Fatalidade - Perguntas dos amigos



"... João, bom dia, é um prazer voltar a fazer contato com você.
No Livro dos Espíritos, Capítulo 10, Fatalidade, na questão 853-a, é dito que não morreremos antes da hora, só da maneira já anteriormente determinada.
Tendo em vista que todos temos livre-arbítrio, não poderemos, em um momento de descontrole, utilizarmos de nossa vontade de tirar a vida de alguém, mesmo que para essa pessoa tenha sido determinado outro tipo de morte? Se o livre-arbítrio da pessoa não fosse exercido não estaria contrariando a própria lei Divina? Sabemos que podemos modificar a programação de vida com nossas atitudes, caso contrário seríamos apenas robôs, como você mesmo já colocou algumas vezes, não é mesmo? Então estamos sujeitos a atitudes de outras pessoas utilizando de seus livre-arbítrios, mesmo que seja para mudar uma programação de desencarne, não concorda? Em suma, se a pessoa estivesse programada para morrer de doença não poderia morrer assassinada pela ação de alguém utilizando seu livre-arbítrio?
Parabéns pelo seu trabalho e mais uma vez muito obrigado.
Um abraço. ......"




Prezado _________, bom dia.

Sempre trazendo questões que apresentam bons temas para discussão, hein?

É muito interessante e controversa esta (e outras) afirmação sobre a fatalidade. Existem inclusive muitas opiniões, em grupos distintos, sobre este tipo de acontecimento - o que tem gerado polêmicas e segregações entre muitos grupos de estudo.

De minha parte, e de minha opinião pessoal, que não tem a autoridade de ser a opinião do espiritismo, entendo por fatalidade exatamente o que leremos na questão 853 "só o instante da morte"; perceba que, maravilhosamente coerentes, os espíritos indicaram o "instante" da morte; e não o "local" da morte, "hora" da morte, "causa" da morte, etc... Então, do meu ponto de vista, temos a afirmação que fatal em nossas vidas é somente a afirmação que vamos morrer "em algum momento".

É certo que ao reencarnarmos temos uma programação de vida (e na maioria dos casos de morte também) que pode ou não ser cumprida - assim como a programação da morte. Diversos fatos e fatores podem influenciar o cumprimento de nossa programação,alheios ou não a nossa vontade, e, desta forma, podemos sim sofrer alterações em nossa "programação de morte".

Na questão 853-a encontraremos "Quando, porém, soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas." Equivalendo, a meu entender, a afirmação que, sem deixar dúvidas, no instante em que tivermos que morrer - seja por quais causas forem - morreremos. Ou seja: embora tenha programado uma morte lenta e dolorosa em cima de uma cama, caso encontre em meu caminho, por descuido ou não, uma bala perdida de me atravesse o crânio - se o ferimento for mortal, eu morrerei; compreende?

O livre arbítrio - nosso e de nosso próximo - é um dos fatores que mais influencia em nossa vida; por isso podemos afirmar que nada está escrito,mas se escrevendo lentamente através dos tempos. Por isso afirmo que, mesmo que tenhamos um momento marcado para morrer futuramente, se fatos alterarem ente momento, ele mudará invariavelmente.

Ao meu pequeno entender as palavras ""Quando, porém, soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas." signifcam que sempre que formo atingidos - por descuido, vontade ou imposição - por fatores mortais, morreremos porque chegou o instante em que a vida do nosso corpo cessa; e não que seremos milagrosamente salvos por condições extraordinárias (fora do ordinário) e extrafísicas (fora da física) apenas para cumprir a nossa programação espiritual.

Se assim fosse, todas as leis do universo se alterariam para que se cumprisse o destino de um... e isso soa um pouco passional demais para eu aceitar que Deus faria algo assim, compreende?

Muitos companheiros espíritas não concordam nem aceitam este tipo de afirmação, apegando-se as palavras de "o livro dos espíritos" no sentido literal - criando um destino marcado e traçado para os pequenos "robozinhos"; eu, de minha parte, prefiro pensar um pouco e, porque não, concluir com as minhas próprias opiniões - se estou certo ou não aí veremos mais tarde. apenas posso pedir que se respeite minha opinião como respeito a dos outros.

Ao final, querido amigo, poderemos perceber que é tudo questão de interpretação - como tem sido sempre quando o assunto é as leis de Deus - e que cada um encontra sua verdade - a que mais lhe apraz - espalhando-a e confrontando-a com a do seu irmão - o que tem gerado tantos problemas ao longo do século.

Bem, filosofias à parte, espero ter sido claro em minha colocação e que ela tenha sido útil a você.

Paz contigo e até a próxima

Um comentário:

Espírito Confuso disse...

Olá, irmão João Batista.
Sou espírita e desde os 10 anos sofro de Transtorno Borderline e hoje sofro ainda mais por não saber por qual motivo encarnei "propenso" a esse distúrbio.
Aos 11 anos por ser muito sensível graças ao Border, acabei desenvolvendo Transtorno Esquizóide também, tendo meu diagnóstico atual: "Transtorno Borderline Esquizóide".
Já procurei outros espíritas e médiuns para entender onde o Borderline se encaixa no espiritismo e não obtive resposta satisfatória.
Vejo que há uma explicação espiritual para todos os transtornos, exceto Border, então queria saber qual sua opinião a respeito, Graça e Paz.

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