Anjos Decaídos - Perguntas dos amigos

Olá João! Gostaria de vc me explicasse sobre a teoria dos anjos decaidos. Estou buscando estes conhecimentos, pois qdo criança aprendi que houve uma rebelião nos céus liderada po Lúcifer, que por sua vaidade queria tomar o lugar do Pai e que um terço dos anjos o seguiu. Que os espíritos que seguiram Jesus, estão neste mundo "vestindo"um corpo e seus opositores "desceram" para cá somente em espírito e não passaram pelo véu do esquecimento como nós. Obrigada e muita paz.


Querida _____________, bom dia.

Perdoe a demora em responder.

Levando em consideração seu questionamento quero esclarecer que tudo o que vou responder aqui representa a minha opinião particular, de acordo com meus estudos espíritas, e não a opinião da Doutrina Espírita em si. Para um maior e melhor esclarecimento sobre o assunto pode buscar as informações e análise de Allan Kardec no livro "o céu e o inferno" capítulo 9 da primeira parte - que considero leitura obrigatória.

Esta ideia - dos anjos decaídos - é um dogma firmado pela igreja desde os tempos medievais que teve origem na luta moral e subconsciente entre o bem e o mal que existe dentro de nós desde sempre. Pois sempre tivemos, e ainda temos, a necessidade de "culpar alguém" pelos nossos desvios e erros cometidos, um fator natural de uma humanidade que ainda não tem sua consciencia ou responsabilidade totalmente despertas.

Por este motivos vamos sempre encontrar nas culturas humanas a figura do criador e de seu adversário - independente de nomes - e que no Cristianismo assumiram o nome de Deus e Lúcifer.

É interessante observar que os anjos - de acordo com estas opiniões - foram seres criados por Deus já perfeitos e com o objetivo de servirem aos homens; motivo este que levou com que o "mais perfeito" se sentisse humilhado e se rebelasse contra o criador e tentasse assumir o poder.

Outras ideologias acreditam que dos demônios tenham sido criados já assim: personificações do Mal, e destinados a praticar a maldade e o horror por toda a eternidade.

Alguma ainda acreditam que este ser "maléfico" não pode ser derrotado, e por isso existe uma luta eterna entre o bem e o mal pelos nossos corações.

Em minha pequena opinião acredito que estas ideologias apresentam desvios de observações e erros grandiosos em suas concepções.

Observando, em concordância com a Doutrina Espírita, perceberemos que Deus é a suprema perfeição. Por definição de kardec: "único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições". Evidenciando assim um Deus que não pode errar ou se arrepender; que não pode criar algo simplesmente ruim ou que deseje o mal dos homens; caso assim fosse - se apresentasse um defeito ou um erro sequer - não seria Deus, porque não seria perfeito.

Jesus nos afirmar inúmeras vezes que Deus é amor e que é Pai; e neste caso qual o pai que nos desejará mal? O Mestre chega a dizer que nós que somos imperfeitos se o nosso filho nos pede pão não damos uma pedra e se nos pede peixe não damos uma serpente; quanto mais o Pai maior não fará por nós, e nunca nos dará algo que seja par ao nosso mal.

Então podemos perceber que Caso os anjos fossem criados já perfeitos - o que seria uma grande injustiça de Deus para com todos nós que temos defeitos - Eles representariam espíritos puros; e observaremos na questão 118 de "o livro dos espíritos" que o espírito não retrograda - não se torna pior, não retrocede em seu adiantamento moral - portanto NUNCA poderia acontecer de um espírito puro ter sentimentos como orgulho, inveja, maldade, etc. E por isso mesmo não seria possível a esta equipe de anjos terem se revoltado contra o Criador - que por si só já seria muito fraco pois sendo perfeito e onisciente haveria criado "filhos perfeitos" que iriam dar defeito.

Por este motivo a Doutrina espírita orienta que os anjos são os espíritos das humanidades universais que, através de seus esforços no bem e amadurecimento espiritual, conseguiram o nível de espíritos puros, sendo os representantes de Deus nos diversos mundos do universo; como encontraremos nas questões 100 a 113 do "livro dos espíritos".

Acaso estes espíritos já houvessem sido criados maus, sem nenhuma possibilidade de remissão, sem condições de praticarem o bem, e vivendo eternamente apenas para prejudicar os homens; isto me leva a pensar que tipo de pai seria este? Que Deus revelaria, através de seu representante, a parábola da ovelha perdida ou da dracma perdida e praticaria um ato de crueldade tão grande para com estes espíritos? Que Deus seria este que afirmaria "não quero a morte do ímpio, mas que este se redima e viva"(Ezequiel 33:11) e que cria espíritos fadados a ficarem no mal e no sofrimento eternamente, sem chance de redenção?

