual é a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.

Quero conhecer seus receios, aconchegá-lo em meus braços e lhe transmitir confiança...

Hoje, quando você for se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir para que fique um pouco mais ao meu lado.

Sabe, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.

Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento.

Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim.

Nada ficará pendente...

Quero registrar na minha alma cada gesto seu.

Quero gravar em meu ser, para sempre, o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados.

Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim.


Seja você meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto é importante para mim... porque, se não houver amanhã...

Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz mas as circunstâncias, pessoas e coisas, poderão estar diferentes.

Hoje significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades afetivas em favor daqueles que convivem com você.

Hoje é o melhor período de tempo na direção do tempo sem fim...



Redação do Momento Espírita disponível no CD Momento Espírita, v. 7, ed. Fep.

O poder das palavras...


Sempre num lugar por onde passavam muitas pessoas, um mendigo sentava-se na calçada e ao lado colocava uma placa com os dizeres:


" Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado "


Alguns passantes o olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até davam-lhe dinheiro.

Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.

Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e lhe disse:

" Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa? "

" Vamos lá. Só tenho a ganhar! ", respondeu o mendigo.

Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa.

Daí para frente sua vida foi uma seqüência de sucessos e a certo tempo ele tornou-se um dos sócios majoritários.

Numa entrevista coletiva à imprensa,

ele esclareceu de como conseguira sair da mendicância para tão alta posição.



Contou ele :



- Bem, houve época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

" Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar!

Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocados ! Mal consigo sobreviver! "

As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia:

" Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando.

Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem.

Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito.

Por mais pobre que seja você , diga a si mesmo e aos outros que você é próspero. "

Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para:

" Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado."

E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje.



Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade. Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais

são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará.



Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.



Uma repórter, ironicamente, questionou:

- O senhor está querendo dizer que

algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?



Respondeu o homem, cheio de bom humor:



" Claro que não, minha ingênua amiga!

Primeiro eu tive que acreditar nelas! "



Comentários Pessoais...


Amigos, bom dia.

Uma querida muito querida(sem medo do pleonasmo)me enviou recentemente um email comentando um fato que ocorreu em sua vida, o qual achei interessante dividir com todos vocês, dentro do possível.


Ela, adepta da religião Espiritualista Cristã do Vale do Amanhecer, Médium de incorporação e praticante da caridade sob várias formas, havia, por motivo de trabalho, ido a uma cidade distante da sua e de sua família.

Enfrentou diversas dificuldades profissionais, pessoais, sociais e entre elas uma convivência com pessoas difíceis.

Conhecendo-a como conheço sei que durante todo o tempo ela tentou auxiliar estas pessoas através da conversa fraterna e franca, sem procurar se impor, apenas expondo seus pontos de vista ao longo do tempo que passou por alí.

Recentemente ela recebeu outra proposta profissional para administrar o setor em que trabalha em outra cidade próxima e teve que partir.

Segundo seu relato a nova cidade tem uma atmosfera muito diferente, as pessoas são mais sociáveis e amigas, o local é melhor e tudo isso. Aparentemente tem tudo para ser uma estada mais agradável.

Passado algum tempo, quando ela não mais se lembrava da outra cidade, recebe um email de uma das pessoas dalí declarando estar com saudade dela, de seus esinamentos, que havia aprendido muito e que gostaria de não perder contato, visitá-la e tal.

Minha querida muito querida então ficou muito alegre, bastante satisfeita com o trabalho realizado, o qual não parecia ter dado frutos, mas que, ao final, demonstrou que uma pequena flor brotou daquela terra ressequida.

Quando ela me contou o fato fiquei muito alegre também, e disse a ela: "apenas tome o cuidado de regar sua pequena plantinha".

Lembrei-me agora (ou alguém me lembrou) da parábola do semeador(Marcos 4, 3-20). Onde um homem sai a semear e semeia pela estrada, pelos espinhos, nas rochas e em terra fértil.(vale a pena ler e aprender com esta parábola de Jesus)

Assim também é a nossa vida. Nunca sabemos em que tipo de terreno estaremos semeando quando formos chamados ao serviço. Nem tampouco quanto de retorno teremos deste serviço. Porém o mais importante é semear, dar ao próximo o nosso exemplo. Mesmo sem saber se a semente vai germinar ou não. Com o tempo aquele que estiver pronto para recebê-la dará sinais de germinação.


Nosso serviço incessante no bem pode nunca dar frutos aos nossos olhos, mas no íntimo de cada um poderá fazer pequenos milagres, preparando a colheita para o próximo trabalhador do Cristo que passar por aquelas terras. Fiquemos então satisfeitos de preparar o terreno e lançar a semente, sem nos preocuparmos com as flores ou com os frutos, que virão no tempo certo e no momento ideal.

Parabéns à minha querida muito querida mãe pelo belo trabalho. Continue assim.

Muita Paz para todos.



Mensagens em imagens...



