Perguntas dos amigos...


Queridos amigos, bom dia.

Recebemos através do nosso formulário "Entre em contato" uma mensagem de uma amiga que nos escreve:
"... Olá João Batista, muita paz!
Gostaria que você comentasse a respeito do que vem acontecendo nas Casas Espíritas. Porque tantos médiuns vaidosos, tantos Dirigentes ditadores e tanta brigas em disputas de mandatos? Você deve estar pensando "que tantos queixumes são estes?" Bem, acho que chegou a hora de alguém, como você, prestar alguns esclarecimentos aos inquietos como eu. Tenho notado que trocamos Kardec pela vaidade, pelo orgulho e outras coisinhas mais. Você não acha que o "aconteceu na casa espírita" não fez nenhuma diferença? Penso que, para esse momento a melhor coisa que devemos fazer ao Espiritismo não é a sua divulgação não, acho que devemos primeiro nos amarmos antes. Só para se ter uma ideia, do que eu falo, hoje fiquei sabendo que aqui em ________, há uma casa espírita em que os dirigentes foram a justiça, para reclamarem sues "diretos" contra a direção anterior, que não queriam se afastarem dos "cargos", que loucura, não? Um feliz Ano Novo e boa viagem...."


Segue abaixo a resposta que enviei a nossa amiga, para apreciação:

"Prezado __________, bom dia.

Como vai o grupo aí da ________________? Preciso visitar vocês qualquer dia quando for a _______________. Qual é o dia e horário da reunião?

Agradeço seu apreço e estima mas é fora de dúvida que existem pessoas muito mais capacitadas que eu para comentar os aspectos da Doutrina e dos seus adeptos. Faço parte ainda do grupo que precisa se melhorar muito para poder ser chamado de trabalhador, meu amigo. Porém, assim como você, tenho também uma opinião e acredito não ser demais colocá-la aqui em nosso espaço, concorda?

Para mim o "Aconteceu na casa espírita" é um dos grandes livros espíritas que já lí - simples, fácil de ler e atualíssimo - em minha opinião pessoal TODO trabalhador espírita que se digne a ser um trabalhador sério deveria ler e reler este livro várias vezes, tentando se encontrar em suas páginas e utilizando-o como ferramente de auto-avaliação.

Infelizmente, baseado em minhas experiencias profissionais e espirituais, percebí que organizar pessoas é uma coisa difícil e trabalhosa. Principalmente porque todos nós queremos estar com a razão em 100% do tempo, nunca nos dispomos a fazer uma auto-análise e todos que nos critiquem, mesmo sendo críticas sérias e construtivas, os tornamos em nossos inimigos.

Kardec já nos orientava sobre as duas principais razões para que isso acontecesse: o Orgulho e o Egoísmo.

Nós, pessoas que somos espelho de outras, sempre desejamos alguém a quem endeusar; e nós outros, pessoas que nos achamos o máximo, sempre desejamos pessoas que nos adorem - está aí a combinação perfeita para o nascimento dos ídolos e celebridades que, mesmo sob uma falsa camada de humildade, estão valorizando o personalismo e a individualidade.

Em outro aspecto, de um lado temos os que queremos dominar a situação e, quase sempre, pensamos que o que não segue os nossos padrões não está correto ou não presta. Precisamos que tudo corra como desejamos, que todos pensem do nosso jeito e que tenhamos o controle de tudo; do outro lado estamos nós também que não queremos pensar por nós mesmos e que estamos dispostos a aceitar o que o nosso "líder" decidir sem precisarmos analisar nada - está aí o motivo do aparecimento de "donos" de centro espírita e dos "líderes" de movimento que não aceitam opinião ou liberdade.

Embora ciente disso e, certamente, isso ocorre em um número absurdo em nosso mundo, acredito que o grande problema está no foco que damos a estes aspectos. Por exemplo: Se uma pessoa que coloca uma melancia na cabeça, para chamar atenção, sai na rua e nós, quando vemos, ficamos apontando e cochichando entre nós - ela conseguiu o que queria. Entende?

Sei que é difícil perceber as coisas e aceitar, bem como ver o erro de deixar que aconteça, mas o Mestre já nos havia prevenido sobre os "falsos profetas" ou sobre os que "me louvam com a boca mas tem o coração cheio de fel"; são os "sepulcros caiados" que aparentam beleza e pureza mas que estão apodrecidos por dentro.

