Para melhor compreender Jesus - parte 2...


(Continuando)

3) Porque escolher gente do povo para seguí-lo?

Ao iniciar seu trabalho neste orbe Jesus convidou algumas pessoas para seguí-lo, aprendendo seus ensinamentos e destinados a dar continuidade ao nascimento da consciência cristã no mundo.

Algumas destas pessoas foram chamadas entre pescadores, outras entre gente do povo, uma delas foi coletor de impostos, porém se engana quem acredite que aquele foi o primeiro encontro entre estas pessoas. No mundo espiritual, desde muito antes, eles se conheciam e se preparavam para seguir o Mestre.

Encarnaram entre pessoas simples, de vida rude e sem expressão social; e podemos perguntar porque? Obteremos a resposta quando lembrarmos que Jesus foi o único espírito puro que aportou em nosso planeta, portanto é de se esperar que os outros, por mais adiantados que fossem, não era puros ainda. Prova disso teremos quando Jesus nos fala que “dos homens nascidos de mulher nenhum é maior que João Batista, mas o menor no reino dos céus é maior que ele”.

Se os seguidores do Cristo (os apóstolos e os seguintes) eram espíritos ainda passíveis de falhas e defecções, seria normal que eles reencarnassem em ambientes onde tivessem menor possibilidade de se deixar influenciar pelos valores negativos do materialismo, objetivando o poder, como os poderosos da época, de acordo com as informações que a história nos trás.

Entre pessoas simples e trabalhadoras apenas teriam bons exemplos e a oportunidade de preparar seu espírito para a missão que viria, enriquecendo-o com Esperança, Humildade, Fraternidade e Respeito a Deus; diferente dos fariseus, escribas e príncipes dos sacerdotes que vivam da exploração do povo, de seus bens e da mentira, sendo inclusive chamados por Jesus de “Sepulcros caiados”.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” teremos a oportunidade de ver Kardec discorrer sobre a frase de Jesus “graças de dou, meu Pai, por ocultares estes mistérios aos doutos e prudentes e os revelares aos simples e humildes”.

Os “Doutos” são os homens de poder e inteligência, influentes na sociedade e na religião, e por isso mesmo corrompidos pela ilusão que este poder dá; assim despreparados para entender a mensagem de consolação do Cristo, tão preocupados com os valores materiais.

Os “humildes” por sua vez são os que nada mais têm a perder. São os parias da sociedade hebréia, os doentes, os ulcerados, as prostitutas, os abandonados da família e sociedade, que em Jesus encontravam a Esperança e a consolação. Que entendiam os postulados de perdão e amor, pois estes sentimentos os aliviavam dos sofrimentos vividos.

Para eles as palavras “bem aventurados os que sofrem...os que choram...os que tem fome e sede...os pacificadores” tinham um significado real e verdadeiro; pois expressava seus sentimentos mais constantes e os dava a certeza de um mundo onde serão saciados e auxiliados.

Nos evangelhos veremos poucas pessoas de influência seguindo o Mestre, pela divergência dos valores que Jesus representava, mas para os que decidiram seguí-lo a vida se transformou em um mar de oportunidades representado por sofrimentos físicos, porém repleta de satisfação espiritual.


4) Porque utilizar parábolas e figuras do dia-a-dia?

Torna-se necessário fazer uma observação sobre o objetivo dos ensinos ministrados pelo Mestre Jesus em três aspectos: 1 - se eram direcionados exclusivamente para a sociedade hebraica da época, 2 – se todas as pessoas que escutaram tinham condições de compreender o seu significado e 3 – em que aspectos desejava Jesus que estes ensinamentos fossem utilizados.

Partindo do último para o primeiro temos, hoje, plena consciência que o Mestre desejava que seus ensinamentos fossem utilizados em todos os aspectos de nossas vidas, em todos os momentos e todos os dias; desde que estejamos preparados para utilizá-los, prontos para abrir mão de determinadas ambições, rivalidades, vícios que trazemos dentro em nós.

Isso nos leva ao segundo aspecto: o de termos condições de compreender os ensinamentos de Jesus seja intelectualmente ou moralmente. Analisando Intelectualmente somos forçados a compreender que, desde antes do tempo de Jesus, vivem na terra diversos povos que apresentam variados graus de desenvolvimento, além da natural limitação de aprendizado que temos todos, uns em relação aos outros; desta forma entendemos que o que um de nós compreende pode não ser compreendido por outras pessoas ao mesmo tempo.

No aspecto moral devemos salientar que o nível em que cada consciência estagia é diferente para todos nós. Desta forma o que é errado para um pode ser completamente normal para outro, e este outro não irá modificar sua forma de pensar sem a ação do tempo em sua vida, mostrando através das experiências vividas que nem tudo que é possível é correto.

Jesus tem consciência plena de tudo isso. Por este motivo preparou seus ensinamentos de forma a atender nossas necessidades em qualquer estágio que nos encontremos.

Falou sob formas alegóricas de parábolas, histórias contadas sobre fatos da vida, buscando vincular estes fatos às lembranças que temos dos nossos próprios fatos, assim quando passássemos por situação semelhante seria instantâneo o retorno daquela lembrança.

Utilizou em suas parábolas de imagens do dia-a-dia de todos nós. Os pássaros, as flores, uma luz acesa, uma porta, uma montanha... imagens que temos em nosso inconsciente e com as quais nos deparamos diariamente, fazendo assim as mensagens mais verossímeis e fáceis de compreender e interpretar.

Guardou sob a forma de simples histórias as verdades imorredouras de todos os tempos, que somente se abrirão para aqueles que tiverem a chave em seu coração, ou seja, que já estiverem em condição moral de compreender o sentido profundo do ensinamento por trás das palavras. Prova disso é que, independente do grau de instrução, muitas parábolas, ainda hoje, não são compreendidas por vários de nós; enquanto outros menos letrados tem plena compreensão do que significam em sua pureza.

Assim, o Mestre respondeu ao nosso primeiro aspecto diretamente, preparando para todos os povos, de todos os tempos, a oportunidade de compreender as verdades da Lei de Deus e a importância do amor em nosso crescimento espiritual.

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