Mediunidade e Álcool- Perguntas dos amigos ...


Participo de uma casa espírita, mas ainda buscando mil e uma respostas, embora seja assíduo.
Buscando sempre compreender o relacionamento entre Álcool x mediunidade. Tenho vivido fatos nos quais me despertaram medo e por outro lado curiosidade.
Não é preciso beber muito para que eu sai totalmente de mim e provoque aqueles os quais eu convivo e me relaciono muito bem. O pior sem consciência.
Evito o Maximo este consumo.
Mas aguardo muito uma resposta, uma orientação para estes fatos e como devo pelo menos me explicar com quem acontece ou aconteceu estes fatos. Chego a ficar com vergonha.
Conto muito com vosso apoio.



Prezado Irmão, bom dia.

Agradeçamos ambos a Jesus pela oportunidade que nos deu de buscarmos sempre o melhoramento de nós mesmos através dos seus ensinamentos vivenciados em nossos dias.

Todos nós, meu querido, estamos sempre - e cada vez mais - em busca de respostas... pois que quando encontramos as respostas que procuramos, mudam-se as perguntas; e este é o processo eterno de aprendizado e auto-melhoramento que empreendemos em nossas vidas imortais, buscando sempre o caminho para a felicidade.

Algumas vezes encontramos mais facilmente, outras mais dificilmente; muitas vezes damos voltas sem necessidade ou nos afastamos do caminho correto e retornamos pisando nos espinhos que nós mesmos plantamos... mas isso faz parte de nós - seres humanos imperfeitos - e de nossa caminhada.

O álcool é um destes fatores que pode nos levar a desvios do caminho, nos iludindo com uma falsa felicidade e criando  caminhos repletos de espinhos, sofrimento e dificuldades para nós e para nossos familiares e amigos.

Perceba que não estou dizendo que o álcool não presta... pelo contrário acredito MUITO que tudo que foi criado por Deus em sua sabedoria tem um sentido e objetivos específicos e perfeitos em nossas vidas; assim como tudo que ele nos permite criar tem também seu plano de ação na existência.

Aprendi com o tempo que, em nosso atual estágio, o ideal é o caminho do meio - o caminho do equilíbrio; e tudo que foge a este equilíbrio tem grande possibilidade de nos prejudicar; compreende?

Independente da questão mediúnica o consumo do álcool tem gerado uma série de problemas para aqueles que utilizam sem limitações; o álcool apresenta um efeito entorpecente e inebriante fisicamente, afetando nosso controle motor para ações e reações.

Outro efeito é propiciar a maior liberação do espírito, trazendo a tona as alterações de personalidade, maneiras, humores e temperamento que presenciamos em muitos casos - e que, longe de ser problemas mediúnicos, são simplesmente o afloramento de nossa psique, tendencias e rações de personalidades de encarnações anteriores, guardados em nosso inconscientes e libertos parcialmente pelo efeito do álcool.

Trazendo o processo de liberação pelo efeito do álcool para o ambiente da mediunidade nós temos então explicada uma das causas do descontrole de muitos de nós. A maior abertura do espírito do médium alcoolizado, juntamente com a sua pouca ascendência moral em relação ao espírito dominante - obsessor ou não, bem como algum processo de vivência/obsessão com um ou mais espíritos sofredores, vai fatalmente levar o indivíduo a estar mais aberto a influencia espiritual e, em alguns casos, até totalmente exposto a subjugação; conforme esclarece Kardec em "o livro dos médiuns".

Estes processos citados acima, seja o de libertação de nossas tendencias íntimas ou  de influencia e subjugação espiritual, são efeitos que trazem o consumo imoderado de substancias entorpecedoras. 

Então nós devemos ter a consciência de nossas limitações e diminuir, controlar, ou até mesmo eliminar, o consumo de substancias entorpecentes - bem como de comportamentos - que nos geram mal estar social, físico, mental e espiritual... tudo está sujeito a nosso nível consciencial e a nossa força de vontade; observemos, neste contexto, as questões 644, 645, 908 e 909 de "o livro dos espíritos". 

Aliados ao controle/esforço de eliminar o "estopim" da bomba que carregamos em nós mesmos, devemos utilizar as ferramentas que nos oferece a casa espírita - oração, palestras, passe, água fluidificada, evangelho no lar, tratamento espiritual... pois muitas vezes de nós mesmos nada podemos, mas acrescidos do amor e carinho dos irmãos de caminhada ganhamos força e vencemos os nossos espinhos.

