Traição: o que fazer - Perguntas dos amigos



"... Prezado amigo, bom dia! É a primeira vez que estou lendo seu site e me interessei pela coerência nas respostas, por isso me sinto seguro para expressar meu problema e pedir ajuda. Em ______ do ano passado fiz uma viagem pela empresa para um local onde fiquei sem comunicação. Estava no meio da ________________, sendo assim fiquei 05 dias sem contato com minha esposa. Ao retornar, fui recebido com todo carinho e atenção, mas algo me dizia que havia uma coisa errada. Nessa mesma noite flagrei a mesma enviando uma mensagem que dizia: "Adorei a noite, quero te ver novamente". Gritei, briguei, chorei (e ainda choro), mas no final a perdoei, porém não consigo aceitar essa traição. Sinto que permanecendo com ela estou agindo de maneira errada, mas não consigo abandoná-la e nem confiar plenamente, como antes. Estou fazendo tratamento espiritual, lendo o livro dos espíritos e o evangelho, pois comecei a frequentar o centro depois dessa infeliz descoberta. Ainda sou novo na doutrina, sendo assim peço que me esclareça: Minha atitude em permanecer com ela é correta? Qual o motivo para uma pessoa que diz que ama agir assim: obsessão? Como manter meu lar limpo, deixando esses desejos afastados de nós e, se for o caso, espíritos malfeitores também? Obrigado! ......"



Prezado _______________, bom dia.

Desculpe a demora em responder seu questionamento.

Perceba, meu irmão, que muito do que você me pede é um aconselhamento pessoal e, neste caso, nem eu nem ninguém tem o direito de dizer a você o que fazer... apenas você tem a liberdade de utilizar seu libre arbítrio e pesar os prós e contras que influenciarão suas decisões.

É importante também salientar dois pontos que acho necessários neste primeiro momento:
- Se ainda existe esta insegurança, desconfiança e tristeza imensa dentro de seu coração e porque, em verdade, ainda não existe o perdão deste erro; Perdão, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não é esquecer - apagar de nossa mente e coração - mas sim não desejar o mal àquela pessoa, conviver sem conflitos e compreender os erros e continuar em frente sem mágoas ou ressentimentos, porém nunca esquecendo o fato para que sirva de referência no futuro. E, pelo seu relato, ainda não percebo o perdão.
- O erro existe e sua esposa é responsável por ele; cabendo a ela o resgate posterior - agora ou mais tarde - deste erro; pois a lei de causa e efeito é incontestável; o que não deve acontecer, entretanto, é a condenação dela - uma vez que todos nós estamos passíveis de errar e de cair em tentações criadas em nós mesmos; Jesus convida os que nunca erraram a atirar a primeira pedra e ensina a fazer ao nosso irmão o que gostáríamos que fosse feito a nós.

Entendo, assim, que devam ser pesados todos os aspectos desta vida em conjunto e mensurados os esforços e sinceridades que estão reinando de você para ela e de ela para você.

Não devo opinar sobre qual postura ou atitude você deve tomar; posso, entretanto, fazer algumas observações à luz do espiritismo que podem auxiliar a esclarecer algumas de suas dúvidas.

"Sinto que permanecendo com ela estou agindo de maneira errada, mas não consigo abandoná-la e nem confiar plenamente, como antes."É natural este seu sentimento; a confiança é uma planta que tem que ser cultivada desde pequena, e quando algo ocorre que a quebra ou machuca ela leva um tempo para se recuperar e, algumas vezes, não consegue retornar ao mesmo nível de antes.

É, porém, importante perceber que a confiança é como uma "via de mão dupla". Tanto aquele que dá a confiança tem que se esforçar para doá-la quanto o que gerou o problema tem que se esforçar para conquistá-la. Enquanto não houver o esforço sincero e comum de ambos os lados ela não poderá ser restaurada.

Vale a pena lembrar também que, como toda cicatriz, a marca da confiança fica mais sensível e que, muitas vezes, sofremos quedas e abalos que deixam aquele pedaço de nós mais exposto, podendo haver recaidas de desconfiança e inseguranças que são completamente normais no processo de restauração de uma vida a dois. Estes momentos devem ser compreendidos também por ambos os lados e, cada um a seu modo, deverá fazer o esforço necessário e sincero para "curar" esta ferida.

"Minha atitude em permanecer com ela é correta? "Apenas você pode responder a esta pergunta, porque apenas você passou por este processo juntamente com ela e apenas você convive com sua companheira.

Se por um lado Jesus nos ensina a perdoar e a orar por aqueles que nos prejudicam(Mateus 5:44), por outro nos orienta a sermos dóceis como pombos porém astutos como as serpentes(Mateus 10:16); desta forma, eu particularmente, acredito que Ele tenha nos orientado a agir não somente baseados em sentimentos mas também em observações e prudência.

Assim, acredito que vale a pena uma análise sincera e imparcial, de forma a observar todos os âmbitos, méritos e deméritos da questão, o fator necessidade,o fator sinceridade, o fator amor, o fator convivência, compromisso, orgulho, histórico e etc para que você avalie e analise sua decisão de forma a responder sua própria questão.

