Mediunidade e Animismo - Perguntas dos amigos




"... Meu irmão, tenho 18 anos e trabalho na reunião mediúnica do Centro Espírita que frequento a uns _____ meses. Tenho dado algumas comunicações que acho serem minhas. Só que além de ficar em dúvida, tenho vergonha de expor essa minha preocupação. Como posso me portar diante dessa situação? ......"



Prezado ______________, bom dia.

Perdoe a demora em responder seu questionamento.

Perceba, querido irmão, que o animismo é um processo natural na mediunidade... me atrevo a dizer que é um caminho que tem que ser percorrido para que o médium conheça sua faculdade de adestre a mesma.

Antigamente o animismo era muito confundido com MISTIFICAÇÃO e por isso mesmo todos tinham medo ou preconceito quanto a isso; mas hoje, com os estudos mais avançados e a compreensão maior de nossas falhas, podemos perceber que todo médium tem uma influencia anímica em suas comunicações - maior ou menor de acordo com sua capacidade de "controlar" sua interferencia na comunicação.

Perceba que os próprio espírito comunicante utiliza as ferramentas e o conhecimento do médium para "embasar" sua comunicação e facilitar a utilização das palavras ou expressões que utilizar.

Um exemplo clássico de animismo são as expressões "mãezinha", "paizinho" e outas assim utilizadas por Chico Xavier em suas cartas familiares... Perceba que ali era o alívio psicológico que Chico colocava nas cartas, abrandando muitas vezes o sofrimento do espírito comunicante e adoçando as palavras que chegavam aos familiares.

Eu mesmo como médium, em comunicações de muito sofrimento, tenho a capacidade de "limitar" as expressões utilizadas pelos espíritos comunicantes e substituir expressões violentas e depreciativas por outras mais leves; bem como dominar a vontade de levantar, agredir, etc...

Tudo isso, meu irmão, são expressões do animismo que existe na mediunidade.

O grupo mediúnico, entretanto, deve ser uma equipe onde tenhamos segurança e confiança para divulgar nossas dúvidas e receios, pois devemos contar com a compreensão e auxílio de companheiros mais experientes na mediunidade, trocando informações, experiencias e adquirindo segurança através da prática de uma mediunidade segura.

Devo afirmar, meu irmão, que quando li seu relato achei você muito novo. E me sinto na obrigação de dividir algumas observações contigo, de modo que possa se sentir mais seguro quanto sua mediunidade:
- Não tenha pressa em mediunidade, tudo deve vir ao seu tempo e com o apoio seguro da espiritualidade da casa;
- Não se cobre comunicações em todas as reuniões, nem fique ansioso por dar comunicações, bem como não se deixe cobrar pelas ideias de outras pessoas que acreditam que médium tem que dar comunicação sempre. A pressa e a ansiosidade são tropeços a mediunidade;
- busque conhecer suas tendencias, expressões e capacidades, para que possa identificar em suas comunicações o que é seu e o que é do espírito;
- Busque conhecer seus sentimentos e identificar as ocasiões em que eles acontecem, para que não se deixe influenciar pelos sentimentos dos espíritos comunicantes fora da casa espírita;
- evite ocasiões e locais onde irá encontrar energias desequilibradas, pois elas podem te prejudicar e abrir influencias indesejadas;
- mediunidade não é obrigação de trabalho mediúnico, mas é compromisso que necessita sempre de estudo e autocontrole;
- Não se deixe iludir pela vaidade nem pelos elogios. Sempre analise, medite e aceite criticas construtivas em suas comunicações, conforme orienta Kardec.

Perceba, meu irmão, que o animismo não é o bicho que muitos pintam; e que o médium necessita de apoio, estudo e compromisso para desenvolver bem suas atividades.

Caso seja necessário, entre em contato novamente.

Paz contigo.

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