Adultério com consentimento - Perguntas dos Amigos

Meu marido, por nunca ter ficado com outra mulher além de mim, quer que eu o ajude a encontrar uma mulher com quem ele possa ter um relacionamento sexual apenas. 
Isto é correto? 
Porque não seria uma traição, posto que não seria escondido, mas me magoa. 
Por favor preciso de ajuda! 
Obrigada 



Prezada _____________, bom dia.

O que me pede como uma orientação pessoal não tenho o direito de fazer, pois você deve tomar as suas decisões através de seu livre arbítrio e construir assim o seu caminho.

Entretanto posso tecer alguns comentários à luz do espiritismo que podem te auxiliar a ponderar e escolher o que te achar mais pertinente.

Allan Kardec em "o livro dos espíritos" vai analisar a temática "poligamia" - relacionamentos diversos - nas questões 700 e 701. Vale a pena uma leitura rápida do conteúdo para uma observação mais direta.

Percebemos que em todas as sociedades que vão evoluindo socialmente, e mesmo nas que insistem em continuar com tradições antigas e que espelham uma sociedade primitiva, os indivíduos vão amadurecendo espiritualmente e se evangelizando de forma a respeitar e interagir mais com seus cônjuges.

O desejo pela variedade sexual denota ainda um maior traço de primitivismo e de predominância dos instintos sobre o intelecto e a razão. 

E, de minha opinião pessoal e sem querer ser portador da verdade, embora a argumentação de seu esposo seja "por curiosidade" ou "para conhecimento" acredito que no fundo do fato exista esta necessidade de satisfazer instintos ainda em processo de sublimação.

O ditado popular afirma que "entre quatro paredes tudo é permitido" o que acredito ser verdadeiro, desde que seja consensual e de mútuo acordo. 

Acredito entretanto que ao casal que se ama e vive uma vida sexual saudável e harmoniosa não sejam necessários sacrifícios e imposições a nenhuma das partes, gerando desconforto e desgosto; pois quando existe este tipo de sentimento em um relacionamento é o indício que algo está errado e alguém está sendo prejudicado / magoado.

O casamento, como o espiritismo o compreende - e independente das ideologias religiosas que acreditam que o sacramento ou o dogma é "para sempre" simplesmente porque está escrito em um papel e em um livro no templo - existe enquanto na relação existir amor, companheirismo, cumplicidade e respeito. Uma vez que estes sentimentos, e suas consequentes atitudes, deixem de existir, o casamento - que é a união espiritual harmônica entre dois seres - também deixou de existir.

Desejos deste tipo podem ser fruto de diversos fatores, internos e externos, entre eles:

- desejos do consciente ou inconsciente da própria pessoa que anseia por satisfazer as sensações e o prazer carnal
- influencias de espiritos desencarnados ou encarnados que convivam com o indivíduo - embora devamos sempre observar que este tipo de influencia somente encontra espaço onde exista a base para seu crescimento
- cultivo de fantasias de ordem sensual/erótica para atender pensamentos e desejos pessoais na área da sensualidade; etc.

No mundo onde TODOS estagiamos é natural que tenhamos este tipo de pensamento, desejo, interesse - pois todos somos mais materiais que espirituais. Todos ainda estamos mais próximos do início de nossa caminhada do que do objetivo final.

Entretanto é necessário observar que o intuito de nossa existência em uma terra de expiações e provas é exatamente o de vencer nossas tentações e sublimar os desejos e interesses mais primitivos e instintivos.

Sabemos que tanto espiritualmente quanto psicologicamente os espíritos encarnados em polaridades masculinas e femininas tem divergências em tendências, compreensões, necessidades, pensamentos, desejos e reações; Notadamente no polo masculino o interesse, desejo e sintonia com as sensações sexuais são mais ativas e presentes.

Entretanto o dever de sublimarmos as nossas más inclinações cabe a todos nós, indistintamente de nossa polaridade sexual. O que não quer dizer que não vamos praticar sexo.

O sexo como instinto natural do homem deve ser praticado sim; entretanto de forma sadia, respeitosa e consensual; para que haja a troca das experiências e hormônios sexuais equilibradores e restaruadores entre as criaturas de que amam. 

Outro fator a se observar é que na grande maioria das vezes as idéias com conteúdo sensualista / erótico geram, a partir de nós, energias e formas pensamento repletas deste tipo de fluido; o qual serve para atrair e alimentar junto a nós espíritos que desejam este tipo de sensação e prazeres. As energias que enviamos são um tipo de convite ao mundo espiritual a nossa volta e assim muitos espíritos vem nos acompanhar pois tem sintonia com os nossos desejos.

Este tipo de sintonia e atração termina na maioria das vezes dando início a processos obsessivos que podem perdurar muito tempo e desequilibrar, em diversos níveis e setores, o indivíduo que abriu sua guarda através dos desejos menos nobres.

Assim, querida irmã, posso te esclarecer que na ótica espírita religiosa este é um comportamento que não é aconselhável, mesmo sendo de seu conhecimento, pois alimenta / origina toda esta série de situações que expliquei acima.

Entretanto você é livre para agir de acordo com seu livre arbítrio e o que achar mais acertado e melhor para com seu marido, sua relação e você mesma.

