Casamento e religiões diferentes - Perguntas dos Amigos

Bom dia, Joao

Sou casada ha ___ anos, meu marido foi criado no meio evangelico, e eu no meio  catolico. Conheci o espiritismo ha algum tempo e participava tambem dos cultos, mas quando me casei deixei de frequentar, e hoje nao vou a nenhuma igreja. Conheço muitos evangelicos que se tornaram amigos por meio do meu marido, mas gosto e acredito no espiritismo, me considero espirita, fico um pouco confusa em relaçao às religioes pois vivo no meio das tres, e me sinto as vezes desleal com a minha. Defendo as tres e ao mesmo tempo nao concordo com algumas coisas, gostaria mesmo é de participar do espiritismo mas meu marido é contra, entao fico quieta. Sera que estou agindo corretamente, em negar o que acredito por nao ter a aprovaçao e companhia dele? 
Um outro assunto, quando eu era adolescene fui a uma cartomante que me disse que eu ficaria viuva e me casaria denovo, nao me importei, mas depois que me casei fui novamente em outra e ela me disse que eu corria este risco, e que a ex do meu marido teria feito uma macumba pra que ele ficasse com ela e com mais ninguem. Fiquei com muito medo e venho rezando muito pedindo a Deus que proteja ele e nao permita que ele morra, o que eu devo fazer? acreditar? por causa desta historia sempre que ele fala no futuro eu me lembro disso e nao nos vejo juntos. Ja  acreditei muito nessas previsoes, agora nao procuro mais por medo, mas sei q podem ser verdade. Preciso da sua opiniao, pois sei da sua experiencia e conhecimento.


Prezada _____________, bom dia.

Eu, particularmente, sou ferrenho defensor da teoria que nenhuma religião é melhor que a outra - questão 842 de "o livro dos espíritos" - e que, portanto, cada um de nós deve buscar o caminho que mais lhe agrade, complete e esclareça de acordo com as convicções íntimas do indivíduo. Assim procedendo estaremos sempre satisfeitos com a nossa escolha de caminho religioso - mesmo que seja "nenhum" - e encontraremos sempre satisfação em estudar, aprender e nos dedicarmos mais a religião que abraçarmos.

Muitas pessoas existem que, esposadas com pessoas de outras religiões, abandonam suas crenças e escolhas pelos motivos mais diversos: obrigação, evitar discussões, dedicação, adquirir novos esclarecimentos, , seguir o conjuge, etc. Embora eu acredite que em uma relação deva haver cumplicidade e compreensão em todos os âmbitos, casais existem onde não há espaço para o diálogo inter-religioso e onde prevalece a opinião de algum dos conjuges e os outros tem suas opiniões não consideradas. 

As razões pelas quais elas decidem isso não me cabe comentar ou argumentar; entretanto acredito que cada um deve ser livre para optar pelo que mais lhe parecer correto naquele momento. Mesmo que signifique não seguir a sua escolha - pois apenas o indivíduo é capaz de julgar e discernir se aquele momento de abnegação é o melhor para sua relação e para si mesmo - a exemplo de Joanna de Cusa no livro "boa nova" capítulo 15 o qual vale a pena uma leitura para esclarecimento( o livro poderá ser encontrado em www.biblioteca.radiobomespirito.com )

Agindo assim estas pessoas não estão "negando" o que acreditam, mas apenas temporariamente abrindo mão de participar de seus cultos e estudos, por um motivo que escolheram como sendo de maior importância naquele momento, compreende? As crenças e os valores continuam dentro de nós e ninguém pode tirá-los. Podemos, inclusive, durante este período aproveitar para crescer em nosso conhecimento através de leituras e estudos individuais. 

Perceba que seu questionamento - a partir de agora - tem um novo enfoque. 

Então cabe a você mesmo responder sua pergunta: "Sera que estou agindo corretamente, em negar o que acredito por nao ter a aprovaçao e companhia dele?"

Quanto ao fato das consultas de cartomantes e consulentes espirituais perceba que este tipo de prática não é uma prática espírita - sendo espiritualista e esotérica - e que MUITAS vezes está sendo praticada por pessoas com intenções de mistificar e auxiliados por espíritos desejosos de nos enganar e controlar.

As orientações recebidas em locais assim muitas vezes tem tendencias a querer nos deixar sempre dependentes de informações dos espíritos que ali trabalham e assim nos fazer voltar sempre para pedir mais informações.

Nada que ninguém afirme ou faça (trabalhos de religiões afro brasileiras) poderá atingir aos que estão equilibrados e em harmonia com a vida.

Somente nos atinge o mal que necessitamos experimentar nesta vida; e se Deus assim o permite é porque existe de nossa parte sintonia com o mal ou débitos cármicos que necessitam ser eliminados e atenuados através da ferramenta do sofrimento; compreende?

Por este motivo acredito que deva acreditar em Jesus e em seus trabalhadores - que não nos desamparam e estão sempre ao nosso lado nos guiando e orientando para o melhor. Nós é que muitas vezes nos desviamos do caminho reto e nos deixamos levar por influencias menos nobres.

Espero ter sido de alguma ajuda.

PAz contigo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ótima resposta. Quando casei eu era espirita e minha esposa evangélica da igreja universal. Com o tempo mudamos. Ela continua evangélica, só que não é mais membro da igreja universal. Eu não me considero mais espírita, mas sim espiritualista, pois acredito que a espiritualidade não depende de religiões, doutrinas, dogmas e tudo mais criado pelo homem, mas depende, e muito, do bem cultivado em nosso interior, do nosso desapego, do nosso jeito de encarar a vida, com lucidez e respeito a tudo que nos cerca, preservando a mente dos maus pensamentos e o corpo dos maus elementos, seguindo a lógica de que muita coisa é possível nesse universo de muitas possibilidades, incluindo o mundo espiritual e suas leis, mas se tudo isso não existir, não tem problema, pois o que importa é viver o agora, da melhor forma possível, como se fosse um espírito encarnado.

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