A história de Fred - parte 4 ...

A história de Fred
Parte 4


23/05/14



o sol já ia alto no horizonte, visto por uma janela,
quanto alguém adentrou o recinto e me observou
dizendo: como está amigo?

- Bem, respondi, o meu maior problema é saber onde estou?

- Na mesma cidade que outrora você estava vivo na
carne e a deixou por tão triste feito.

- Na mesma? Perguntei, como pode ser se até ontem
tudo eram escombros e desolação, quebradas as
paredes e em chamas os bens, muitos mortos e feridos,
onde está toda esta miséria que se abateu sobre a
cidade amada?

- Este, meu irmão, é fato passado e que já faz algum
tempo foi solucionado pelos homens encarnados, em
seus trabalhos de reconstrução e de apoio aos que sofrem.

Enquanto o amigo estava adormecido, antes de ser
trazido para este hospital, os homens trabalharam
reerguendo a cidade natal.

– Como pode – perguntei atônito – como em uma
noite podem os homens reconstruir tudo que foi
destruído?

– Uma noite apenas em seu conhecimento, querido
amigo; Na realidade o tempo para os homens
passou de forma mais rápida e longa. Passaram-se
para eles cerca de cinquenta anos dos
terrestres; e neste tempo todo o amigo dormiu,
ou descansou de suas feridas, problemas e
traumas.

Calado e assustado não consegui responder. Se
passaram-se cinquenta aos dos nossos, pensava
agora, onde estariam os que amei e aos quais não vi
mais desde a noite fatídica há tanto tempo?

O que fazer agora que além de morto me sentia
deslocado no tempo?

Atônito fiquei sem reação, aguardando apenas que o
companheiro continuasse suas explicações.

-

06/06/14



O dia ia alto e as horas já se passavam com rapidez
quando percebi um desconhecido que adentrou o quarto
onde me encontrava.

De branco e bastante sorridente chamava-me pelo
nome e dizia já me conhecer de longas datas.

Não pude reconhecê-lo, entretanto relatou fatos de meu
passado que apenas poucas pessoas conheciam e
destacou a importância da família amada perdida na
explosão que havia me vitimado há tanto tempo.

Após alguns minutos de conversa perguntei o seu nome
e o mesmo me respondeu tranquilo: não se preocupe
com o nome, para você serei sempre seu filho.

Era uma revelação por demais estranha e os
sentimentos me afloraram em lágrimas.

O mesmo que morreu comigo na explosão ( ... ) hoje
em um médico – se podia dizer assim – e cuidava de
mim naqueles momentos de trauma e dor.

As lágrimas rolavam no rosto e não podia articular as
palavras que transmitissem os sentimentos que sentia
naquele momento.

Abracei lentamente e fortemente o garoto que era meu
filho e chorei copiosamente em seu ombro.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...