Do melhor e do pior em Palmares

Queridos amigos e irmãos, bom dia!
 
Nestes últimos 17 dias de trabalho intenso em prol das vítimas da grande e pequena enchentes em Palmares tenho vivenciado situações que me reforçam a certeza que estamos nesta vida para aprendermos cada vez mais.
 
Ví uma criança descalça com os pés na lama tremendo de frio e esperando o lixo fétido que o supermercado iria lançar aos dejetos onde ela catava pacotes de salgadinho; e vi uma mulher acolher em seus braços um bebê semimorto de frio e fome, após a noite fatídica, reaquecendo e alimentando lentamente a criança que se tornou seu filho espiritual.
 
Ví pessoas se digladiando e  literalmente atacando caminhonetes com alimentos para serem distribuidos entre eles, esquecendo dos mais fracos, dos mais velhos, dos mais novos e dos mais necessitados, pensando unicamente em sí mesmos; e ví um homem que não bebia agua limpa a dois ou três dias dividir uma das duas garrafas que recebeu com o jovem que a entregou quando este inocentemente perguntou:"você tem um copo de água pra me arranjar?"
 
Vi adultos agindo como crianças, sem rumo ou noção do que fazer, desesperadas e chorando sem parar; e vi crianças tomarem posições e decisões de adultos, auxiliando grandemente no trabalho que restava ser executado.
 
Vi pessoas desviando recursos para uso próprio e estocagem de alimentos e água quando não precisavam; e encontrei pessoas honestas e sérias o suficiente para, com a alimentação em mãos, dizer que não precisava e deixar para a próxima casa.
 
Vi pessoas abrigadas em casas, escolas e abrigos que não tinham a menor idéia do que significa estar vivendo em comunidade e levavam seus interesses e desejos pessoais acima dos do grupo, gerando situações de constrangimento e discórdia, confusão e até brigas - por motivos egoistas e orgulhosos; e vi empresários que foram "ao centro da lama" retirar seus funcionários e levá-los para locais seguros sem interesse outro senão o bem estar daqueles que são também parte de sua família.
 
Vi pessoas arriscarem a vida em águas perigosas e locais desabando para pegar objetos que não lhes pertenciam e para obter um lucro "fácil", mesmo que dalí não pudessem sair tão fácilmente; e vi pessoas se desfazendo de seus bens pessoais e entregando-os ao próximo com desprendimento e ternura, preocupados com um melhor-estar para aqueles que necessitavam;
 
Vi pessoas fingindo um voluntariado apenas para se aproveitarem da facilidade e obter roupas, sapatos, alimentos e água para sí; e vi pessoas que trabalharam estes 17 dias sem parar e sem buscar nada além do auxílio ao próximo.
 
Vi pessoas que se disseram mais leves com os primeiros dias de trabalho pelos irmãos mais necessitados e que depois se cansaram e deixaram o trabalho para trás, abandonando-o; e vi pessoas quase incansáveis que estiveram conosco durante todo este tempo sem ter noção de data ou de hora, apenas de dia e noite, e que ainda continuam na "batalha" pelo bem.

Vi casas e estruturas de cimento, concreto e tijolos ruirem e desaparecerem na força das águas e depois delas; e ví os lares formados pelos corações que se amam permanecerem fortes e indestrutíveis na união das famílias atingidas.
 
Vi alguns ditos trabalhadores religiosos esquecerem o próximo e trabalharem e preocuparem-se apenas consigo mesmo, desprezando toda a mensagem de um Mestre que dizem seguir; e vi pessoas sem crença definida e sem atuação em grupos religiosos se esforçarem por desconhecidos como para salvarem seus parentes mais queridos, seguindo as orientações de um mestre que talvez desconheçam.

E assim, posso dizer que nesta "oportunidade" de aprendizado, trabalho, união, crescimento e fé que foi dada a população da cidade de Palmares, algumas pessoas foram reprovadas nos exames da vida e outras passaram com louvor. Certamente isto não é de espantar, pois todos estamos nesta escola chamada Terra para crescermos e aprendermos sempre mais com nossas experiências.
 
Agradeço a Deus e aos irmãos pela oportunidade de haver encontrado do melhor e do pior que há no homem durante estes pequenos 17 dias, e se, por um passe de mágica, tivesse de fazer qualquer escolha novamente - faria as mesmas.
 
Paz com todos.

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          João Batista Sobrinho
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