Desencarne sequencial em família - Perguntas dos Amigos

Surgiu um questionamento sobre a família da minha esposa. A mãe dela foi assassinada, depois o filho matou o pai; esse filho foi assassinado; três irmãs da mãe dela morreram sequencialmente de câncer. Há uma explicação para isso?


Prezado _____, bom dia.

Este tipo de acontecimento é um fato deveras triste, embora muito interessante e realmente passível de uma análise.

Sabemos que a grande maioria de nós reencarnamos em grupos familiares onde estão presentes nossos companheiros e comparsas das existências anteirores; neste grupo encontraremos sempre pessoas que nos amam, que sintonizam conosco, que não nos amam, que praticaram delitos conosco no passado, que foram vítimas ou verdugos de nossos sofrimentos e maldades, etc.

Desta forma muitas vezes em nossas diversa encarnações estaremos em grupos familiares, sociais, profissionais, emocionais, etc. os quais necessitarão de resgates sintonizados, coletivos ou sequenciais, de forma a extinguir as necessidades de reparação do passado. Os erros cometidos coletivamente em experiencias passadas podem - e muitas vezes devem - ser resgatados também em coletividades.

Daí o termo "resgates coletivos" aos quais damos quase sempre o sentido de desastres e calamidades grandiosas ou tragédias e acidentes aéreos, ferroviários ou incêndios, tsunamis e terremotos.

Esquecemos que "coletividades" também são cidades, bairros, ruas, sociedades, grupos de indivíduos e, também, famílias... 

Desta forma o acontecido com a família de sua esposa - e com outras ao redor do mundo - muito provavelmente se aplica neste tipo de acontecimento.

Embora não devamos esquecer ou negligenciar a interferência direta do livre arbítrio dos envolvidos - diretamente ou indiretamente - principalmente nos processos de assassinato; onde pode ter havido interferência na programação do gênero de morte do indivíduo; sem que houvesse, entretanto, alteração no comprometimento dos envolvidos, pois que a justiça divina não permitiria que alguém sofresse um desencarne doloroso e brutal se não houvesse comprometimento anterior com a violência e dor, compreende?

Os fatos das irmãs que desencarnaram de doenças fatais demonstra mais claramente a ação da programação e do resgate em ação; e embora seja doloroso e triste para os que ficam, devemos enxergar como a libertação dos espíritos envolvidos de uma carga pesada e cansativa - quando enfrentam o processo com resignação e fé.

Encontraremos no livro "Obras Póstumas" uma mensagem do espírito Clélia Duplantier que esclarece e exemplifica bem o que citamos acima. Transcrevo o mesmo abaixo para leitura e reflexão:

"Pergunta. – O Espiritismo nos explica perfeitamente a causa
dos sofrimentos individuais, como conseqüência imediata de
faltas cometidas na existência presente, ou expiação do
passado; mas, uma vez que cada um não deve ser
responsável senão pelas suas próprias faltas, explicam-se
menos as infelicidades coletivas que atingem as aglomerações
de indivíduos, como, por vezes, toda uma família, toda uma
cidade, toda uma nação ou toda uma raça, e que atingem os
bons como os maus, os inocentes como os culpados.

Resposta. – Todas as leis que regem o Universo, quer sejam
físicas ou morais, materiais ou intelectuais, foram descobertas,
estudadas, compreendidas, procedendo do estudo e da
individualidade, e do da família à de todo o conjunto,
generalizando-as gradualmente, e constatando-lhe a
universalidade dos resultados.
Ocorre o mesmo hoje para as leis que o estudo do Espiritismo
vos faz conhecer; podeis aplicar, sem medo de errar, as leis
que regem a família, a nação, as raças, o conjunto de
habitantes dos mundos, que são individualidades coletivas. As
faltas dos indivíduos, as da família, as da nação, e cada uma,
qualquer que seja o seu caráter, se expiam em virtude da
mesma lei. O carrasco expia para com a sua vítima, seja
achando-se em sua presença no espaço, seja vivendo em
contato com ela numa ou várias existências sucessivas, até à
reparação de todo o mal cometido, Ocorre o mesmo quando
se trata de crimes cometidos solidariamente, por um certo
número; as expiações são solidárias, o que não aniquila a
expiação simultânea das faltas individuais.
Em todo homem há três caracteres: o do indivíduo, do ser em
si mesmo: o de membro de família, e, enfim, o de cidadão;
sob cada uma dessas três faces pode ser criminoso ou
virtuoso, quer dizer, pode ser virtuoso como pai de família, ao
mesmo tempo que criminoso como cidadão, e reciprocamente;
daí as situações especiais que lhe são dadas em suas
existências sucessivas.
Salvo exceção, pode-se admitir como regra geral que todos
aqueles que têm uma tarefa comum reunidos numa existência,
já viveram juntos para trabalharem pelo mesmo resultado, e
se acharão reunidos ainda no futuro, até que tenham
alcançado o objetivo, quer dizer, expiado o passado, ou
cumprido a missão aceita.
Graças ao Espiritismo, compreendeis agora a justiça das
provas que não resultam de atos da vida presente, porque já
vos foi dito que é a quitação de dívidas do passado; por que
não ocorreria o mesmo com as provas coletivas? Dissestes
que as infelicidades gerais atingem o inocente como o culpado;
mas sabeis que o inocente de hoje pode ter sido o culpado de
ontem? Que tenha sido atingido individualmente ou
coletivamente, é que o mereceu. E, depois, como dissemos,
há faltas do indivíduo e do cidadão; a expiação de umas não
livra da expiação das outras, porque é necessário que toda
dívida seja paga até o último centavo. As virtudes da vida
privada não são as da vida pública; um, que é excelente
cidadão, pode ser muito mau pai de família, e outro, que é
bom pai de família, probo e honesto em seus negócios, pode
ser um mau cidadão, ter soprado o fogo da discórdia,
oprimido o fraco, manchado as mãos em crimes de lesasociedade.
São essas faltas coletivas que são expiadas
coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os
quais se reencontram para sofrerem juntos a pena de talião,
ou ter a ocasião de repararem o mal que fizeram, provando o
seu devotamento à coisa pública, socorrendo e assistindo
aqueles que outrora maltrataram. O que é incompreensível,
inconciliável com a justiça de Deus, sem a preexistência da
alma, se torna claro e lógico pelo conhecimento dessa lei.
A solidariedade, que é o verdadeiro laço social, não está, pois,
só para o presente; ela se estende no passado e no futuro,
uma vez que as mesmas individualidades se encontraram, se
reencontram e se encontrarão para subirem juntas a escala
do progresso, prestando-se concurso mútuo. Eis o que o
Espiritismo faz compreender pela equitativa lei da
reencarnação e a continuidade das relações entre os mesmos
seres.

Clélia DUPLANTIER"

Espero ter sido de alguma ajuda.

Paz contigo.






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