Uma vida
Muitas Existências

O trabalho de Kardec...


O PRIMEIRO CAPÍTULO


Allan Kardec, o respeitável professor Donizard Rivail, já havia organizado extensa porção das páginas reveladoras que constituem O Livro dos Espíritos.

Devotado observador, aliara inteligência e carinho, método e bom senso na formação da primeira obra que lançaria os fundamentos da Doutrina Espírita.

Não desconhecia que a sobrevivência da alma era tema empolgante no século. Entretanto, apontamentos e experimentações, em torno do assunto, alinhavam-se desordenados e nebulosos. Os fenômenos do intercâmbio, pareciam ameaçados pela hipertrofia de espetaculosidade.

Saindo de humilde vilarejo da América do Norte, a comunicação com os Espíritos desencarnados atingira os mais cultos ambientes da Europa, originando infrutífero sensacionalismo. Era necessário surgisse alguém com bastante coragem para extrair do labirinto a linha básica da filosofia consoladora que os fatos consubstanciavam, irrefutáveis e abundantes.

Advertido por amigos da Espiritualidade de que a ele se atribuía, em nome do Senhor, a elevada missão de codificar os princípios espíritas, destinados à mais ampla reforma religiosa, pusera mãos ao trabalho, sem cogitar de sacrifícios. E adotando o sistema de perguntas e respostas, conseguiria vasta colheita de esclarecimento e de luz.

Guardava consigo preciosas anotações acerca da constituição geral do Universo, surpreendente informes sobre a vida de além-túmulo e belas asserções definindo as leis morais que orientam a Humanidade.

O material esparso equivalia quase que praticamente ao livro pronto. Contudo, era preciso estabelecer um ponto de partida. O primeiro compêndio do Espiritismo, endereçado ao presente ao futuro, não podia prescindir de sólidos alicerces.


E, debruçado sobre a mesa de trabalho, em nevada noite do inverno de 1856, o Codificador interrogava a si mesmo: - Por onde começar? Pelas conclusões científicas ou pelas indagações filosóficas? Seria justo desligar a Doutrina, que vinha consagrar o antigo ensinamento do Cristo, de todo e qualquer apoio da fé, na construção das bases que lhe diziam respeito?

O conhecimento humano!... - pensava ele – não se modificava o conhecimento humano todos os dias?... As ilações filosófico-científicas não eram as mesmas em todos os séculos... E valeria escravizar o Espiritismo à exaltação do cérebro, em prejuízo do sentimento?

Atormentado, via mentalmente os homens de seu tempo e de sua pátria extraviados na sombra do materialismo demolidor...

A grande revolução que pretendera entronizar os direitos do Homem ainda estava presente no ar que ele respirava. Desde 2 de Dezembro de 1851, o governo de Luis Napoleão, que retomava as linhas do Império, permitia prisões em massa, com deliberada perseguição aos elementos de todas as classes sociais que não aplaudissem os planos do poder. Muitos membros da Assembléia haviam sofrido banimento e mais de vinte mil franceses jaziam deportados, muitos deles sem qualquer razão justa. Homens dignos eram enviados a regiões inóspitas, quando não eram confiados, no cárcere, à morte lenta.

O pensamento do missionário foi mais longe... Recordou-se de Voltaire e Rousseau, admiráveis condutores da inteligência, mas também precursores da ironia e do terror. Lembrou Condorcet, o filósofo e matemático, envenenando-se para escapar à guilhotina, e Marat, o médico e publicista, assassinado num banho de sangue, quando instigava a matança e a destruição.

Valeria a cultura da inteligência, só por si, quando, a par dos bens que espalhava, podia desmandar-se em sarcasmo arrasador e loucura furiosa?

Com o respeito que ele consagrava incondicionalmente à Ciência e à Filosofia, Kardec orou com todo o coração, suplicando a inspiração do Alto. Erguia-se-lhe a prece comovente, quando raios de amor lhe envolveram o espírito inquieto e ele ouviu, na acústica da própria alma, vigoroso apelo íntimo: - “Não menosprezes a fé!... Não comeces a obra redentora sem a Bênção Divina!...”.

E o Codificador, nimbado de luz, com a emotividade jubilosa de quem por fim encontrara solução o terrível problema, longamente sofrido, consagrou o primeiro capítulo de O Livro dos espíritos à existência de Deus.



pelo Espírito Irmão X - Do livro: “Doutrina Escola” - psicografia de Francisco Cândido Xavier – Autores Diversos.

A máscara do mal...


Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa.

Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.

Compreensivo observo as veias dilatadas da fronte, indicando: como é cansativo ser mau!

* * *

Os versos de Bertolt Brecht - importante dramaturgo e poeta alemão do século XX – trazem de uma forma descomprometida, quase ingênua, uma verdade grandiosa.

Certamente ele percebeu, nos traços fortes e sérios daquele rosto, a marca do cansaço, do peso de se carregar um cenho cerrado por tanto tempo.

