Kardec racista??? - Observações...


Queridos amigos, bom dia!

Recebi recentemente um email de um amigo que encontrou na internet um artigo intitulado "Allan Kardec, um racista brutal e grosseiro" (o qual pode ser encontrado aqui: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=kardec&lang=bra, para quem quiser ler).

Nosso amigo solicitou que eu fizesse algum comentário sobre o texto em questão e, como de praxe, segue abaixo o comentário efetuado para apreciação de todos.

"Prezado ______________, boa tarde.

Há algum tempo atrás eu havia lido algo parecido e tinha, inclusive, estudado este texto de Kardec que é referenciado nos artigos enviados por você ("a perfectibilidade da raça negra").

Pessoalmente sou da idéia que os homens sempre tenderão a criticar e denegrir o que não gostam, concordam ou não compreendem; é assim hoje e tem sido assim desde o início do mundo e, percebendo bem, o espiritismo não é o primeiro nem o último a ser preconceituado por este tipo de pessoa.

Como sou MUITO crítico (talvez isso seja um defeito) também percebí em diversos trabalhadores espíritas o mesmo tipo de procedimento - o de preconceituar aquilo que não é do Espiritismo; e assim também denegrimos e criticamos as crenças alheias sem buscarmos conhecer as reais motivações nem as culturas ou costumes que deram origem a determinadas crenças. Mas, isso não é o objeto de nossa observação aqui, certo?

No caso em questão, como sempre, as pessoas não buscam conhecer as origens daquilo de que falam, como também não observam as condições de época, cultura e costumes de onde o processo se iniciou. Tem sido assim desde há muito tempo quando, por exemplo, se afirma que Moisés proibiu a comunicação - mas não se busca a historicidade do porque e a aplicabilidade disto na época e não hoje; também notamos isso quando os espíritas criticam a gênese mosaica e esquecem de estudar a gênese de Kardec - que esclarece e reconhece as limitações do escritor em sua época e enaltece o grandioso trabalho mediúnico que ele deve ter feito; outro caso latente é quando descartam a idéia da existencia da reencarnação simplesmente porque não concordam ou porque não está "escrita" na bíblia - quando temos tantas e tão vastas evidencias desde as mais antigas religiões conhecidas (a católica/protestante é muito nova... no oriente existem religiões com mais de 5.000 anos e são reencarnacionistas) ou quando mais de 70% da população mundial acredita neste fato ou até quando a palavra reencarnação não existia no vocabulário hebreu daquela época; ainda podemos citar o fato de nós, os espíritas, propagarmos o amor e a fraternidade como norma de conduta ( lembra do "fora da caridade não há salvação") - e tratarmos todos os que nos destratam de forma rude ou desdenharmos da fé dos outros fazendo inclusive chacotas (esquecemos do sermão da montanha completamente).

Desta forma podemos compreender que as pessoas que se utilizam de argumentações como esta que você enviou para leitura não se dão ao trabalho de perceber que este texto, escrito há mais de 150 anos, está completamente de acordo com os conhecimentos da época. Naquela época não havia a consciencia cultural/etnica que existe hoje, não haviam estudos biológicos aprofundados, ainda haviam escravos em muitos paises, a raça branca se achava (como ainda se acha) a melhor do planeta e, diga-se de passagem, o próprio Kardec, a despeito do grande pensador que foi e de todo seu trabalho, era nativo daquela época e se encontrava passível de influenciação por todos estes fatores e ainda mais que não me vêem a cabeça agora.

Eu, que lí o texto com "olhos de ver", entendí que acima de qualquer coisa o que Allan Kardec quer passar é que não existiria um Deus justo e bom, pai amoroso e criador, se as diferenças tão gritantes que ele percebia na época(e ainda podemos perceber hoje) fossem definitivas e não estivessem sujeitas a uma lei de evolução e reencarnação - que é o objetivo principal do texto, diga-se de passagem observadas do lado científico coerente com a evolução daqueles tempos, e não como preconceito de raça, como muitos de nós ainda falamos hoje com referência a pessoas negras.

Entretanto, devemos compreender os amigos que ainda não conseguiram se despir do preconceito religioso, e aceitar suas colocações como válidas para estudo e reflexão. A exemplo do próprio codificador escutar o que se diz e argumentar o necessário. A exemplo de Cristo evitar a discussão e compreender que "o escândalo é necessário" - necessário para o nosso próprio burilamento. Em uma Terra de provas e expiações não poderíamos, a grosso modo, esperar coisa muito diferente.

Acaso estas pessoas fossem muçulmanas e poderiam também chamar Jesus de racista e preconceituoso quando ele afirma para a mulher cananeia que seus filhos são cachorros (MT 15:22-27 e MC 7:25-30); ou seja, no final quem estava certo era o Mestre quando afirmava que "veja aquele que tiver olhos de ver" pois sempre encontraremos as mais diversas interpretações para cada assunto que desejarmos.

Espero ter sido de algum apoio e peço desculpas caso não tenha saído de concordância com seus pensamentos.

paz contigo."

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