Neste caso que relata, meu irmão, a espiritualidade está pronta para auxiliá-lo.. .entretanto é imprescindível a sua cota de conscientização , esforço e participação ativa no processo de melhoramento e vencimento destes efeitos do álcool em sua vida.

Mude sua vibração, altere suas prioridades, ocupe o tempo com eventos e situações úteis, trabalhe no amor e na caridade, envolva-se com grupos de estudo, oração e ação... crie assim um novo ambiente ao seu redor, onde o consumo do álcool não esteja presente.

Não é fácil a caminhada, mas vale a pena cada passo.

Paz contigo.


Mediunidade, sintomas e desenvolvimento - Perguntas dos amigos ...


Olá João, boa tarde!
Meu nome é _________, tenho _______ anos. Visitei seu blog em busca de orientações ou esclarecimentos. Achei através de uma pesquisa que fiz no google. Estava procurando algo sobre o que o espiritismo diz a respeito de arrepios e dor na nuca. Sou espirita mas conheço pouco a respeito, ja li muito sobre. Mas frequento uma casa a pouco tempo, não com a frequência que gostaria. A minha dúvida que escrevo abaixo pretendia escrever no blog, mas minha maquina dava problema e por algum motivo não consegui completar e enviar. Me inscrevi no blog para receber os e-mails, e quando recebi um vi a chance de entrar em contato por e-mail.
Há alguns meses senti que a minha sensibilidade está mais aguçada. Sinto a energia das pessoas e  lugares, ruins e boas. E sinto que a energia ruim me afeta de forma muito agressiva. Me deixando pra baixo por dias. Tenho sonhos premonitórios e isso me assusta muito. Ultimamente tem acontecido com maior frequência. Recentemente fui a uma casa espirita e tive uma crise de choro ao receber uma oração. Não sei explicar o motivo pois não tinha motivos para me sentir triste. Gostaria de saber se isso pode ser devido ao desenvolvimento mediúnico? A poucas semanas comecei a sentir calafrios sem explicação, e dores na nuca e costas muito  fortes. O que pode ser?
Ficarei muito feliz se conseguir me responder.
Desde já Agradeço a sua atenção.
Abraços!


Prezada Irmã, bom dia.

Fique a vontade para escrever sempre que achar necessário... este espaço é para isto mesmo. Apenas posso não responder tão rápido como gostaria, mas responderei.

A mediunidade, conforme Kardec orienta em O livro dos médiuns, é uma sensibilidade natural e normal ao ser humano; por isso todos temos a sensibilidade mediúnica. Em algumas pessoas esta sensibilidade passa por processos de eclosão - afloramento - e estas passam a sentir com mais propriedade a influencia dos espíritos, sendo inclusive passíveis de transmitir mensagens e receber orientações. A estes damos a denominação de Médiuns - pois podem servir de intermediários entre o mundo espiritual e o físico.

A eclosão da sensibilidade mediúnica pode acontecer em qualquer pessoa, de qualquer idade, raça, credo, etc. Normalmente obedece uma programação reencarnatória e aflora de conformidade com a necessidade de cada um; entretanto existem casos em que devido a uma grande fraqueza ou debilidade orgânica - causada por doenças - ou por uma obsessão intensa e de longo curso, podem ser despertadas as sensibilidades mediúnicas do indivíduo.

Esta eclosão normalmente vem acompanhada de uma série de fatores e sentimentos - que muitas vezes não controlamos - são arrepios, dores de cabeça ou nuca, sensação de peso, insônia ou sonolência extrema, mudanças de humor bruscas, sensibilidade alterada entre outros.

Muito embora nem sempre que apresentamos estes sintomas sejamos portadores de afloramento mediúnico.

No meu ponto de vista, sem querer ser portador da verdade absoluta, o que você me relata é muito consistente com uma sensibilidade mediúnica alterada, entretanto não fica claro se por programação ou por acompanhamento.

Esta sensação de tristeza inexplicável e depressão duradoura (ficar pra baixo) podem indicar que você esteja acompanhada de um ou mais espíritos em sofrimento. As sensações físicas - dores e calafrios - também indicam uma possível companhia e obsessão.

Acho, assim, que antes de se preocupar com "mediunidade" o mais prudente é você buscar uma consulta ou atendimento fraterno no centro que frequenta e diagnosticar se este é um caso passível de tratamento espiritual ou simplesmente mediunidade aflorada.