E quem é capaz de agüentar esse fardo por tanto tempo?...

Carregar a máscara do mal extenua e consome as forças inevitavelmente.

Carregar a máscara do ódio, do ressentimento, da revolta, dilata-nos as veias da fronte; envenena-nos as células; faz adoecer, dia após dia, o corpo e a alma.

O mal é extremamente desconfortável, eis a verdade. Mais uma das razões pelas quais entendemos que ele não tem como prevalecer na Terra.

Embora possa trazer aparentes vantagens num primeiro momento, com o passar do tempo ele nos cansa, nos enfraquece.

A essência do bem, pelo contrário, nos torna mais leves e nos concede prazeres duráveis e autênticos.

Foi-se o tempo em que precisávamos responder violência com violência.

Foi-se o tempo em que o ataque era a melhor defesa, lembrando certas técnicas bélicas tão cultuadas.

Foi-se a era da lei do mais forte.

São chegados os tempos do reino do amor, de colocar em prática, sem medo, o ensino do ofereça a outra face. E a outra face da máscara do mal é a essência do bem, que todos temos em nosso íntimo.

Tal como pedra a ser lapidada, a essência Divina habita a intimidade de nosso Espírito imortal, e aguarda chance de luzir para nunca mais se apagar.

Se, em outras épocas, os guerreiros que mais resistiam aos inimigos eram aqueles que carregavam a máscara do mal, do ódio fulminante, hoje, tal sucesso se dará para os que optarem pelo bem e em nome do bem se opuserem ao mal.

A todo instante caem os guerreiros do mal, entendendo finalmente que o bem há de reinar. E o que parece derrota num primeiro momento, mostra-se como vitória, logo em seguida.

Vitória do homem sobre ele mesmo. Vitória da virtude sobre a imperfeição. Da luz sobre a treva.

Na obra A gênese, Allan Kardec discorre sobre a temática da origem do bem e do mal, e apresenta o seguinte raciocínio:

Deus, todo bondade, pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio.

Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida.

Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio.

Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro.

A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência.


Redação do Momento Espírita, com citação do item 7,
do cap. III, do livro A gênese, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 06.10.2008.
Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa.

Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.

Compreensivo observo as veias dilatadas da fronte, indicando: como é cansativo ser mau!

* * *

Os versos de Bertolt Brecht - importante dramaturgo e poeta alemão do século XX – trazem de uma forma descomprometida, quase ingênua, uma verdade grandiosa.

Certamente ele percebeu, nos traços fortes e sérios daquele rosto, a marca do cansaço, do peso de se carregar um cenho cerrado por tanto tempo.

E quem é capaz de agüentar esse fardo por tanto tempo?...

Carregar a máscara do mal extenua e consome as forças inevitavelmente.

Carregar a máscara do ódio, do ressentimento, da revolta, dilata-nos as veias da fronte; envenena-nos as células; faz adoecer, dia após dia, o corpo e a alma.

O mal é extremamente desconfortável, eis a verdade. Mais uma das razões pelas quais entendemos que ele não tem como prevalecer na Terra.

Embora possa trazer aparentes vantagens num primeiro momento, com o passar do tempo ele nos cansa, nos enfraquece.

A essência do bem, pelo contrário, nos torna mais leves e nos concede prazeres duráveis e autênticos.

Foi-se o tempo em que precisávamos responder violência com violência.

Foi-se o tempo em que o ataque era a melhor defesa, lembrando certas técnicas bélicas tão cultuadas.

Foi-se a era da lei do mais forte.

São chegados os tempos do reino do amor, de colocar em prática, sem medo, o ensino do ofereça a outra face. E a outra face da máscara do mal é a essência do bem, que todos temos em nosso íntimo.

Tal como pedra a ser lapidada, a essência Divina habita a intimidade de nosso Espírito imortal, e aguarda chance de luzir para nunca mais se apagar.

Se, em outras épocas, os guerreiros que mais resistiam aos inimigos eram aqueles que carregavam a máscara do mal, do ódio fulminante, hoje, tal sucesso se dará para os que optarem pelo bem e em nome do bem se opuserem ao mal.

A todo instante caem os guerreiros do mal, entendendo finalmente que o bem há de reinar. E o que parece derrota num primeiro momento, mostra-se como vitória, logo em seguida.

Vitória do homem sobre ele mesmo. Vitória da virtude sobre a imperfeição. Da luz sobre a treva.

Na obra A gênese, Allan Kardec discorre sobre a temática da origem do bem e do mal, e apresenta o seguinte raciocínio:

Deus, todo bondade, pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio.

Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida.

Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio.

Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro.

A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência.


Redação do Momento Espírita, com citação do item 7,
do cap. III, do livro A gênese, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 06.10.2008.

Vende-se tudo...


No mural do colégio da minha filha
encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.


O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
_ Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
_Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma .

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida. Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile .
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
Martha Medeiros


... e se só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir, é melhor refletir
e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ !

(desconheço o autor)

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