Comunicações espirituais - Observações...


Queridos amigos, bom dia.

Segue abaixo um texto que enviei para uma querida amiga, não espírita, que perguntou sobre "comunicações espirituais".

"Acho interessante primeiramente buscarmos qual o significado específico neste caso da palavra "comunicação" - representa a capacidade de um espírito enviar uma mensagem para, ou através de, uma pessoa encarnada - correto? Isso pressupõe que a pessoa que recebe esta mensagem tenha uma certa capacidade que permita que ela perceba e compreenda o fluxo de dados que foi enviado, concorda? Para efeito de estudos iremos chamar esta capacidade de ser intermediário desta mensagem de sensibilidade - como do latim intermediário = intermedium - sensibilidade mediunica ou mediunidade, ok?

Embora as pessoas pensem que mediundade é patrimônio do espiritismo, isso não é verdade. Historicamente vamos encontrar exemplos de sensibilidade mediunica desde que o mundo é mundo.

Tomemos como base o homem primitivo que, até despertar para um mínimo de intelectualidade, deixava os cadáveres de seus mortos onde pereciam e permitiam que se decompusessem naturalmente e, quem sabe, até se alimentassem deles. A partir do momento em que sua sensibilidade e intelectualidade estavam prontas para inciar a caminhada para a evolução, despertou dentro de sí esta sensibilidade de perceber o invisível e ele passou a ver e ouvir aqueles que haviam partido - e isso naturalmente os assustou - o que levou a que eles percebessem com o tempo que os "mortos" não estavam tão mortos assim e que podiam se comunicar com os que ficavam; passaram então, em alguns séculos de evolução intelecto-moral, primeiramente a enterrá-los, depois a colocar seus pertences próximos a eles nas covas, depois a colocar moedas para pagar a passagem ao hades, e assim por diante.

Em Alguns momentos encontramos pitonisas, adivinhos, xamãs e profetas que se comunicam com seres invisíveis para os "normais" e surgem, através desta sensibilidade, os anjos, demônios e deuses que perduram até hoje em nossa cultura. Concomitantemente encontraremos curas, línguas de fogo, inspirações divinas, levitações e outros fatores, que foram influenciados por espíritos, e que devido a ignorância da época deram origem a milagres "sobrenaturais".

Em outros momentos ainda encontraremos as pessoas dotadas desta sensibilidade sendo perseguidas porque "estavam possuídas pelo demônio" ou eram necromantes e bruxos... e assim durante muitos séculos em nossa história esta sensibilidade passou como uma capacidade angélica ou demoníaca, dependendo de que lado da balança do poder e do interesse se encontrava a disposição dos homens para aceitá-la (Joana D'arc que o diga).

Allan Kardec, a partir de 1857, desmistificando todo este processo de "sobrenatural", veio finalmente estudar e dar um nome a esta sensibilidade: mediunidade.

Define a partir da questão 159 de "o livro dos médiuns" que: "todo aquele que sente num grau qualquer a influencia dos espíritos é, por isso mesmo, médium. Esta faculdade é inerente ao homem e não constitui, por isso mesmo, privilégio exclusivo. Desta forma mesmo são raras as pessoas que não apresentem ao menos alguns rudimentos. Pode-se dizer, assim, que todos são mais ou menos médiuns." embora passe a chamar de médiuns,para efeito de classificação e estudo, apenas aqueles que apresentam efeitos mediunicos ostensivos e frequentes.

Traduzindo o que vimos acima equivale dizer que todas as pessoas que sentem alguma influencia espiritual(seja uma visão efetiva ou um arrepio na nuca), por apresentarem esta sensibilidade, são médiuns. Por ser uma capacidade natural do ser humano quase ninguém é dela desprovida, embora apresente-se mais forte em uns, mais fraca em outros e, na grande maioria, imperceptivel.

O mesmo Kardec em "o livro dos espíritos", questão 459, recebe a informação que os espíritos influenciam constantemente em nossas vidas "mais do que imaginamos"; nas palavras de paulo "estamos cercados por uma nuvem de testemunhas" - umas querem nos auxiliar, outras nos prejudicar - e estas influencias se passam das maneiras mais diversas.

Não vamos levar em conta aqui os médiuns ostensivos, que dão comunicações em reuniões mediúnicas - estes já são instrumentos e objetos de comunicação propriamente dita.

Vamos tentar listar aqui exemplos do dia-a-dia que podem mostrar os efeitos da influencia espiritual através de comunicações não ostensivas e,na maioria das vezes, subconsciente. Dentre estes casos podemos destacar:
- inspiração para escrever, compor, desenhar e etc;
- vontades repentinas e inexplicáveis;
- pensamento fixo em alguma idéia;
- simpatia ou antipatia imediata por alguém;
- intuições de fatos do dia-a-dia;
- inspiração para oradores, professores, atores, médicos, cientistas e todos outros.
- sonhos com pessoas que deixam recados;
- dejavus;
- sensações agradáveis ou desagradáveis com alguém distante;
- lembrança repentina de alguém;
- cheiros sem ter fonte visível; e muitos outros.

Perceba que estas "comunicações" ocorrem todos os das aos milhares e nem nos percebemos disso.

__________ havia conversado comigo sobre sua "poesia" e acredito que não deva ser motivo de preocupação. Talvez através destes novos conhecimentos que você tem aquirido, como uma mente mais aberta a determinadas idéias, os amigos espirituais tenham encontrado uma maneira de inspirar você com mais efetividade - mas isso não quer dizer que você tenha que se tornar médium de psicografia, não é assim.

Mediunidade, quando ostensiva (e não estou dizendo que seja o caso com você), é uma "faculdade" e como toda faculdade é "facultativo" seu exercício ou não. E se eu, com todas as minhas imperfeições, tenho consciencia disso, imagina os amigos espirituais... O fato de termos insights e inspirações maravilhosas não significa que teremos que ser instrumentos mediúnicos. Até porque podemos muito bem trabalhar sendo médiuns de Deus e auxiliando o próximo, ao invés de ser médiuns dos espíritos, compreende?

Diversos santos e santas católicas, que eram médiuns efetivos, utilizaram suas capacidades para o auxílio do próximo e o engrandecimento da causa de Jesus - exemplos: Francisco de Assis, Paulo Apóstolo, Pedro, Tereza d'avila, entre outros... Transcrevo agora uma frase de Chico Xavier, em um programa de 1971, onde declara "...Santa Brígida, da Suécia e a Santa Clara, de Montefalco, na Itália, as biografias atestam a presença de mediunidades extraordinárias, a ponto, diz Emmanuel, que Santa Brígida deixou muitas páginas, vamos dizer, do ponto de vista de autenticidade absolutamente psicográfica." Acho que vale a pena uma pesquisa nestas duas...

Por fim, compreendamos que a mediunidade nada mais é do que os "carismas" que Paulo falava; que são distintos mas o espírito é o mesmo. Uns falam, outros vêem, outros escutam, alguns escrevem, muitos sentem... mas todos podemos agir pelo amor.

Espero ter esclarecido um pouco sua dúvida, e caso continue ou apareça outra, não esqueça de escrever... ou melhor: podia ir lá em casa pra conversar, se quiser.

Paz contigo.

João

PS: enquanto eu escrevia a sua resposta agora no final estava com a idéia fixa na minha cabeça dos "carismas" de Paulo - alguém queria que eu falasse isso e não esquecesse. Vê como somos tão influenciados e nem percebemos?"


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