Coerencia e Razão - Perguntas dos amigos...


Queridos amigos, bom dia.

Recebemos através do nosso formulário "Entre em contato" uma mensagem de uma amiga que nos escreve:
"...Caro Amigo Jão Batista, muita paz.
Quando recebo as mensagens que você envia, em comparação com outras que me chegam as mãos fico pensando: como é que se complica tanto com uma coisa tão simples, ou melhor dizendo, porque não passar as mensagens, antes pelo crivo da apreciação, usando o bom senso e a razão. Sendo assim, leia a mensagem que recebi em minha casa, entregue pelo pessoal da Campanha do Quilo:

"Atender sem descer

Quando desces à lama, cuidas em
não chafurdar no lodo: pisas com
todo o cuidado.
Quando te abaixas para apanhar algo
na água empoçada, procura segurar-te
para não caíres na poça.
Caridade não é rebaixamento de
nosso nível, mas elevação do
companheiro desajustado.
Tolerância não é ceder às imposições
apaixonadas de espíritos
desequilibrados, mas esforço para
reequilibrá-los pela mesma pauta que
nos beneficia a alma.
Ajuda sem desajudar-te
Atende sem decair.
Atende para que, ao dares a mão a
que está no poço, não sejas tu
puxada para o negro fundo, mas
firma-te bem, para te sustentares com
segurança, e, além disso, poderes içar
do abismo o irmão caído"

Batista, quando você puder, comente.
Um forte abraço..."


Ao qual enviei a seguinte resposta:

"Prezado ____________, boa tarde.

Peço desculpas pela demora na resposta, mas estava fora e estou "arrumando a casa" apenas agora.

Agradeço sua confiança e carinho quanto ao material que envio, e acho que você está completamente correto - devemos sim utilizar nosso bom senso e pesar as palavras e o sentido daquilo que lemos e transmitimos, principalmente quando colocamos o nome da Doutrina Espírita. Vale lembrar que o próprio Kardec nos exorta a repelir 10 verdades ao inves de aceitar 1 única inverdade.

Lí o texto que você indica e realmente as palavras, embora bem colocadas, pecam pelo seu sentido. Acho que está muito "terra a terra" e a visão final denota o medo do escritor em "cair de nível" espiritualmente, o que sabemos ser impossível acontecer - pois como nos afirmou Kardec no LE uestão 118 "o espírito não retrograda".

A maior prova que temos desta afirmação é o próprio trabalho de Jesus em sua breve passagem sobre a Terra: conviveu com todos os pecadores, curou nossas piores doenças, comeu com pessoas de má vida e nem por isso deixou-se contaminar com nossos defeitos. Ao contrário: Elevou muitos de nós através de seus ensinamentos sublimes. Percebamos que Jesus Desceu e andou na lama de nossos piores sentimentos sem manchar o branco de seu espírito.

Os espíritos realmente elevados são assim, conseguem viver conosco e trabalhar conosco despertando em nós o que temos de melhor, compreendendo nossos defeitos e aceitando nossas quedas, sem que escutemos críticas e reclamações de sua parte, sem medo de se contaminar com os miasmas fluídicos de nossos erros, porque já passaram por este processo e venceram. Já estão hoje em um nível espiritual acima do nosso e podem descer sem se macular, nos elevando e nos lavando.

Entendo, assim, que o receio ressaltado no texto que você indica pode representar a alma de um de nós, humanos menos evangelizados, que pretendendo auxiliar os outros e seguir os exemplos dos mais evangelizados, temos o medo natural de cairmos em nossos velhos erros. E assim precisamos nos estabelecer firmemente para que não corramos o risco de, ao auxiliar, findarmos necessitando de auxílio.

Este medo, muito presente no texto em questão, pode também representar uma limitação de visão do autor quanto ao procedimento de amar ao próximo e socorrer sem receios; para socorrer o que está no chao necessitamos nos abaixar e olhar em seus olhos enquanto o colhemos nos braços; para içar o que afunda em erros temos que estender-lhe as mãos sem receio de nos molharmos ou melarmos; para atender o que necessita temos que compreender as necessidades que o oprimem.

Certamente, na minha visão ainda imperfeita, o autor quis lançar um alerta sobre os perigos que nos cercam a nós, pequenos e falíveis ainda, quando tentamos seguir a mensagem evangélica. Vale lembrar que Emmanuel também fez similar orientação ao Chico quando ele desejava socorrer a prostituta no bordel dizendo: tú sabes como entras, mas não sabes como irás sair - Equivale dizer que todos podemos ser influenciados por eventos, sentimentos, sensações ou pessoas - Desde que deixemos a sintonia acontecer em nosso espírito.

Assim, ao meu entender, acredito o autor haver esquecido um pequeno detalhe em seu belo texto: Abracemos o evangelho em nossas vidas e através dele o nosso irmão e nada teremos a temer, acaso caiamos é natural para a nossa atual condição, mas não desistamos e busquemos o melhor dentro de nós através dos exemplos vivos do Cristo.

Espero haver sido coerente na colocação.

Abraços e paz."

Um comentário:

Barreto disse...

Vale atentar para o seguinte: essa instruçao é passada para espiritos como eu, que ainda nao sabe exercer BEM a funçao de ser caridoso.
Nao vejo nenhum mal em alertar os noviços no exercicio da caridade, usando essas palavras.

Resta saber quem foi o autor desse texto.
Muitas vezes NÓS é que nao alcançamos a sabedoria alheia e os desqualificamos erradamente.

Abraço,
Barreto

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