Animismo e mediunidade - Perguntas dos amigos



"... como se processa o animismo na mediunidade,de exemplos. ......"



Prezada __________, bom dia.

Por definição o animismo é uma expressão derivada do latim "anima" - Alma; então podemos caracterizar animismo com sendo qualquer expressão da alma do indivíduo - desde expressões emocionais até, no caso, expressões "mediúnicas".

Por muito tempo as comunicações anímicas em mesa mediúnica foram tratadas como "tabu" e preconceito por parte das equipes e dos orientadores encarnados, que viam nestas comunicações advindas da "alma" do médium como "mistificação".

Ao meu entender existe aí um grande mal entendido; a mistificação (enganação) é um ato proposital de uma pessoa tentar ludibriar os participantes de uma reunião fingindo dar passividade e comunicação de um espírito desencarnado. Infelizmente este fato é mais comum do que desejaríamos e muitas pessoas, inclusive, transformam esta mistificação em fonte de renda e manipulação para com outros mais crédulos e inexperientes.

Este tipo de atitude fez com que, por muito tempo, no meio espiritualista - espírita inclusive - se tomasse por mistificação toda e qualquer expressão de comunicação que não fosse realmente mediúnica - lembrando que comunicação mediúnica é aquela onde existe um espírito comunicando através do espírito do médium, ou seja o médium é apenas intermediário do espírito comunicante.

Felizmente o estudo e o crescimento moral e intelectual dos homens fez com que fosse percebido o erro cometido e hoje já se aceita as comunicações anímicas de médiuns como um fator normal e natural ao desenvolvimento do mesmo e ao trabalho mediúnico.

E, na minha opinião, não poderia ser diferente.

Aprendemos com a prática espírita que a reunião mediúnica é o momento e local apropriado para auxílio dos espíritos sofredores, não é isso? Então partindo desta premissa porque não compreender que a reunião mediúnica é o local para auxílio e socorro de TODOS os espíritos sofredores - desencarnados e encarnados também - compreende?

Percebamos que o indivíduo portador da mediunidade é, como todos nós, também um espírito endividado com seu passado e repleto de vivências e experiencias marcantes e traumáticas em sua história pregressa - muitas das quais deixaram marcas indeléveis em sua psique.

Este espírito, é sabido por todos que estudam seriamente a mediunidade, no momento do transe mediúnico está mais liberto das travas do corpo físico - de forma a contactar com mais facilidade o mundo espiritual - e que, neste momento, os laços interiores de sua psique também se tornam mais tênues, frágeis e podem ser acessadas - inclusive pelos espíritos comunicantes - suas memórias e conhecimentos dos arquivos perispirituais.

Em situações assim pode o médium, inclusive, revivenciar fatos e memórias de suas existencias anteiores e, em alguns casos, estas personalidades anteriores podem assumir novamente a dominancia daquele espírito e relatar, conversar e dar comunicações "mediúnicas" do espírito do médium - o chamado animismo.

Tecnicamente não pode ser caracterizada como mediúnica - pois não existe um espírito externo se comunicando - mas certamente é uma personalidade espiritual diferente da dominante nesta encarnação que se comunica naquele momento - inclusive sem o conhecimento consciente do médium - que se torna intermediário de si mesmo.

Entendo, então, que seja natural - e até estimulado pela espiritualidade superior - momentos assim, quando o médium, em sua psique multiexistencial, traz em sí tormentos e traumas que possam ser amparados, auxiliados e solucionados em uma mesa mediúnica, entende?

Acho natural que a espiritualidade - que nos conhece melhor que nós mesmos - deseje "arrumar a casa" psíquica do médium e, para isso, permita e estimule este tipo de comunicação anímica para que possa ser auxiliado o espírito do próprio médium, harmonizando e preparando-o cada vez mais para o trabalho desenvolvido por ele e pela equipe.

Me atrevo ainda a afirmar que acho muito difícil um médium nunca ter dado comunicações anímicas, principalmente no início de sua educação mediúnica, até porque para o médium iniciante não existe diferença entre as percepções mediúnicas e as anímicas - se tornando praticamente iguais.

Este é, ao meu ver, a grande diferença entre animismo e mistificação; infelizmente algumas pessoas ainda não conseguiram compreender este aspecto da psique humana, mas percebo cada vez mais as limitações e preconceitos caindo para que possamos agir com fraternidade e caridade aos que necessitam de nosso apoio e compreensão.

Você solicita exemplos sobre animismo e, embora não ache realmente necessário, vou citar a seguinte possibilidade:

imaginemos um médium trabalhador espírita que tenha sido em sua encarnação anterior um feitor de escravos e que, ao desencarnar, tenha sido recolhido, estudado, se arrependido verdadeiramente e solicitado uma nova reencarnação tendo a mediunidade como ferramenta de resgate e auxílio aos que ele fez sofrer anteriormente.

Sua vida prossegue, ele inicia os trabalhos mediúnicos com intenções verdadeiras e em uma determinada reunião é trazido à sala o espírito de um dos escravos que ele maltratou e matou em sua encarnação anterior.

Ao sentir a energia do espírito - inconscientemente e automaticamente - seu espírito "lembra" do passado e surgem em sua psique inconsciente as lembranças das vivencias passadas e o profundo arrependimento que ele vivenciou antes de reencarnar.

Estes sentimentos e energias podem ser suficientes para disparar um gatilho espiritual que "liberte" aquela personalidade anterior e que surja - sem que ele tenha controle ou consciencia - uma comunicação do espírito do médium, chorando arrependido e desejando o perdão dos que maltratou, sendo assim atendido pelo doutrinador e amparado, aliviando o pesar e a tristeza, equilibrando mais a sua personalidade e, por consequencia, harmonizando mais o médium que poderá dar continuidade aos trabalhos de atendimentos aos que maltratou com mais tranquilidade e amor verdadeiros, sem traumas ou empecilhos; compreende?

Esperto ter sido de alguma ajuda.

Paz contigo.

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