Em existindo a necessidade de fazer um tratamento espiritual, após o mesmo, aí sim você deverá iniciar um processo de estudo e educação da mediunidade - através do conhecimento e educação de si mesma.

Aprendi que em mediunidade não devemos ter pressa e que tudo é embasado no amor, no evangelho de Jesus e no estudo e conhecimento. 

Por isso, minha irmã, busque a verdade e ela vai te esclarecer e libertar para que possa seguir seu caminho em paz com Cristo.

Espero ter sido de alguma ajuda. Caso necessite não hesite em contatar novamente.

Paz contigo.

Erro e consequencias - Perguntas dos amigos ...


Boa tarde! Não consigo aceitar um grande erro que cometi,a _____ anos conheci uma pessoa que morava em outra cidade, em menos de dois meses já estávamos morando juntos e mais um mes fiquei grávida,sem nunca ter desejado ser mãe, essa pessoa é drogada e não quer nada na vida, diferente de mim que sempre batalhei pra melhorar,não ficamos juntos,tive que voltar para casa dos meus pais,pra uma cidade que nunca gostei e perdi meu emprego que adorava,hoje não consigo emprego, apesar de ter experiencia, a cidade onde vivo não tem perspectiva em nada. Não aceito meu erro. penso que estou pagando algo.

Desculpe por enviar isso para seu e mail, mas é que gostaria muito de ouvir o ponto de vista de uma pessoa como voCê! Desde já agradeço!



Prezada _______________, bom dia.

Agradeço seu carinho e confiança e asseguro que não há necessidade de se preocupar em enviar mensagens ao meu e-mail... dentro das pequenas possibilidades que tenho tento atender aos amigos da melhor maneira possível.

Lembro ainda que, como você solicita para "ouvir o ponto de vista de uma pessoa como eu", este ponto de vista - embasado na Doutrina Espírita e em meus estudos e vivências pessoais, não tem a intenção de representar a verdade ou a opinião da Doutrina... apenas representa minha opinião particular que pode não ser o que você espera ou deseja... e se não for peço desculpas antecipadamente, entretanto como você solicitou, devo me colocar de acordo com minhas convicções.

Acredito, minha irmã, que muitas das situações que vivenciamos nesta Terra de provas e expiações são efeitos advindos de nosso passado, através da lei de causa e efeito, dos quais não podemos escapar e tem um caráter de fatalidade em nossa existência atual. 

Entre tais fatores podemos citar alguns sem dúvidas: cor da pele, família, local e classe social de nascimento, defeitos congênitos ou genéticos, doenças terminais e degenerativas, entre outros. 

Outros fatores tem a incidência pré-agendada, entretanto no antes, durante ou após o acontecimento estará sujeito a alterações e interferências de nosso livre-arbítrio ou de alguém que interfira em nosso caminho, exemplos: encontros fortuitos com pessoas importantes para nós, casamentos, oportunidades de mudanças, empregos ou alterações que surgem inesperadamente, e qualquer outra situação que esteja em nossa programação reencarnatória acontecer e que depois possa ser alterada aos mandos e desmandos de nossa vontade.

Muitos, entretanto, não são pré-agendados nem programados e são consequência direta de nosso livre arbítrio e de nossa vontade; onde nós e apenas nós somos os responsáveis pelo acontecido e, fatalmente, por suas consequências. Pois é da lei que para cada causa exista um efeito consequente, agradável ou desagradável, de conformidade com o teor de nossas decisões, escolhas e práticas.

Por isso, querida irmã, quando você afirma " Não aceito meu erro. penso que estou pagando algo." está utilizando uma figura de linguagem muito comum entre as pessoas, mas não necessariamente certa. Perceba que independente do tipo e da origem deste ato/fato, o mesmo gera uma consequência que é responsabilidade dos envolvidos - você e o parceiro - e não um débito que Deus ou a vida venha cobrar fazendo você sofrer como punição.

O fato é que o ato realizado - seja qual for - gera consequências que afetarão diretamente a nossa vida e trarão situações agradáveis ou não. Não é Deus que nos pune pelos erros que cometemos; mas nós que geramos as consequências das quais seremos vítimas amanhã a partir de decisões do agora; compreende?