"Qual o motivo para uma pessoa que diz que ama agir assim: obsessão? "Na questão 459 de "O livro dos espíritos" encontraremos a afirmação que os espíritos nos influenciam mais que pensamos; e a obsessão é o nome dado a influencia persistente de um espírito sobre outro; sendo sabido que esta obsessão pode acontecer de desencarnado para encarnado; de encarnado para desencarnado; de desencarnado para desencarnado e também de encarnado para encarnado.

Por sabermos deste fato normalmente temos o costume de sempre "culpar" os sofredores espirituais por tudo em nossas vidas - o que acho bastante injusto; pois se é certo que existem - e sempre existem - influencias externas para que nós cedamos e cometamos erros; é também correta a afirmação de kardec quando diz, no capítulo 24 de " O Evangelho segundo o espiritismo", que a semente só germina em terreno propício.

Por este motivo algumas pessoas cederão a influencias de um tipo, outras de outro, e assim por diante; Apenas podemos ser tentados ou influenciados por tendencias que trazemos dentro de nós, do nosso passado delituoso; e não poderia ser diferente.

Aquele que tem em seu passado histórico de suicídios, terá maior disposição para pensar em suicídio e enfrentará na vida situações que o coloquem a prova em suas tendencias. Da mesma forma ocorre com todas as outras limitações que temos: bebida, comida, sexo, drogas, alcool, etc...

Assim,querido amigo, os obsessores fazem sim parte do processo de enfrentamento de nossos próprios erros - onde saimos perdedores ou vitoriosos dependendo das escolhas que tomamos; mas ao final a escolha é sempre nossa. As questões 459 a 472 de "o livro dos espíritos" são de grande esclarecimento sobre este processo.

"Como manter meu lar limpo, deixando esses desejos afastados de nós e, se for o caso, espíritos malfeitores também?"Esta responsabilidade, meu irmão, não é exclusivamente sua. Principalmente porque você pode apenas ser responsável e procurar domar os SEUS instintos e inclinações; Nenhum de nós nunca poderá dominar o que anda no coração e na mente do próximo. Isto cabe a cada um - de acordo com o tesouro que traga dentro de seu coração.

Allan Kardec, em "o livro dos médiuns", esclarece que o melhor meio para afastar os espíritos sofredores é trazer os espíritos evangelizados para junto de nós; e apenas conseguimos isso trazendo para dentro de nós valores melhores e hábitos nobres e salutares; de forma a gerarmos ao nosso redor e interiormente uma aura/energia boa, que permitirá que, cada vez mais, entremos em sintonia com os espíritos mais evangelizados.

Muitas maneiras temos de construir esta modificação: oração, estudo, participação de campanhas sociais e visitas, palestras, passe, água fluidificada, entre outros. Porém tudo isto apenas surtirá efeito se nos dedicarmos com sinceridade e persistencia.

Acaso nosso interesse em uma melhora espiritual seja apenas momentâneo - ou insincero - acontecerá conosco o que Jesus relata em Mateus 12:43-45; nossas inclinações ao sofrimento retornarão e tomarão conta de nós, cada vez mais fortemente.

Para vencer os desejos e as tentações devemos buscar pensamentos e atitudes bons e nobres, ocupar a mente com boas leituras, bons filmes, viagens agradáveis, passeios, visitas a hospitais, abrigos ou orfanatos, etc.

Porém, devo salientar, este é um caminho de "mão dupla". E a experiencia nos mostra que apenas muda aquele que tem vontade real e percebe, arrependido, o mal que foi gerado de seus erros. Então, De nada adiantará caso apenas um dos dois tome esta decisão e não tenha o apoio e dedicação sincera do outro.

Meu irmão, peço desculpas se não respondi como desejaria, mas tenha certeza que vibro por você e fiz o melhor que pude em minha pequenez.

Paz contigo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Entendo meu irmão que foi traido,pois estou passando por isso agora,a dor é tão grande que mal consigo respirar,a minha provação esta sendo tão gigantesca que estou tendo que ter muito auxilio espiritual,aceitei a ideia de que tenho que passar por isso..Esse é meu segundo casamento e é a segunda traição e ambos nunca me deram motivos para desconfiar,ou seja a dor se potencia quando confiamos 100°/° em nosso companheiro pois a decepção é ainda maior por conta que a traição nos pega de surpresa sem nos dar tempo se quer de nos prepararmos pra ela.Estou como voce meu amigo,igualzinho mais ciente que preciso de tempo pra ouvir meu ser intimo,escultar meus mentores para que esse sofrimento não fique ainda maior que Deus nos ajude,e que ele permita que nossos irmão espirituais nos oriente....Que a Paz de Jesus esteja em nossos coraçãoes!

Anônimo disse...

Tenho muito a agradecer pelas palavras que não foram diretamente pra minha pessoa, mas me caíram como uma luva no momento que estou passando na minha vida. Me sentindo perdida, sem saber que rumo, que direção devo seguir e que decisões devo tomar... Perdoar eu perdoei, pois não desejo mal algum, pelo contrário, quero muito bem a ele. Mas devo aceitar e deixar pra trás a chance de ter outra vida e ser feliz, ou buscar a felicidade seja sozinha ou com outro alguém que possa de fato me fazer feliz...A vida é curta, já tenho 43 anos, ele 32...Penso que se isso está acontecendo agora, daqui a alguns anos como vai ser...E que chances terei de encontrar a felicidade? Pois também penso que se um dia ele quiser me trocar por outra, não terá piedade alguma em fazê-lo.

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