"Onde Deus está" e Culpa - Perguntas dos amigos...


Queridos amigos, bom dia.

Recebí recentemente através do nosso formulário "Entre em contato" uma mensagem de uma amiga que nos escreve:
"...Onde está Deus? Onde estão os bons amigos espirituais, quando deixam alguém de somente 16 anos (nessa vida...) tomar atitudes que não tem capacidade? Podemos ser milenares espiritualmente (como dita a doutrina espírita), mas se esquecemos nossa vida pregressa quando reencarnamos, cadê o amparo quando necessitamos? Onde estava meu "anjo da guarda" quando precisei? Onde está agora...? Estou há mais de vinte anos cumprindo "pena" por uma má decisão... qdo não tinha com quem contar e nem idade para decidir... Onde Deus estava...?"

E respondí de acordo com o abaixo:

"Prezada ________________, bom dia.

A Doutrina nos orienta que Deus está onde sempre esteve: ao nosso redor e dentro de nós; pois, como disse o apóstolo Paulo, "nele existimos e vivemos e nos movemos". A idéia que Deus possa ser uma entidade limitada, que exista em um local ou que se prenda a determinado tempo/espaço é muito pequena para compreender o ser que deu origem a tudo que existe - onipresente, onisciente e onipotente. De uma forma muito simplista podemos definir Deus como a causa original, a força que move o tudo em direção ao progresso, ou como encontramos na questão 01 de o Livro dos espíritos, A sabedoria suprema e causa primeira de todas as coisas.

Também os nossos amigos espirituais estão sempre conosco em todas as ocasiões; porém devemos entender que eles também obedecem a lei de sintonia e quando não estamos sintonizados com suas vibrações estaremos, por consequência, surdos e cegos para seus conselhos. Outrossim, ao meu ver, devemos compreender por "amigos espirituais" na prática não simplesmente os espíritos que nos desejam o bem(com os quais muitas vezes não temos sintonia), mas em grande parte de nossas vidas aqueles com quem mais nos identificamos. Assim nossos "amigos" aos quais damos atenção e sintonizamos podem, no mais das vezes, não ser tão amigos assim e nos influenciarem para atos de sofrimento e dor.

Você questiona sobre o esquecimento de nossos atos passados e a consequente inocência que podemos argumentar quando erramos; Lembro porém que Deus, em sua sabedoria e bondade, nos deu exatamente o que precisamos para não cairmos em erro - a nossa consciência. Ela nos estabelece uma linha entre bem e mal - que quase nunca respeitamos - e está sempre presente em nossas vidas porque está dentro de nós (ver questões 620 e 621 do LE); os nossos desejos e instintos é que normalmente fazem com que esqueçamos dos conselhos que nos dá a cosnciência e façamos o que achamos melhor.

Assim perceba que sempre temos o amparo que necessitamos no intuito de evitar cairmos em erro, mas em muitas ocasiões nos afastamos dele por escolha própria. Este amparo vem sob a forma de conselhos de pais ou familiares, de intuições, de dores na consciência, de sonhos, etc. Na grande maioria das vezes escolhemos ignorar e fazer o que achamos mais acertado naquele momento - e colher os efeitos depois.

Pelo seu rápido comentário não tenho como saber maiores detalhes ou esclarecimentos sobre o fato, porém percebo que você ainda carrega dentro de sí muita dor e culpa pelo acontecido. Existem diversos fatores que nos levam a cometer atos falhos e erros em nossa existência, mas também existem diversos outros que nos orientam a observar as experiencias e aprender com elas.

A própria Doutrina Espírita nos esclarece que existem dois caminhos que podemos seguir quando cometemos um erro: o da culpa ou o da reparação.

Ao que me parece você tem andado pelo caminho da culpa há mais de vinte anos... e este caminho somente vai te levar à depressão, à autopiedade e ao autopunimento. A culpa paralisa toda nossa vontade de crescer e nos sintoniza com o que existe de mais triste, espiritualmente falando; a culpa nos deixa a mercê dos espíritos que desejam nos prejudicar e que se utilizam de nossa própria energia desequilibrada para cada vez mais nos colocar para baixo, de modo a crescer cada vez mais o sentimento negativo em nós.

A Reparação é diferente. Através do caminho da reparação nós sabemos que erramos e reconhecemos o nosso erro (o que você já faz), porém ao invés de ficarmos paralisados na culpa nós assumimos a nossa responsabilidade e buscamos reparar o mal praticado de todas as formas possíveis.

Muitas pessoas podem argumentar que existem males que não podem ser reparados, que ocasiões há em que é tarde demais para consertar o que fizemos a alguém; porém desconhecem que a lei de Deus não exige reparação exclusivamente para aquela pessoa ou ocasião. isto é uma interpretação errada.

Quando nós erramos, nós erramos contra a vida e e para a vida que devemos reparar. "As criaturas são os instrumentos de que Deus se utiliza para chegar ao fim que objetiva" (LE 728a); equivale dizer que mesmo sendo os objetos dos nossos erros e acertos, os irmãos contra quem erramos ou que erram contra nós, não estão ligados fatalmente ao nosso destino; mesmo que tenhamos errado para com uma pessoa, e esta não esteja mais ao nosso alcance para que possamos reparar o erro, podemos fazer o certo a muitas outras pessoas que necessitem e que sempre estarão ao nosso alcance. Lembra as palavras do apóstolo Pedro "O amor cobre a multidão dos pecados" ?

Retire-se deste local de sofrimento e culpa onde você se colocou e utlize esta consciência de erro para ser sua força na reparação do que seja possível, ou caso não seja possível, na prática do bem desinteressado a quem necessitar. Envolva-se com trabalhos de caridade social, faça visitas, leve alimentos, doe tempo a quem precisa e, após perceber que existem no mundo muitos problemas ainda piores que os que guarda em seu peito, certamente iniciará uma caminhada rumo a libertação desta culpa tão profunda e paralisante.

Não sei qual foi seu erro nem quais os motivos que te levaram a praticá-lo; mas sei o remédio: amar.

Jesus contigo agora e sempre. Busque sua paz."

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