Você não está "pagando"... está sentindo o efeito. E este efeito é inescapável... e não sendo hoje ou agora, fatalmente será amanhã ou depois, pois que é necessário a você reequilibrar a harmonia íntima e ajustar a balança do espírito, de forma a retomar o processo de evangelização e crescimento espiritual.

Por este motivo, minha irmã, acredito que o melhor a fazer agora é libertar-se do peso da culpa e da auto-comiseração, e partir para a aceitação real do fato, resignando e buscando transformar os espinhos do hoje nas flores do amanhã.

A revolta e a culpa apenas paralisam os teus recursos e esforços, sem que sejam colocadas tuas capacidades criativas em busca de uma transformação real... enquanto estiver "vivendo" este papel nada estará realmente modificado em tua vida, pois que estás emitindo estes fluidos e atraindo para ti fluidos semelhantes.

A partir do momento em que você, consciente que este papel te faz mal, decidir alterar sua vibração íntima e colocar a resignação e a vontade sincera de mudar, alterar sua mentalidade e buscar o amparo dos bons amigos espirituais através do trabalho e da oração, este tipo de atitude vai - lentamente - alterando seus fluidos interiores e elevando seu padrão vibratório, trazendo para você melhores companhias e possibilidades.

Aproveite a oportunidade da vida que nasce em teu ventre e dedique-se com amor e carinho a este espírito reencarnante.

Abrace uma casa religiosa de sua preferencia e participe de seus estudos, campanhas e ações.

Envolva-se pelo exemplo de Jesus e transforme através do amor sua vida. Pois o amor elimina a multidão de nossos erros.

Certamente assim você estará dando um passo largo e importante na retomada das rédeas de seu destino e apontando em uma direção certa.

Transcrevo abaixo dois textos de o evangelho segundo o espiritismo chamados "causas atuais das aflições" e "causas anteriores das aflições"; eles certamente poderão de auxiliar na identificação e solução de seu dilema. Caso deseje uma cópia de o evangelho segundo o espiritismo para efetuar mais leituras poderá encontrar em www.biblioteca.bomespirito.com

Paz contigo.

Causas atuais das aflições
4. De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de
duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente;
outras, fora desta vida.
Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são
conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua
imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por
não terem sabido limitar seus desejos!
Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de
vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!
Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação
e menos suscetibilidade!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo
gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o
princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se
desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a
secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se
afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas
vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam
e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de
fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si
mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios
infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua
vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é
apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao
cômputo das vicissitudes da
vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto
intelectualmente.
5. A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado reconhecer
que sofre a conseqüência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode atingir todas as faltas;
incide especialmente sobre as que trazem prejuízo â sociedade e não sobre as que só
prejudicam os que as cometem, Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e,
portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto, Não há falta alguma, por mais
leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis
conseqüências, mais ou menos deploráveis. Daí se segue que, nas pequenas coisas, como nas
grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou. os sofrimentos que decorrem
do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe
sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de
futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para
que se emendasse. Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, conseqüentemente, a
sua felicidade futura.
Entretanto, a experiência, algumas vezes, chega um pouco tarde: quando a vida já foi
desperdiçada e turbada; quando as forças já estão gastas e sem remédio o mal, Põe-se então o
homem a dizer: "Se no começo dos meus dias eu soubera o que sei hoje, quantos passos em
falso teria evitado! Se houvesse de recomeçar, conduzir-me-ia de outra maneira. No entanto,
já não há mais tempo!" Como o obreiro preguiçoso, que diz: "Perdi o meu dia", também ele
diz: "Perdi a minha vida". Contudo, assim como para o obreiro o Sol se levanta no dia
seguinte, permitindo-lhe neste reparar o tempo perdido, também para o homem, após a noite
do túmulo, brilhará o Sol de uma nova vida, em que lhe será possível aproveitar a experiência
do passado e suas boas resoluções para o futuro.