Transcrevo abaixo um pedaço da obra "evolução em dois mundos" do espírito André Luiz que nos fala um pouco sobre o sexo como elemento Criador e sublimador do ser humano; bem como objeto enraizador do homem nas dores educativas do mundo:

"EVOLUÇÃO DO AMOR — Entretanto, importa reco­nhecer que à medida que se nos dilata o afastamento da animali­dade quase absoluta, para a integração com a Humanidade, o amor assume dimensões mais elevadas, tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência.
Nos primeiros, cujos sentimentos se alteiam para as Esfe­ras Superiores, o amor se ilumina e purifica, mas ainda é instin­to sexual nos mais nobres aspectos, imanizando-se às forças com que se afina em radiante ascensão para Deus.
Nos segundos, cujas emoções se complicam, o amor se requinta, transubstanciando-se o instinto sexual em constante exigência de satisfação iinoderada do “eu”.
De conformidade com a Psicanálise, que vê na atividade sexual a procura incessante de prazer, concordamos em que uns, na própria sublimação, demandam o prazer da Criação, identificando-se com a Origem Divina do Universo, enquanto que outros se fixam no encalço do prazer desenfreado e egoístico da auto-adoração.
Os primeiros aprendem a amar com Deus.
Os segundos aspiram a ser amados a qualquer preço.
A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnêticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, cargas que se caracterizam com potenciais ní­tidos de atração no sistema psíquico de cada um e que, em se acumulando, invadem todos os campos sensíveis da alma, como que a lhe obliterar os mecanismos outros de ação, qual se esti­véssemos diante de usina reclamando controle adequado.
Ao nível dos brutos ou daqueles que lhes renteiam a con­dição, a descarga de semelhante energia se efetua, indiscrimina­damente, atravês de contatos, quase sempre desregrados e infelizes, que lhes carreiam, em conseqüência, a exaustão e o sofri­mento como processos educativos.
POLIGAMIA E MONOGAMIA — O instinto sexual, en­tão, a desvairar-se na poligamia, traça para si mesmo largo ro­teiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos.
Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da res­ponsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositi­vo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos superiores.
O instinto sexual nessa fase da evolução não encontra ale­gria completa senão em contato com outro ser que demonstre plena afmidade, porqüanto a liberação da energia, que lhe é pe­culiar, do ponto de vista do governo emotivo,solicita compen­sação de força igual, na escala das vibrações magnéticas.
Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espon­tâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, natural­mente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do ra­ciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recur­sos ativos e passivos, na constituição do binário de forças, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de ou­tras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Cria­ção Divina.
ALIMENTO ESPIRITUAL — Há, por isso, consórcios de infinita gradação no Plano Terrestre e no Plano Espiritual, nos quais os elementos sutis de comunhão prevalecem acima das linhas morfológicas do vaso físico, por se ajustarem ao sis­tema psíquico, antes que às engrenagens da carne, em circuitos substanciais de energia.
Contudo, até que o Espírito consiga purificar as pró­prias impressões, além da ganga sensorial, em que habitual­mente se desregra no narcisismo obcecante, valendo-se de outros seres para satisfazer a volúpia de hipertrofiar-se psi­quicamente no prazer de si mesmo, numerosas reencarnações instrutivas e reparadoras se Lhe debitam no livro da vida, por­que não cogita exclusivamente do próprio prazer sem lesar os outros, e toda vez que lesa alguém abre nova conta resgatável em tempo certo.
Isso ocorre porque o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na per­muta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso.
Os espíritos santificados, em cuja natureza superevolvida o instinto sexual se diviniza, estão relativamente unidos aos Es­píritos Glorificados, em que descobrem as representações de Deus que procuram, recolhendo de semelhantes entidades as cargas magnéticas sublimadas, por eles próprios liberadas no êxtase espiritual.
De outro lado, as almas primitivas comunmente lhe gastam a força em excessos que lhes impõem duras lições.
Entre os espíritos santificados e as almas primitivas, mi­lhões de criaturas conscientes, viajando da rude animalidade para a Humanidade enobrecida, em muitas ocasiões se arrojam a experiências menos dignas, privando a companheira ou o companheiro do alimento psíquico a que nos reportamos, interrompendo a comunhão sexual que lhes alentava a euforia, e, se as forças sexuais não se encontram suficientemente controladas por valores morais nas vítimas, surgem, freqüentemente, longos processos de desespero ou de delinqüência.
ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL — As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro íntimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espiri­tuais de ciúme ou despeito. À face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo.
Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos de­correntes dotrauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a “histeria de conversão”, a “histeria de angústia”, os “desvios da libido”, a neurose obsessiva, as psicoses e as fi­xações mentais diversas que originam na ciência de hoje as in­dagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfe­ra da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, por­que apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigo­so desequilíbrio.
Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicos­somáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porqüanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e as­sociados de destino, entre as fronteiras domésticas, todos aque­les que constituímos credores do nosso amor e da nossa renún­cia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.
Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a ex pressar-se no corpo espiritual, e conseqüentemente no corpo fí­sico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo."

Espero ter sido de alguma ajuda.

Paz contigo.



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