Para o espiritismo os "demônios" como entidades que nos influenciam para o mal e que desejam nos prejudicar cada vez mais, são os espíritos dos homens que, endurecidos em seus sentimentos e primitivos em sua moral, ao desencarnar continuam com as práticas de maldade e sofrimento que tinham quando encarnados. O espiritismo nos orienta que muitos de nossos adversários no mundo físico assim continuarão no mundo espiritual e que, por não terem sentimentos agradáveis para conosco, tentarão nos influenciar para o mal e nos prejudicar - este o significado de obsessão espiritual; este processo, entretanto, não é eterno e imutável; a estes espíritos é dado - em todos os tempos - a chance de se redimir e modificar seus pensamentos, sentimentos e atitudes. E sempre que assim desejarem o caminho do crescimento e amadurecimento espiritual está aberto para eles e Jesus os espera como guia para que possam sempre ser resgatados.

Para aqueles que acreditam que este ser "maléfico" não pode ser derrotado e que esta briga tem que prosseguir eternamente, eu muitas vezes me pergunto: será que esta entidade demoníaca é tão poderosa que não pode ser derrotada? Porque se for Deus não é onipotente, e neste caso não seria Deus. Ou então, se o demônio é tão poderoso quanto Deus - porque este não pode derrotá-lo - existem dois deuses - um bom e um mal. O que sabemos não pode ocorrer. Então podemos perguntar que entidade tão poderosa é esta que não conseguimos derrotá-la?

Para este questionamento o espiritismo nos orienta que cada um de nós tráz interiormente - em nosso atual estágio evolutivo - sementes de todos os sentimentos e de todas as tendencias; e que estas sementes, de acordo com o direcionamento e os desejos que temos, eclodem em nós gerando sentimentos, comportamentos, pensamentos e hábitos que serão de acordo com o que alimentarmos interiormente.

Muitas vezes estes sentimentos negativos e maldosos são mais agradáveis aos nossos sentidos e, embora muitas vezes saibamos que esteja errado optamos por fazer as atitudes que prejudicam aos outros e a nós mesmos; Por este motivo, inconscientemente, sempre temos o desejo de culpar a outra pessoa - ou entidade - e escapar de nossas consciencias culpadas. Assim, criamos em nós as portas que atraem os espíritos em sofrimento para que sintonizemos com eles cada vez mais, e alimentamos em nós mesmos esta "invencibilidade" de um inimigo que vive em nós mesmos; pois "a boca fala do que o coração está cheio".

O espiritismo esclarece que Deus respeita o nosso livre arbítrio e que temos toda uma eternidade para aprendermos com as nossas reencarnações - algumas repletas de dor e sofrimento outras de paz e amor, de acordo com o que houvermos plantado para nossa colheita. 

Cabe, então, a nós mesmos derrotarmos estes sentimentos que trazemos em nosso espírito, e assim vencermos a nós mesmos, amadurecendo e crescendo espiritualmente, buscando a tão sonhada harmonia e plenitude.

O espiritismo nos esclarece ainda, minha irmã, que esta simbologia da "queda dos anjos" vem representar em nosso subconsciente o processo que a Terra passou a cerca de 20 mil anos atrás - em parceria com o planeta Pamir, do sistema de Capela - quando os espíritos ainda maldosos e sofredores daquele orbe necessitaram deixar seu planeta, que estava em progresso para se tornar mundo de regeneração, para vir a Terra - um mundo evolutivamente inferior - e através das lutas e experiencias vivenciadas aqui eles tiveram a oportunidade de se redimirem e retornarem ao seu mundo natal.

a queda dos anjos surgiu da simbologia de espíritos evolutivamente superiores que  vieram a um mundo de sofrimentos para padecer e crescer espiritualmente.

Certamente todo este processo ficou muito marcado em nossos espíritos e foi retratado, pela nossa imperfeição, como a queda dos anjos par ao inferno.

Caso deseje ler um pouco mais sobre o assunto "capela" existe uma série de posts aqui no blog que poderão te auxiliar.

Peço perdão pela extensão da resposta e espero haver esclarecido da maneira que você desejava.

Paz contigo.

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