Casamento entre pessoas de religiões diferentes - Perguntas dos amigos




"... Olá meu irmão! me chamo ________ e desde peuqeno sempre li sobre o espiritismo e as vezes freuqentei casas espiritas.Porem eu me casei com uma pessoa que é de outra religião, ela é uma testemunha de Jeová.e detesta que eu comente sobre o espiritismo e não suporta a ideia de que eu vá a alguma reunião.eu a amo e somos muito felizes...mas sinto falta.o que fazer? ponho meu casamento em risco indo as reunioões ou me resigno a viver longe do espiritismo?obrigado pela atenção. ......"


Prezado ___________, bom dia.

Perdoe pela demora em responder seu questionamento.

Você solicita, querido irmão, um conselho de ordem particular ao qual não me julgo competente para opinar; pois cabe apenas a você decidir o que deve fazer em relação a sua convivência pessoal.

Posso, entretanto, uma vez que foi aberta a oportunidade, dar minha opinião sobre a situação em si, de um âmbito geral.

O casamento entre pessoas de ideologias diferentes - quer seja religiosa, político-partidária, social ou outra - sempre representa um desafio a ser enfrentado e vencido pelos cônjuges - unidos em conjunto; principalmente porque acredito que ninguém case com outra pessoa sem conhecê-la bem e sem ter este tipo de informação sobre o futuro cônjuge.

Portanto uma vez que aceitamos casar com uma pessoa e conhecemos suas "qualidades" e "defeitos" estamos também assumindo um compromisso com o "bom andamento" do casamento e com a aceitação e convivência com as diferenças que existam.

É bom perceber que, para um bom relacionamento entre o casal, sempre que não se conseguir atingir um ponto em comum, alguém terá que estar disposto a abrir mão, ceder ou mudar de opinião em determinados momentos - um ou outro de acordo com o momento ou o assunto - pois se ambos mantiverem suas opiniões e se negarem a entrar em acordo ou ceder este relacionamento está fadado a ter muitas brigas e discussões e, provavelmente, um final breve.

O amor é o norte que campeia todo relacionamento sério e verdadeiro; então deve ser o que nos guia para tomarmos as decisões mais acertadas.

Eu, de minha parte, tive a "sorte" de encontrar uma companheira espírita também, e que trabalha na mesma medida que eu pela doutrina, se não mais...

Entretanto conheço muitas pessoas que não tiveram esta mesma oportunidade nesta encarnação e que enfrentam diversas situações por conta disso - umas favoráveis outras nem tanto.

Acredito eu, meu irmão, que Jesus está em todas as casas de oração onde seu nome é reverenciado com amor e verdade e onde são atendidos os sofredores da carne e do espírito. Portanto nenhuma religião pode ter a pretensão de ser a expressão da verdade e desejar a exclusividade do bem ou de Deus.

A exemplo da própria religião de sua esposa - que é um ramo do cristianismo, por muitos considerado uma seita herética e que, por isso mesmo, sofre tanto preconceito quanto o espiritismo por parte de diversas outras religiões menos compreensivas e mais ortodoxas - devemos aprender a compreender que um Deus que prega o amor como regra de vida não pode aceitar o separatismo ou o preconceito como atitude por parte de seus seguidores. Jesus mesmo nos afirma que tem "outras ovelhas que não são deste rebanho"(João 10:16) nos mostrando a universalidade do alcance de seu amor e ensinamentos.

Lembremos, ainda, a afirmação de Jesus que "meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem"(João 13:35) e busquemos colocá-la em prática; amando, compreendendo e perdoando os erros, críticas e exageros cometidos pelos nossos próximos.

Não estou com isto acusando sua esposa ou outras pessoas; apenas exemplifico e coloco minha opinião de forma geral; pois muitos espíritas também existem que preconceituam e criticam sem observar o julgamento que realizam, esquecendo que o Mestre orienta "não Julgueis"(Mateus 7:1)

Acredito, querido irmão, que o melhor caminho para o seu caso é o diálogo franco e aberto, com considerações lógicas e pautadas na justiça e equidade que deve orientar um relacionamento saudável; pois uma vez que o outro tem o direito de buscar sua religião, porque não podemos nós também??? Acaso esta religião nos transformará em pessoas piores? não creio.

Converse, observe e pese bem as causas e consequências de qualquer decisão que venha a tomar; lembre-se que, ainda que tenhamos que deixar a casa espírita, o espiritismo poderá viver dentro de nós... A exemplo da própria Joana de Cusa no livro "Boa Nova" de Humberto de Campos e Chico Xavier - vale a pena a leitura, poderá encontrá-lo em www.biblioteca.radiobomespirito.com

Perceba, meu irmão, que a união entre duas pessoas que se amam deve ser pautada no amor, compreensão, cumplicidade e respeito que tenham entre sí; é isto que fortalece o compromisso e o sentimento e que, algumas vezes, alguns sacrifícios são necessários para que estejamos em harmonia com aqueles que nos são caros e importantes - de um lado ou de outro.

Espero ter sido de alguma ajuda.

Paz contigo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu, que era espírita, casei com uma moça que era evangélica desde que nasceu, assídua frequentadora da Igreja Universal, que é uma das mais intolerantes com as outras religiões. O pastor disse que nunca seriamos felizes e no atendimento fraterno da casa espírita me disseram que eu precisaria de muito amor para que esse relacionamento desse certo, pois não seria fácil. Desde o início nem eu nem ela tolerávamos a religião do outro, mas não discutíamos muito as diferenças e muito menos proibíamos o outro de frequentar o lugar que queria ir. Lembra no início que eu disse que eu "era" espírita e ela "era" evangélica? Pois é... Com o tempo algumas coisas mudaram. Houve um pouco de abertura de consciência na gente. Temos uma visão mais aberta sobre espiritualidade em geral, pois na real não somos espíritas, budistas, católicos, evangélicos, etc. Estes são só papeis que assumimos no mundo, assim como tantos outros. Que todos nós possamos ter uma abertura de consciência cada vez maior.

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