Causas anteriores das aflições
6. Mas, se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos
quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como
por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da
família. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da
fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais,
as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a
vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc.
Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para
merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar, que são impotentes para
mudar por si mesmos e que os põe à mercê da comiseração pública. Por que, pois, seres tão
desgraçados, enquanto, ao lado deles, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são
favorecidos de todos os modos?
Que dizer, enfim, dessas crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram
sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que
nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da
providência de Deus, se se verificasse a hipótese de ser criada a alma ao mesmo tempo que o
corpo e de estar a sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns
instantes na Terra. Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para se
verem, neste mundo, a braços com tantas misérias e para merecerem no futuro urna
recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar nem o bem, nem o
mal?
Todavia, por virtude do axioma segundo o qual  todo efeito tem uma causa,  tais
misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa
causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se
encontra na vida
atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro
lado, não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos
punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito
noutra. E uma alternativa a que ninguém pode fugir e em que a lógica decide de que parte se
acha a justiça de Deus.
O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência
atual; mas não escapa nunca às conseqüências de suas faltas. A prosperidade do mau é apenas
momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está
expiando o seu passado. O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de
ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 'Perdoa-me, Senhor, porque
pequei.
7. Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se
originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta cometida, isto é, o
homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros. Se
foi duro e desumano, poderá ser a seu turno tratado duramente e com desumanidade; se foi
orgulhoso, poderá nascer em humilhante condição; se foi avaro, egoísta, ou se fez mau uso de
suas riquezas, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo
procedimento de seus filhos, etc.
Assim se explicam pela pluralidade das existências e pela destinação da Terra, como
mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da ventura e da desventura entre
os bons e os maus neste planeta. Semelhante anomalia, contudo, só existe na aparência,
porque considerada tão-só do ponto de vista da vida presente. Aquele que se elevar, pelo
pensamento, de maneira a apreender toda uma série de existências, verá que a cada um é
atribuída a parte que lhe compete, sem prejuízo da que lhe tocará no mundo dos Espíritos, e
verá que a justiça de Deus nunca se interrompe.
Jamais deve o homem olvidar que se acha num mundo inferior, ao qual somente as
suas imperfeições o conservam preso. A cada vicissitude, cumpre-lhe lembrar-se de que, se
pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria e que só de si depende não voltar a
este, trabalhando por se melhorar.
8. As tribulações podem ser impostas a Espíritos endurecidos, ou extremamente
ignorantes, para levá-los a fazer uma escolha com conhecimento de causa. Os Espíritos
penitentes, porém, desejosos de reparar o mal que hajam feito e de proceder melhor, esses as
escolhem livremente. Tal o caso de um que, havendo desempenhado mal sua tarefa, pede lha
deixem recomeçar, para não perder o fruto de seu trabalho As tribulações, portanto, são, ao
mesmo tempo, expiações do passado, que recebe nelas o merecido castigo, e provas com
relação ao futuro, que elas preparam. Rendamos graças a Deus, que, em sua bondade, faculta
ao homem reparar seus erros e não o condena irrevogavelmente por uma primeira falta.
9. Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo denote a
existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito
para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de
prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Provas e expiações, todavia, são sempre
sinais de relativa inferioridade, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado. Pode,
pois, um Espírito haver chegado a certo grau de elevação e, nada obstante, desejoso de
adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais
recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais rude haja sido a luta. Tais são,
especialmente, essas pessoas de instintos naturalmente bons, de alma elevada, de nobres
sentimentos inatos, que parece nada de mau haverem trazido de suas precedentes existências
e que sofrem, com resignação toda cristã, as maiores dores, somente pedindo a Deus que as
possam suportar sem murmurar. Pode-se,
ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam queixas e impelem o
homem à revolta contra Deus.
Sem dúvida, o sofrimento que não provoca queixumes pode ser uma expiação; mas, é
indício de que foi buscada voluntariamente, antes que imposta, e constitui prova de forte
resolução, o que é sinal de progresso.
10. Os Espíritos não podem aspirar à completa felicidade, enquanto não se tenham
tornado puros: qualquer mácula lhes interdita a entrada nos mundos ditosos. São como os
passageiros de um navio onde há pestosos, aos quais se veda o acesso à cidade a que aportem,
até que se hajam expurgado. Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos se
vão expungindo, pouco a pouco, de suas imperfeições. As provações da vida os fazem
adiantar-se, quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam as faltas e purificam. São
o remédio que limpa as chagas e cura o doente. Quanto mais grave é o mal, tanto mais
enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a
expiar e deve regozijar-se à idéia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar
proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do
contrário, terá de recomeçar.


Mediunidade Ferramenta de Amor - palestra em MP3





Mediunidade Ferramenta de Amor
Proferida no Grupo Espírita Apolo - Bezerros, PE
(clique no nome para baixar o arquivo ou no play para escutar online)


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