Comunicabilidade com os Espíritos...


Seja qual for a idéia que se faça dos Espíritos, crê neles aquele que admite a existência de um princípio inteligente no universo, além da matéria. Reconhecendo a existência da alma, se pode admitir também sua sobrevivência à morte do corpo físico e sua individualidade. Se não possuísse consciência própria seria inerte e de nada valeria a sua existência. Baseado nesses postulados, entende-se que cada ser humano é um Espírito revestido de corpo material que, ao morrer, muda de estado por ficar livre da matéria, mas mantém seu caráter e suas idéias.

Nesse caso, por que um Espírito livre do corpo não poderia comunicar-se com um Espírito cativo à matéria como o homem livre se comunica com outro aprisionado?

Se enquanto encarnado, o ser humano influencia e é influenciado pelas pessoas com quem convive, nada o impede que depois da morte mantenha esse tipo de intercâmbio. Afinal, depois de morto o corpo, a alma sobrevive mantendo, inclusive, os vínculos com amigos e familiares que permaneçam na Terra.

A comunicação entre encarnados e desencarnados constitui um dos princípios básicos da Doutrina Espírita, chamado Comunicabilidade dos Espíritos, que explica todas as nuances desta relação entre os dois mundos.


Mediunidade

Quase todos os homens podem sentir os Espíritos por meio de uma faculdade orgânica outorgada por Deus que, no Espiritismo, recebe o nome de mediunidade. A influência de desencarnados na vida dos encarnados ocorre em diversos graus de intensidade. As pessoas que se comunicam mais facilmente com os Espíritos são as mais conhecidas como médiuns, embora essa palavra seja adequada para definir qualquer pessoa que sinta mais ou menos intensamente os desencarnados. Há vários tipos de mediunidade - de psicografia, de audição e vidência, são as mais conhecidas.

Quantos aos desencarnados, são vários os objetivos que os levam a se comunicarem: Alguns desejam acalmar os parentes encarnados; outros pedem preces; os mais puros transmitem ensinamentos para fortalecer os homens no caminho do bem; já os que ainda não compreenderam a mensagem de Jesus pedem ajuda ou tentam influenciar negativamente os homens, como o fazem os serem humanos maldosos na Terra. Deus permite a comunicação dos bons para instruir e a dos maus para que as pessoas provem a sua fé e seu discernimento.

A mediunidade é, portanto, apenas aptidão que serve de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos. Isso não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. Até porque essa faculdade é concedida tanto à pessoas com maior evolução quanto àquelas capazes de a usarem mal, assim como qualquer outra disposição orgânica da qual o homem pode ser dotado como a faculdade de ver, de ouvir, de falar. E nenhuma faculdade dessas há de que o homem, por efeito do seu livre arbítrio, não possa abusar. Se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número de mudos do que dos que falam.

Sendo assim, Deus outorgou faculdades ao homem - entre elas a mediunidade - para facilitar seu progresso. E lhe dá a liberdade de usá-Ias, mas não deixa de punir o que delas abusa.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo 24-item 12, capítulo 28 itens 8-9.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Capítulo 1 e 14.
FEB. Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - programa fundamental 1.

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