Claro que não estou dizendo com isso que devamos ser coniventes com os erros que se cometam; ou que participemos de situações erradas, não é isso; mas que utilizemos da argumentação e da lógica o quanto possível, e quando não sigamos o exemplo deixado por Jesus em Mateus 18:15-17. "15 Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; 16 Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.17 E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano." - Uma vez que aquele que erra não deseja ouvir a razão deixemos que ele colha os frutos do seu trabalho; e estejamos lá para ampará-lo quando ele cair, compreende?

Desnecessário lembrar, ainda, o quando de influencias infelizes estamos todos recebendo atualmente. A carga fluídica da Terra tem apenas ficado mais pesada e, de acordo com a pergunta 459 do LE, todos recebemos as influencias que mais se assemelham conosco. Vaidades, personalismos, rancores, erros, tristezas e outros sentimentos somente crescem dentro de nós quando encontram terra adubada e fértil (lembra da parábola do semeador?).

Mais uma vez recorro ao Mestre que nos exorta a "orar e vigiar" e "sermos prudentes"; porque assim estaremos nos precavendo contra este problema e realizamos exatamente o que Deus espera de nós: a nossa parte.

É necessário que ao invés de "lutarmos contra" estas pessoas ou suas idéias nós façamos exatamente o contrário: "trabalhemos a favor" das idéias e conceitos certos, baseados em Cristo e Kardec, gerando assim um exemplo para aqueles que precisam e um ponto de comparação para os que ainda não conhecem o que é o correto espiritismo - sem nos preocuparmos com o que o outro está fazendo ou deixando de fazer. Jesus sempre nos falou "é pelo fruto que se reconhece a árvore".

Independente do que aconteça em casas espíritas pelo mundo afora, eu percebo com muita frequencia um erro de interpretação a respeito dos espíritas: as pessoas (inclusive nós espíritas) sempre pensamos automaticamente que entrou para o Espiritismo ficou perfeito. É quase que uma obrigação. Quando nos dizemos espíritas (pelo menos acontece comigo) as pessoas que nos cercam começam imediatamente a nos cobrar a perfeição, esquecendo que somos todos seres humanos que comemos e bebemos e andamos e falamos igual - engraçado como não fazem isso com os protestantes nem com os católicos :-)

Precisamos todos compreender que estamos ainda em um mundo de provas e expiações e que, segundo o ESE, é um local onde "o mal sobrepuja o bem" - equivale dizer que somos todos espíritos endividados em resgate de nossas faltas e que, maiores ou menores, todos carregamos nossos erros; e que por isso mesmo é que estamos aqui: para vencer nossas limitações e eliminar os nossos erros. Somente podemos aprender o que é certo errando.

Comentava em um painel de perguntas e repostas que participei este final de semana que outro erro que cometemos com muita frequência é esperar que fiquemos perfeitos nesta encarnação ou na próxima, quando não é assim que o universo funciona. A evolução dos espíritos é medida e realizada em milhares de anos. Não devemos esperar que "fulano" apenas porque é espírita seja perfeito; não é assim. Mesmo com imensos defeitos ele já está melhor do que aquele que ainda faz o mal com prazer; O "fulano" já encontrou um caminho religioso - agora é esperar as reencarnações passarem e a religião ir penetrando na carapaça dura que trazemos em nosso coração, compreende?

É normal e natural termos estes tipos de atitudes em nosso movimento, como em qualquer movimento, porque estamos lidando com espíritos em evolução e cada um tem o seu tempo de crescer e agir. Ninguém está errado, cada um está no seu estágio consciencial e não podemos cobrar de ninguém mais do que ele está pronto para dar - lembremos que Deus também não nos cobra a perfeição, ele nos cobra que nos esforcemos para sermos "hoje melhores que ontem e amanhã melhores que hoje".

Gostaria apenas de finalizar com a frase do Mestre lionês quando diz que "reconhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que ele faz para domar as suas más inclinações" - ou seja: todos podemos ter defeitos, isso não é problema. O verdadeiro problema está em conhecermos nossos defeitos e não trabalharmos para nos melhorar.

Espero ter correspondido a sua expectativa e peço desculpas se não respondí o que você desejava.

Abraços e Paz para todos."


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